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ABEA e FeNEA posicionam-se sobre Portaria do MEC que permite EaD em razão do Covid-19

A Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo (ABEA) e a FeNEA (Federação Nacional de Estudantes de Arquitetura e Urbanismo) manifestam-se no dia 27 de março a respeito  da Portaria Nº 343  do Ministério da Educação que autorizou as instituições de ensino a migrarem temporariamente suas ativividades acadêmicas persenciais regulares para a modalidade a distância em razão da pandemia do novo coronavírus. O CAU/RS e o CAU/RJ também se posicionaram contra a medida. Diversas universidades privadas seguiram a medida, enquanto muitas instituições públicas se posicionaram contrariamente a tal migração.

 

A ABEA analisa a situação a partir de perspectiva similar. “Situações excepcionais exigem soluções igualmente atípicas. Entretanto, do mesmo modo que o isolamento social traz graves prejuízos para nossa vida cotidiana, as práticas pedagógicas a distância, per se, e, ademais, instituídas do modo intempestivo como estão sendo, não podem ser consideradas uma alternativa que dispense futuras compensações no primeiro momento possível. Educação não tem atalhos: a qualidade do processo tem consequência direta no resultado da formação”, diz manifestação da sociedade.

 

Veja a íntegra da Manifestação da ABEA – Ensino de Arquitetura e Urbanismo e a Pandemia do Covid-19

 

Em sua manifestação, a FeNEA diz que a Portaria MEC,  apesar de se dizer comprometida em contornar a atual situação de emergência, abre graves precedentes. “Fazemos questão de repetir nossa contrariedade ao ensino a distância e às demais medidas do escopo da privatização e precarização do ensino, e entendemos que o EaD não é aplicável à realidade brasileira por, inclusive, nosso sistema de ensino ser heterônomo, realidade esta insanável num curto período de tempo. A Educação não é mercadoria”.

 

Veja a íntegra da manifestaçao da FeNEA: Carta sobre o Ensino durante a quarentena

 

O CAU/RS defende o EaD como uma ferramenta, e não como uma modalidade. Sendo assim, a adaptação dos currículos escolares para medida à distância devido ao coronavírus resulta na superficialidade do ensino. Na manifestação publicada pela Comissão de Ensino e Formação (CEF – CAU/RS), o Conselho recomenda “a paralisação das atividades on-line ou em EAD, acima citadas, e que sejam revistos os cronogramas das disciplinas para recuperação presencial das aulas, tão logo cesse o período de paralisação das IES, de tal forma que a qualidade do ensino e a formação dos novos profissionais não sejam tão seriamente comprometidas”.

 

Veja íntegra da manifestação do CAU/RS: CAU/RS posiciona-se contrário ao ensino 100% a distância

 

O CAU/RJ concorda que as aulas remotas não substituem as aulas presenciais, nem desobrigam as instituições a complementação dos conceitos mediante a prática necessária nas aulas presenciais em momento oportuno. Em sua manifestação, a CEF – CAU/RJ afirma que “neste momento, face a pandemia que estamos vivendo, em que visitas a campo, entrevistas com atores sociais, pesquisas diretas estão obrigatoriamente suspensas porque quebram o sentido da quarentena desejada. Assim, a implantação da modalidade de EAD é totalmente inócua porque não consegue contemplar as atividades anteriormente citadas”.

 

Veja a íntegra da manifestação do CAU/RJ: Comissão de Ensino e Formação do CAU/RJ defende que faculdades definam atividades não presenciais

 

 

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9 respostas

  1. E o que acontece em relação as universidades que estão colocando disciplinas de projeto de Arquitetura e Urbanismo na modalidade EAD devido ao Covid 19?

  2. Bom dia
    Mas no caso do CAU Brasil, qual o posicionamento, cancela, ou vai esperar nos prejudicar quando finalizarmos o curso?

  3. Prezados, estamos vivendo um momento de exceção. E esse momento tem um prazo para terminar, esperamos que o mais breve possível.
    Como vocês indicam, situações extremas geram alternativas extremas. É o que está ocorrendo. E acho louvável e importante a preocupação levantada.
    Porém, antes de de qualquer explicação ampliando a discussão acima é importante separar ensino EAD de Ensino Remoto. O EAD, como é aplicado em diversas instituições, é uma modalidade auto-instrucional, apostilada e com o apoio de tutores, que nem sempre são da área do curso. O que está ocorrendo em diversas universidades sérias é o Ensino Remoto, ou seja, as aulas ocorrem nos horários normais, ao vivo, com a participação dos professores e alunos, seguindo rigorosamente o planejamento da aula presencial. Todas as práticas possíveis remotamente estão sendo realizadas, no entanto, as impossíveis já estão sendo planejadas para a recuperação assim que a normalidade retorne. Em suma, o prejuízo ao aluno e à qualidade do ensino é mínimo perante a atual realidade. Além disso, o sucateamento nem sempre é a regra, pois o Ensino Remoto sério pressupõe investimento em tecnologia, além da manutenção dos professores nas mesmas proporções já recomendadas.
    Novamente insisto, ensino EAD é diferente de Ensino Remoto.
    Como essa situação é temporária, e tem instituições sérias trabalhando nesse período (pois as não sérias tem grandes problemas no presencial também) acho que a energia das discussões deveria estar voltada para a Portaria 2217/2019, que amplia em até 40% o EAD no presencial. Esse sim é um debate que deve ser amplo entre os arquitetos, as instituições de ensino, e a participação dos conselhos, ABEA, FENEA, IAB e outras instituições de classe se torna fundamental.
    Vai ocorrer, é uma Portaria válida desde o final de 2019, mas como ela vai ocorrer deve ser amplamente discutido por nós.
    Fico à disposição para esclarecer como o Ensino Remoto vem ocorrendo onde leciono, pois sou professor de Projeto e Teoria e venho aprendendo muito nesse período, com grande envolvimento (muito maior do que o presencial devido ao aprendizado de novas ferramentas e métodos), e com feedback positivo dos alunos envolvidos.

  4. Acredito que sempre o ensino sofrerá… já está muito deficitário e continuará cada vez pior. Falo por receber estagiários com formação muito fraca e sem adequação básica à realidade executiva de projetos…

  5. Sou arquiteta formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, tudo presencial, obviamente. Algumas coisas realmente tornam-se bem difíceis a longa distância, mas acho que boa parte do curso pode sim ser feito EAD, temos que aceitar, esse é o futuro. Inclusive projetos a distância também.

    1. Concordo Plenamente. Visto que nesse periodo de Pandemia, muitos ou quase todos os escritorios de Arquitetura, estao disponibilizando projetos online, para atender o cliente remotamente.
      Creio que a tecnologia e a evolução da mesma e adaptação é o melhor caminho. e Nao simplismente dizer NAO, e pronto.

  6. ESTOU NA ÚLTIMA FASE COM COM TCC E MAIS 2 MATÉRIAS, O QUE PODE ACONTECER EU TERMINAR E O CAU NÃO ACEITAR A MINHA FORMAÇÃO SENDO QUE CUMPRI 98% DE TODA GRADE PRESENCIAL????? ISSO MESMO??

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