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Arquiteto desenvolve novo modelo de negócios com foco na baixa renda

ARQUITETO CLASSE C

 

Recente pesquisa realizada pelo CAU/BR e pelo Instituto Datafolha constatou uma realidade que os arquitetos há muito já percebiam em seu cotidiano. Os dados confirmaram que a maior parte da sociedade brasileira vê o trabalho do arquiteto como uma atividade só acessível às classes mais abastadas. Entre as pessoas de classe AB, o índice de utilização de profissionais tecnicamente habilitados é de 25,8%. Apenas entre as pessoas da classe A, essa taxa pula para 55,30%.

 

A mesma pesquisa também demonstrou que a maioria das pessoas que utilizou apenas serviços de mestres de obras ou pedreiros mostrou-se arrependida. Falta de planejamento, custos acima do orçamento original, descumprimento de prazos, desperdício de materiais e necessidade de refações de serviços foram as principais razões apontadas. Diante do mercado, ainda não tão desbravado, formado pelas pessoas com menor poder aquisitivo, o arquiteto e urbanista Márcio Barreto viu uma grande oportunidade e desenvolveu um novo modelo de negócios voltado para esses clientes.
Nos primeiros contatos que Barreto teve com estes clientes percebeu que o trabalho do arquiteto não era visto como supérfluo, mas sim como inacessível. Diante disso, formatou um modelo de negócio e com ele conseguiu acessar o novo mercado. Barreto, graduado em Arquitetura e Urbanismo pela UFBA e aluno de pós graduação em Tecnologia e Gestão de Obras, estruturou a prestação de serviços em dois tipos de pacotes, apresentados no site do escritório (www.arquiteturadobarreto.com).

 

No primeiro, chamado de consultoria, durante duas horas ele vai até o imóvel do cliente e faz um projeto conceitual da ocupação de um cômodo. Ao final das duas horas de consultoria, o arquiteto entrega ao cliente um projeto com imagens em 3D que permite que ele visualize de forma bastante concreta e objetiva como o espaço pode ficar. Para esse serviço, com regras bem claras fornecidas na explicação que antecede a contratação, Barreto cobra 300 reais. No segundo formato, o arquiteto abre a possibilidade de fazer o projeto executivo e atender a outras demandas mais complexas, nesse caso, os valores serão apresentados em uma proposta customizada.

 

O CAU/BA analisou a prestação de serviço feita pelo arquiteto e considerou que não fere nenhuma norma, como destaca Raul Nobre, coordenador da Comissão do Exercício Profissional do CAU/BA, ” vemos com muito interesse o trabalho desenvolvido pelo arquiteto, que encontrou maneira de alcançar segmentos da população que não vêm tendo acesso aos serviços de profissionais regulamentados. Sempre se falou da discrepância entre os números do enorme campo de trabalho da Arquitetura e Urbanismo e o restrito mercado de trabalho propriamente dito. Esse modelo de atuação contribui muito para tornar o mercado de trabalho disponível e acessado por toda a população, com profissionais devidamente capacitados e registrados no Conselho a contribuir para a conquista de um direito fundamental do brasileiro que é a moradia digna.”
COMO COMEÇOU
A ideia surgiu das situações pelas quais Márcio Barreto passou. Situações em que os clientes não fechavam o contrato, mas tinham acesso ao conceito proposto. Depois então executavam a ideia proposta sem que o arquiteto nada recebesse pelo trabalho, ou apenas uma parte do valor. Assim que saiu do escritório em que trabalhava e decidiu abrir seu próprio escritório, visitou algumas das casas do programa Minha Casa, Minha Vida para conversar com os moradores e conhecer as necessidades deles. Para Barreto, o programa em si é muito bom, mas coloca todas as famílias na mesma tipologia de casa, independente das particularidades de cada uma delas, em geral a maior dificuldade encontrada pelos novos moradores costuma ser a dimensão e organização dos móveis.
O TRABALHO DO ARQUITETO
Com a consultoria o arquiteto buscou formatar um serviço que cliente veja como algo que cabe em seu bolso, como diz o slogan do escritório “o projeto dos seus sonhos agora cabe no seu bolso”.

 

“Quando a pessoa me liga é porque ela tem consciência da necessidade e irá fazer o que precisa independente de chamar um arquiteto ou não”, Márcio argumenta que os espaços estão cada vez menores, o que aumenta o desafio de organizar os ambientes. Um diferencial encontrado pelo arquiteto para convencer o cliente da viabilidade do trabalho é tornar mais tangível o projeto por meio da planta em 3D, feita já nas duas horas de consultoria.

 

A entrevista dura em média 30 minutos, em mais 10 é feito o cadastro do ambiente, e em seguida o arquiteto desenvolve o projeto junto com o cliente, dentro do conceito de cocriação. Pela consultoria de 300 reais, o cliente recebe por e-mail as medidas dos objetos e ai já se soluciona um problema tão comum que é a compra de móveis com dimensões inadequadas. A experiência tem mostrado que depois de uma contratação, este novo cliente percebe os benefícios de um espaço bem planejado e retorna com novas demandas, como uma nova laje por exemplo.

 

Fonte: CAU/BA

 

Publicada 24/06/2016

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0 resposta

  1. Gostaria de saber como ele consegue convencer essas pessoas a pagarem 300 reis.

  2. Só não entendi o 3D tão rápido assim….Usa algum programa mágico?

  3. O arquiteto possui algum artigo científico baseado no assunto da matéria ?
    Se sim, é de acesso publico ?

  4. Neste modelo de negócio a RRT também é emitida na consultoria?(ou seja já na elaboração do ambiente em 3d e a entrega da imagem do cômodo) ou somente na elaboração do projeto executivo ou pacotes adicionados?

  5. Eu desenvolvi algo parecido aqui em Bom Retiro, Santa Catarina. Mas faço o projeto completo com um valor reduzido para o MCMV. Além disso dou um suporte para o cliente entrar com as documentações no banco. Depois faço o acompanhamento de obra por um valor menor e ajudo eles a comprarem os materiais pra construção para terem uma boa administração do pouco dinheiro que recebem. Já estou com 260 casas concluídas e nenhuma é igual a outra.

    1. Michelle, gostaria de conversar contigo, pois estou abrindo meu escritório neste mesmo seguimento, aqui no Estado do Espírito Santo e tenho algumas dúvidas.

    2. Parabéns Michelle Abdala,
      Aqui em Manaus temos muitos bairros que cresceram desordenadamente, e que precisa ter um programa de acessibilidade a ao serviços de arquitetura, inclusive eu e mais dois arquitetos iremos iniciar um trabalho que vem oferecer este tipo de assessoria, projetos etc., para esta população mais carente. Iniciaremos com um stand em uma feira do Passo, que acontece no centro de Manaus a cada segundo final de semana do mês.

      Aldo Lucena – Arquiteto e Urbanista

    3. Michelle, bom dia! Tem algum meio que eu possa entrar em contato? Gostaria de saber mais sobre o seu trabalho. Eu sou arquiteta e já tentei em fazer algo parecido, mas colocaram empecilhos para eu desenvolver, como moro agora num estado diferente, não conheço muita gente. Então parei.

  6. quero saber como faço para ter este modelo de plano de negocio ou algo parecido

  7. Eu posso fazer o mesmo aqui em São Paulo então?
    Como faz com a RRT?

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