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Arquitetos e sociedade civil lançam manifesto pelo uso sustentável da madeira

Em função da consulta pública acerca do Plano de Ação Climática Net Zero 2050 do Estado de São Paulo, o Núcleo da Madeira, associação sem fins lucrativos, lançou um manifesto com o objetivo de incentivar e amparar o uso da madeira na construção civil. “Cumpre a nós, sociedade civil e arquitetos, rompermos o paradigma e herança histórica de práticas insustentáveis em nossos projetos, incompatíveis com as metas para o Net Zero”, defende o documento.

 

O manifesto é uma contribuição ao compromisso assumido pelo Estado de São Paulo de atingir a neutralidade das emissões de gases de efeito estufa até 2050.

 

Leia o documento na íntegra:

 

MANIFESTO
Pelo uso sustentável da madeira na construção civil.

 

O Plano de Ação Climática de SP almeja atingir até o ano 2050 o chamado ‘Net Zero’. A cadeia da construção civil, especialmente pelo uso do concreto e ferro, é um dos maiores emissores de CO2 do planeta, bem como consumidora de energia, água, geradora de resíduos, impacto urbano e outras ações negativamente impactantes. Do total de energia consumida mundialmente, 40% destinam-se à construção civil. Desse valor, aproximadamente 80% concentram-se no beneficiamento, na produção e no transporte de materiais, alguns deles também geradores de emissões que provocam o aquecimento global, chuva ácida e poluição do ar.

 

O IPCC já defende a substituição de materiais e processos na construção civil desde o Protocolo de Quioto, do qual o Brasil é signatário.

 

Algumas das metas desse documento apontam o uso de matérias primas renováveis, especialmente a madeira, pela disponibilidade e evolução tecnológica adquiridas nos últimos 30 anos. São elas:

 

  • gestão sustentável do patrimônio florestal;
  • redução dos desperdícios na exploração da madeira;
  • aproveitamento energético da biomassa a fim de economizar combustíveis fósseis;
  • desenvolvimento do uso da madeira na construção.

 

O Brasil é o país tropical com maior área florestal e potencial de plantio do planeta, com ciclos de colheita curtos, se comparados ao hemisfério Norte. O Brasil tem 16% de seu território com áreas degradadas por mudança de uso do solo, principal componente dos 4% das emissões totais de CO2 do planeta. O Brasil tem apenas 1,7% de seu território com áreas ocupadas por florestas plantadas para uso comercial, majoritariamente destinadas à indústria de celulose e papel.

 

O potencial de plantio nas áreas degradadas, aliado ao conceito de agro florestas com a recuperação de nativas combinada com a exploração de espécies exóticas, pode significar um expressivo aumento na taxa de sequestro de carbono e consequente produção de oxigênio. Esse modelo é favorável à agricultura familiar, com ciclos variáveis de produção e diversidade no uso do solo.

 

Outra importante questão que compõe uma visão integrada da escolha de matérias primas e processos de produção é a análise do Ciclo Completo de Vida do Produto, em que o uso da madeira, desde seu plantio, extração, uso, reaproveitamento ou descarte, é extremamente virtuoso se comparado a qualquer matéria prima em uso corrente.

 

Há um crescimento exponencial do uso de madeira no mundo graças a normas regulatórias baseadas em desempenho dos materiais e um desenvolvimento tecnológico sustentado por princípios ambientais consistentes e cientificamente evidenciados. A legislação evolui rapidamente e tende a uma homogeneização a curto prazo, em função das práticas comerciais globais.

 

O incremento do uso da madeira na construção além de contribuir para o meio ambiente através do sequestro de CO2, meta planetária e não só nacional, é fator de desenvolvimento econômico e social, gerador de empregos, de divisas com a exportação, inclusão de pequenos produtores na cadeia produtiva e como uma possibilidade para diminuir o déficit e substituição de unidades habitacionais da população de baixa renda.

 

Estaremos defasados e ficando para trás mais uma vez se não agirmos em prol de metas e de uma política de incentivos ao uso de matérias primas renováveis, a começar pela madeira que é parte de nossa identidade cultural. Nossas contribuições para a Consulta Pública vão de encontro à estas aspirações e mudanças, necessárias para a evolução de nossa sociedade e economia.

 

Cumpre a nós sociedade civil e arquitetos rompermos o paradigma e herança histórica de práticas insustentáveis em nossos projetos, incompatíveis com as metas para o Net Zero.

 

São Paulo, 16 de setembro de 2021

 

Núcleo da Madeira
www.nucleodamadeira.com.br

 

Fonte: IAB/SP

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