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Arquitetos discutem Olimpíadas e mobilidade urbana no Rio e em Londres

Questões sobre mobilidade urbana dominaram o primeiro painel do seminário “Londres e Rio de Janeiro – Metrópoles Olímpicas em Transformação”, que o British Council, promove em parceria com o IAB-RJ, ao longo de toda esta terça-feira, 3 de fevereiro.

 

Com o tema, “Eventos esportivos globais e mobilidade urbana”, o painel teve a participação do arquiteto inglês John McAslan, responsável pela requalificação, restauração e ampliação da estação de King’s Cross, a “Central do Brasil” de Londres; do diretor executivo da Câmara Metropolitana do Rio de Janeiro, Vicente Loureiro; com mediação da da vice-presidente de administração do IAB-RJ, Fabiana Izaga.

 

McAslan destacou a história da estação, construída em 1852, como uma estação de fretamento. Em 1928, já era usada por cerca de 35 milhões de pessoas, mas era lotada e perigosa. A regeneração promovida para os Jogos Olímpicos de Londres, realizados em 2012, trouxe nova vida ao espaço, que é agora uma estação multimodal, com ligações para diferentes pontos da cidade tanto por trens, como por ônibus e metrô, e também para o interior do país.

 

Do ponto de vista arquitetônico, uma grande cobertura em estrutura metálica uniu o contemporâneo ao prédio histórico – que em 150 anos nunca tinha passado por nenhuma modificação em sua fachada. O saguão foi considerado como o ponto chave do projeto, já que precisava receber de três a quatro vezes mais pessoas do que sua capacidade antes da revitalização. Na parte oeste, salas em que ninguém entrava há quase cem anos foram transformadas em restaurantes e cafés, melhorando a circulação do público.

 

“Projetos olímpicos não criam revitalizações. Londres foi provavelmente o primeiro caso. E a cidade não tinha um histórico de construções bem feitas até os Jogos Olímpicos de 2012. Os projetos demoravam, as obras atrasavam e as construções custavam muito caro. As obras olímpicas foram exemplos extraordinários de projetos. Tivemos um sucesso estrondoso”, afirmou McAslan.

 

Em seguida, Vicente Loureiro centrou sua apresentação na questão da mobilidade urbana da região metropolitana do Rio. “Temos um modelo centro-periferia muito concentrado, que mudou muito pouco nos últimos 70 anos. Isso cria um passivo social, por conta de serviços muito mal distribuídos”, disse ele.

 

Loureiro afirmou ainda que as obras de infraestrutura feitas para os Jogos Olímpicos acabam por reforçar ainda mais esse modelo vigente hoje no país: “Os modais de transporte não têm integração. Linhas de metrô e ônibus têm trajetos muito parecidos, funcionando com uma certa concorrência. Somos a metrópole em que a população gasta, em média, mais tempo para ir de casa ao trabalho. Esse custo é não só de energia, mas ambiental e social. Gastar de quatro a cinco horas todos os dias apenas para trabalhar é insano”.

 

O diretor executivo da Câmara Metropolitana do Rio destacou ainda a importância de se repensar uma melhor forma de atuação da linha 3 do metrô, que deve ligar as cidades de Niterói e São Gonçalo, ambas na região metropolitana. “Ainda há tempo para se discutir o que pode ser feito para que tenha usos mais racionais, e não só ao longo do horário de pico, o que faz com que a implementação da linha seja muito cara”.

 

 

Publicado em 04/02/2015. Fonte: IAB-RJ.

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