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Arquiteto japonês Riken Yamamoto é o vencedor do Prêmio Pritzker 2024

 

Riken Yamamoto é o grande vencedor do Prêmio Pritzker de Arquitetura 2024, considerado a maior honraria da profissão. O anúncio do 53º ganhador da premiação aconteceu nesta terça-feira, dia 5 de março, e Yamamoto receberá o prêmio durante a 46ª cerimônia do Prêmio Pritzker, em Chicago, ainda no primeiro semestre deste ano, e dará uma palestra no S.R Crown Hall, no Instituto de Tecnologia de Illinois, no dia 16 de maio.

 

Yamamoto se destaca entre os arquitetos japoneses desafiando a prevalência das casas unifamiliares, defendendo, por outro lado, o projeto de habitações que priorizam elementos comunitários e coletivos. Conhecido por estabelecer uma “relação de parentesco entre os domínios públicos e privado” e “criar como pano de fundo e também destaque para a vida cotidiana”, Riken é o nono arquiteto do Japão a receber a honraria, juntando-se a Arata Isozaki, Shigeru Ban, Kazuyo Sejima, Ryue Nishizawa, Kenzo Tange, Fumihiko Maki, Toyo Ito e Tadao Ando.

 

O júri de um dos mais importantes prêmios de arquitetura do mundo enaltece a contribuição de Yamamoto na construção de “sociedades harmoniosas”, tendo sempre presente a importância da vida em comum. De acordo com o grupo, o reconhecimento foi feito pelas qualidades de talento, visão e compromisso, que produziram persistentemente contribuições significativas para a humanidade e o ambiente construído através da arte da arquitetura.

 

“Riken Yamamoto não é um historiador da arquitetura, mas aprende com o passado e também com diferentes culturas. Como arquiteto, não copia o passado, antes adapta, reutiliza e evolui, mostrando que os fundamentos persistem na sua relevância. Yamamoto expandiu a caixa de ferramentas da profissão tanto para o passado como para o futuro para poder dar a cada vez, em modos e escalas muito diferentes, a resposta mais pertinente aos desafios do ambiente construído e da vida coletiva”.

 

Vida e obra

Riken Yamamoto nasceu em Pequim, China, em 1945, mas mudou-se para Yokohama, Japão, após o fim da Segunda Guerra Mundial. Sua criação foi moldada por uma delicada interação entre os domínios público e privado, já que residia em uma casa inspirada em uma tradicional machiya japonesa. A parte da frente abrigava a farmácia de sua mãe, enquanto a parte de trás funcionava como residência, incutindo nele um apreço precoce pela integração de espaços comunitários e pessoais.

 

Bacharel pela Universidade de Nihon, em 1968, o arquiteto concluiu mestrado na Universidade de Artes, na Faculdade de Arquitetura, em Tóquio, em 1971. Ocupou o cargo de professor no Departamento de Arquitetura da Universidade Kogakuin de 2002 a 2007. Além disso, lecionou na Escola de Pós-Graduação em Arquitetura da Universidade Nacional de Yokohama e na Escola de Pós-Graduação em Engenharia de Nihon. De 2018 a 2022, ocupou o cargo de presidente na Universidade de Arte e Design de Nagoya Zokei e desde 2022 leciona na Universidade de Artes de Tóquio como professor visitante.

 

Ecoms House (2004) – Foto: Shinkenchiku Sha

 

Seu portfólio arquitetônico, caracterizado por um profundo compromisso com o engajamento comunitário e uma percepção aguçada das dinâmicas locais, exemplifica o poder transformador da arquitetura na sociedade. Atendendo às demandas de crianças, adultos e idosos, o trabalho de Yamamoto destaca o impacto profundo que a arquitetura pode ter na vida de indivíduos de todas as faixas etárias.

 

Yamamoto projetou sua própria casa, GAZEBO (Yokohama, Japão, 1986), para invocar a interação com os vizinhos a partir dos terraços e telhados. Hoje, segue sendo um residente ativo de Yokohama, profundamente envolvido na vida comunitária ao lado de seus vizinhos. Seu legado arquitetônico se estende por várias regiões, com obras construídas no Japão, China, Coreia e Suíça.

 

GAZEBO (1986) – Foto: Tomio Ohashi

 

Em 1973, fundou o escritório Riken Yamamoto & Field Shop. Seus primeiros empreendimentos concentraram-se na criação de residências unifamiliares que se fundiam harmoniosamente com seu entorno natural, convidando a interação tanto de hóspedes quanto de transeuntes. Um marco notável em seu portfólio é a Villa Yamakawa (Nagano, Japão, 1977), um projeto envolto por um bosque e intencionalmente exposto em todos os lados para evocar a sensação de um amplo terraço ao ar livre. Sua filosofia de projeto ecoa a crença de que toda moradia possui uma conexão com o ambiente externo, o que reforça a ideia de que os espaços projetados devem contribuir de maneira significativa para a comunidade.

 

Yamakawa Villa (1977) – Foto: Tomio Ohashi

 

Após o terremoto e tsunami de Tōhoku (2011), o arquiteto tomou medidas proativas para atender às necessidades da comunidade e fundou o Local Area Republic Labo, um instituto pioneiro focado em alavancar o design arquitetônico para o engajamento comunitário e esforços de recuperação. Em 2018, reafirmou seu compromisso em fomentar soluções arquitetônicas inovadoras ao inaugurar o Prêmio Local Republic. Este prestigioso reconhecimento celebra os esforços de jovens arquitetos que apresentam ideias visionárias em relação ao futuro da arquitetura.

 

Tianjin Library (2012) – Foto: Riken Yamamoto & Field Shop

 

Em 2011, criou, juntamente com Toyo Ito e Kazuyo Sejima, o HOME-FOR-ALL, uma organização voluntária que trabalha com arquitetos mais jovens na construção de residências para aqueles que perderam suas casas ou empregos no grande terremoto do leste do Japão em março de 2011. Desde o desastre, o custo operacional de administrar essas casas tem se tornado cada vez mais oneroso, assim, a organização decidiu criar uma única ONG guarda-chuva, HOME-FOR-ALL, para apoiar cada projeto.

 

Em 2012, a comunidade arquitetônica recebeu com entusiasmo o lançamento de “Riken Yamamoto – Um Diário de 34 Anos”. O livro narra a jornada criativa de Yamamoto desde a icônica Villa Yamakawa em 1977 até o ano da publicação, oferecendo uma rica coleção de textos, fotografias e esboços selecionados pelo próprio arquiteto.

 

Livro Riken Yamamoto – A Diary of 34 years

 

Recebeu o título de Acadêmico pela Academia Internacional de Arquitetura (2013) entre outras inúmeras distinções ao longo de sua carreira, incluindo o Prêmio do Instituto Japonês de Arquitetos para o Museu de Arte de Yokosuka (2010), o Prêmio de Edifícios Públicos (2004 e 2006), o Good Design Gold Award (2004 e 2005), o Prêmio do Instituto de Arquitetura do Japão (1988 e 2002), o Prêmio da Academia de Artes do Japão (2001) e o Prêmio de Arte Mainichi (1998).

 

Prêmio Pritzker

 O  é concedido anualmente desde 1979 a um profissional vivo, independentemente de sua nacionalidade, cuja obra construída produziu contribuições consistentes e significativas para a humanidade por meio da arte da arquitetura.

 

O arquiteto americano Philip Johnson foi o primeiro arquiteto a ganhar o Prêmio Pritzker. Desde então, arquitetos de 20 países receberam a premiação, dos quais os brasileiros Paulo Mendes da Rocha, em 2006, e Oscar Niemeyer, em 1988. E, apenas seis arquitetas: a falecida Zaha Hadid (2004), Kazuyo Sejima (2010 junto com Ruye Nishizawa), Carme Pigem (2017 junto com Ramón Vilalta e Rafael Aranda), Yvonne Farrell e Shelley McNamara (2020) e Anne Lacaton (2021 al lado de Jean-Philippe Vassal).

 

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(Com informações do site Pritzker e ArchDaily)

 

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