EQUIDADE DE GÊNERO

Alete Ramos e Guilah Naslavsky

Acervo EBAP – Memorial Denis Bernardes

 

A arquiteta Alete Ramos nasceu em Maceió, em 1939, ingressou no curso de Arquitetura na EBAP/FAUR, em 1959, e se formou em 1963. Nessa época, embora os homens fossem a maioria, havia muitas mulheres cursando Arquitetura.

 

Como estudante pretendia fazer projeto de Arquitetura e Desenho, mas dentro do curso descobriu o Urbanismo, área pela qual se interessou bastante e profissional direcionou sua atuação. O professor Acácio Gil Borsoi foi uma figura importante na sua formação. Ele costumava levar os estudantes para as obras que ele projetava para aulas práticas.

 

Alete foi estagiária da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE). Ilustre projetista, após sua formatura fez especialização na França entre 1965 e 1966.

 

Quando retornou foi imediatamente contratada na Companhia Hidroelétrica da Boa Esperança (COHEBE).

 

No início dos anos 70, na companhia de Vale do Sobradinho, teve oportunidade de projetar a cidade Nova Iorque no Maranhão, juntamente com Cristina Jucá, Fred Holanda e Armando Holanda, entre outros grupos de sociólogos e assistentes sociais. A antiga cidade de Nova Iorque teve de ser destruída para a construção da COHEBE, em 1968.

 

Durante a construção da cidade, utilizou estruturas pioneiras feitas de madeira e também utilizadas por Frank Svensson, no Projeto Bebedouro, na cidade de Petrolina (PE). Para isso, a equipe liderada por Alete Ramos procurou utilizar tipologias mais próximas a cidade antiga, identificadas a partir de levantamentos técnicos. O objetivo era projetar a nova cidade baseada nos mesmos princípios que a anterior para que a população local pudesse ser realocada, entendendo a necessidade da inundação para a geração de energia elétrica. Os profissionais utilizaram como partido um dos elementos mais marcantes da cidade anterior: a praça central da Igreja. Foram propostas mudanças em relação a cidade antiga. Em relação ao urbano: as ruas se tornaram mais largas, houve o aumento da escala de praças e quadras. Além de propor a Rua dos Bambuzeiros e a Praça da Matriz.

 

Na COHEBE foi indicada para receber uma bolsa de mestrado na Inglaterra, onde estudou por três anos, até seu retorno para a Companhia.

 

Atuou ainda no Banco Nacional de Habitação (BNH) e realizou inúmeras especializações no exterior. Alete foi convidada para montar o programa de pós-graduação em Planejamento Urbano, junto com 12 professores, sendo dois deles americanos. Com o período militar todos foram demitidos da noite para o dia e Alete foi convidada por Ricardo Pontual, que dirigia a área de desenvolvimento urbano no BNH, para trabalhar com ele. O trabalho era com áreas prioritárias e a permitiu fazer projetos fora da cidade relacionados à infraestrutura e especulação imobiliária. Na ocasião, foram ao Peru acompanhar os estudos das áreas de expansão prioritária urbana.

 

Realizou também projetos de Arquitetura e inspirada nos ensinamentos de Delfim Amorim, projetou uma casa na Av. 17 de agosto, onde atualmente funciona um laboratório médico. Fez também projetos para a família.

 

 

Guilah Naslavsky

 

 

Arquiteta formada pela UFPE Guilah Naslavsky concluiu seu mestrado em 1998 e o doutorado em 2004 pela FAUUSP. É professora associada III no DAU/UFPE, do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Urbano MDU/UFPE e coordenadora do Laboratório da Imagem de Arquitetura e Urbanismo

 

Arquiteta formada pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em 1992, Guilah Naslavsky concluiu seu mestrado em 1998 e o doutorado em 2004, pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP). É professora associada III no DAU/UFPE, desde 2010. É professora do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Urbano MDU/UFPE desde 2011 e coordenadora do Laboratório da Imagem de Arquitetura e Urbanismo desde 2013.

Foi professora visitante, entre 2015-2016, na Escola de Arquitetura da Universidade do Texas (SOA/UT), com bolsa CAPES. Publicou Arquitetura Moderna em Recife, 1949-1972, no ano de 2012 e organizou Brasil, Nordeste, Mulheres arquitetas, em 2021. Atualmente é bolsista Fulbright (2021/2022).

 

 

Entrevista com a pesquisadora

 

  1. Explique a sua pesquisa resumidamente (metodologia, variável e unidade de análise, recorte temporal).

Pesquisa em acervos da Escola de Belas Artes de Pernambuco, registrando as arquitetas formadas pela escola, o ano de ingresso e de formatura, e depois pesquisando suas trajetórias profissionais por meio de entrevistas e pesquisas em periódicos e acervos pessoais com um recorte temporal de 1948 até 1976.

 

Essa pesquisa foi elaborada em conjunto com minhas alunas de iniciação científica do PIBIC UFPE. Maria Luiza Rocha, Rafaela Lins e Letícia Toscano.

 

 

  1. O que te motivou a pesquisar sobre o tema?

A percepção da invisibilidade das arquitetas.

 

 

  1. Qual a relevância da(s) arquiteta(s) pesquisada(s) para a historiografia da Arquitetura e do Urbanismo?

Grande relevância. As arquitetas pesquisadas atuaram em diversas áreas e muitas delas chefiaram escritórios. Continuam a despeito do talento, sendo discriminadas e não têm até hoje o mesmo reconhecimento que seus pares masculinos.

 

 

  1. Comente os dificuldades e/ou especificidades enfrentadas pela(s) arquiteta(s) pesquisada(s) no exercício profissional relacionadas ao fato de ser(em) mulher(es)?

O machismo e misoginia presentes em nossa sociedade até hoje. Sobretudo na área de construção civil.

 

 

  1. Indique link(s) ou arquivo(s) para demais informações sobre a sua pesquisa, ou artigos publicados relacionados ao tema (podendo incluir referências bibliográficas de outras autorias).

 

Trabalhos completos publicados em anais de congressos:

 

NASLAVSKY, Guilah; VALENCA, M. L. R. M. . As ‘outras’do ‘outro’:Pioneiras arquitetas no Nordeste Brasileiro: migrações, gênero e regionalismo.. In: 13o. Seminário DOCOMOMO Brasil, 2019, Salvador. Arquitetura moderna brasileira. 25 anos do Docomomo Brasil. Todos os mundos, um só mundo. Salvador-BA: Instituto dos Arquitetos do Brasil. Departamento da Bahia., 2019. p. 1-14. Disponível AQUI.

 

Artigos completos publicados em periódicos:

 

NASLAVSKY, Guilah; VALENCA, M. L. R. M. ; LINS, R. S. . Os Saberes Localizados da Prática das Arquitetas no Nordeste Brasileiro. CADERNOS DE PÓS GRADUAÇÃO EM ARQUITETURA E URBANISMO (MACKENZIE. ONLINE), v. 21, p. 107-127, 2021.

 

NASLAVSKY, Guilah. Tradição do Nordeste brasileiro na obra de três arquitetas: Lina Bo Bardi, Janete Costa, e Neide Mota Azevedo-Financiamento CAPES. In: 7 Docomomo Norte Nordeste, 2018, Manaus. 7 Docomomo Norte Nordeste. Manaus: UFAM. Disponível AQUI.

 

Livros publicados/organizados ou edições:

 

NASLAVSKY, Guilah; GATI, A. H. (Org.) . Brasil, Nordeste, mulheres arquitetas: migrações, gênero e regionalismo. 720. ed. Recife: Editoria Universitária da UFPE, 2021. 176p .

 

Capítulos de livros publicados:

 

NASLAVSKY, Guilah; VALENCA, M. L. R. M. ; GATI, A. H. Pioneiras arquitetas em Pernambuco? migrações, gênero e regonalismo. In: Guilah Naslavsky; Andréa Gáti. (Org.). Brasil, Nordeste, Mulheres Arquitetas: migrações, regionalismo, gênero. 1ed.Recife: Editora UFPE, 2021, v. , p. 40-64.

 

NASLAVSKY, Guilah; CARNEIRO, Ana Rita Sá . Da habtação popular à paisagem do Nordeste: Uma reflexão sobre regionalismo e gênero. In: Guilah Naslavsky e Andréa Gáti. (Org.). Brasil, Nordeste, mulheres arquitetas: migrações, regionalismo, gênero. 1ed.Recife: Editoria UFPE, 2021, v. 1, p. 104-125.

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