CAU/BR

Arquitetos e urbanistas debatem a criminalização da prática da “reserva técnica”

(Da esquerda para a direita) Mesa-redonda foi composta pelo conselheiro federal Renato Nunes, coordenador-adjunto da Comissão de Ética e Disciplina do CAU/BR; conselheira federal Gislaine Saibro, coordenadora da Comissão de Organização e Administração do CAU/BR; arquiteto e deputado Joaquim Passarinho (PSD-PA); e procurador regional da República Luiz Carlos Gonçalves (Foto: Vinícius Fernandes – CAU/BR)

 

A terceira mesa-redonda do III Seminário Legislativo de Arquitetura e Urbanismo abordou a revisão do Código Penal e a inclusão do crime de corrupção entre particulares. Para a Arquitetura e Urbanismo, esse tema é importante porque diz respeito à prática de “reserva técnica”, nome usado para mascarar o pagamento de comissões e propinas para favorecer a indicação de lojas e fornecedores.

 

“Reserva técnica é uma magnífica expressão de um marqueteiro que pegou propina, jabá ou gorjeta e deu o nome de reserva técnica”, afirmou o conselheiro federal por SP, Renato Nunes. “Vamos batalhar pra transformar isso em uma espécie de crime. Sou contratado pelo cliente por ser capaz de resolver seu problema de construção. Se recebo 10% da loja, deixo de ser fiscal do cliente e passo a ser vendedor. Estou traindo não só a confiança do contratante mas a minha responsabilidade sobre o trabalho que tenho que fazer”.

 

Para Renato Nunes, se o arquiteto ganha comissão da loja, ele deixa de ser fiscal do cliente e passa a ser vendedor
(Foto: Vinícius Fernandes – CAU/BR)

 

O procurador regional da República Luiz Carlos Gonçalves, relator do grupo de juristas que assessorou o Senado na elaboração do anteprojeto do novo Código Penal, destacou que hoje a legislação só prevê a corrupção com a participação de agentes públicos. Na nova proposta, é incluída a corrupção entre particulares. No entendimento do jurista, entretanto, a tipificação não contemplaria a prática da “reserva técnica”, pois se refere apenas à corrupção interna em empresas.

 

“No meu modo de ver, o novo Código Penal contemplaria apenas um arquiteto que trabalhasse numa empresa e, como funcionário, fizesse a provisão de itens em benefício próprio. Seria colocado como crime contra o patrimônio”, explicou o procurador. “Mas se o cliente não foi informado disso, poderia ser identificado como falsidade ideológica”.

 

Luiz Carlos Gonçalves, procurador regional da República da 3ª Região (São Paulo) (Foto: Vinícius Fernandes – CAU/BR)

 

Apesar disso, ele ressaltou que ainda há prazo para incluir a criminalização da prática de comissões recebidas por profissionais da área da construção. “É tempo de levar essas preocupações para os deputados e senadores.”

 

A proposta recebeu apoio imediato do arquiteto e deputado Joaquim Passarinho (PSD-PA). “Podemos sim atender a essa reivindicação, enquadrar essa situação no Código Penal. Talvez se colocarmos as relações entre pessoas físicas ou contratantes e contratados”, disse. “Não é justo essa relação em que nós podemos levar nosso cliente a comprar e contratar algo que sabemos que não é o melhor pra ele.”

 

O conselheiro federal Renato Nunes alertou que muitos jovens que estão na faculdade já estão sendo desde o início impregnados com o pensamento de que essa prática é normal e aceitável. “A reserva técnica está institucionalizada e precisamos quebrar isso. Temos que trabalhar pra incluir de alguma maneira esse tipo de crime no Código Penal”.

 

Gislaine Saibro: “Não podemos associar nossa profissão à palavra corrupção.” (Foto: Vinícius Fernandes – CAU/BR)

 

Gislaine Saibro, conselheira federal pelo RS, lembrou que essa prática já é proibida pelo Código de Ética e Disciplina do CAU/BR. “A preocupação de inserir o recebimento de comissões no Código de Ética se refere à nossa profissão. É um comportamento que está relacionado com a valorização do arquiteto e urbanista”, disse. “Quando falamos desse tema, deveríamos pensar que não podemos associar nossa profissão à palavra corrupção. Tudo que estamos fazendo aqui é dar um grito de alerta”.

 

O deputado Joaquim Passarinho (PSD-PA) destacou que a prática da reserva técnica assemelha-se à comissão que alguns médicos e dentistas recebem para indicar a colocação de próteses e órteses em pacientes. “Achamos isso imoral na Medicina, mas na nossa profissão pode? Não adianta dizer que é transparente. Propina transparente não dá. Se não cobrarmos, o preço cai 10%. É algo bem simples, temos que combater”.

 

Deputado Joaquim Passarinho: Não adianta dizer que é transparente. Propina transparente não dá” (Foto: Vinícius Fernandes – CAU/BR)

 

No debate, surgiram também recomendações para o CAU/BR combater o exercício ilegal da profissão, lutar pela aplicação da tabela de honorários e o exigir o respeito ao salário-minimo profissional.

 

Ao final, o conselheiro federal Renato Nunes se disse orgulhoso do fato do CAU/BR colocar de forma transparente o debate do tema, em pleno Congresso Nacional, sem ter completado ainda seu quarto ano de implantação.

 

A mesa sobre a “reserva técnica” foi a mais debatida do seminário (Foto: Vinícius Fernandes – CAU/BR)

 

 

Publicado em 10/07/2015. Atualizado em 12/07/2015.

89 respostas

  1. Ao meu ver essa proibição de Reserva técnica se dá pelos “dirigentes do CAU” por já estarem num nível mais alto do que a grande maioria dos profissionais da área, independente de como chegaram lá.

    Há arquitetos que nunca cobraram realmente, mas há arquitetos que cobravam antigamente, hoje não cobram mais e são hipócritas o suficiente para vir aqui fazer campanha contra.

  2. … me sentiria bem e melhor representado,por essa entidade, ao fazer de conta,por enquanto em alguns assuntos…q trabalha para classe (SIC SIC SIC)…,quando ela se empenhar. criar regras rígidas e der a mesma importância ,os mesmos fórum,(mesas ,cadeiras ,banquetas etc) as mesmas PUNIÇÕES,os mesmos holofotes ,os mesmos oba obaoba,oba, do assunto?se é que podemos chamar assim… em questão, aos ARQUITETOS que não CUMPREM a tabela de honorário. Debater.esclarecer,divulgar na imprensa escrita e falada a importância da profissão,que humaniza,valoriza(R$) em um todo, o espaço criado e sua devida remuneração.

  3. Vocês. Que defendem rt. São a vergonha da classe profissional. Pedem rt e ainda pedem descontos no orçamento. Esta e a pura realidade. Parece que estudaram mas não tem capacidade de trabalhar. Vocês tem salario. Vivam dele . Honestos vocês não querem ser.

  4. O CAU sempre surpreendendo, com discussões sem sentido. As RTs devem sim existir, nenhum arquiteto é vendedor ou pago para indicar essa ou aquela loja, isso deve fazer parte de uma parceria. O que o CAU deveria se preocupar é com os arquitetos que cobram uma “taxa” por projeto, ou com lojas que fornecem serviços de arquitetura de interiores e não emitem as absurdas RRTs, e também não cobram pra isso, mas não!! o CAU vê mais valor em punir seus registrados porque é mais rentável.
    Quando alguém reclama para o CAU sobre um profissional, vira até manchete, se um profissional não recebe de um cliente…. haha, problema seu amigo, o CAU se omite.

  5. Assim como a colega Anna Beatriz do DF, sou arquiteta e já fui lojista no ramo de materiais de construção. Achava absurdo chegarem arquitetos e decoradores pedindo 10% de comissão, e claro…nunca paguei. Afinal para receber 3 % de comissão como representante de fábrica eu tinha os custos fixos da loja, funcionários, impostos, etc…porque esse pessoal quer 10% assim, só porque “indicou” cliente? A dita RT, pra ser mesmo de “cara lavada” deveria ser muito bem taxada com impostos tanto quanto os honorários que pagamos no IRPJ ou PJ…aí eu queria ver se alguém ia aceitar.

    Para os desesperados em ser “bem sucedidos” justificando a realidade do mercado e outras bobagens, afirmo ser esta uma questão de caráter, pois sempre vivi da profissão desde 1983, de modo honesto, e o fato de nunca ter recebido comissão me rendeu clientes, pois lojistas me contrataram justamente por este viés de conduta ética. Muitos afirmam ficar enojados com tal atitude, mas pagam pra não perder o cliente.

    1. “Para os desesperados em ser “bem sucedidos” justificando a realidade do mercado e outras bobagens…”

      É justamente esse, o ponto: Questão de caráter !

      O “causo” que eu publiquei sobre o ocorrido na Delegacia, ilustra muito bem isso.
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      Hoje em dia, viver da Profissão honestamente, é algo que está “tirando o sono” de muita gente…. rsrsrs
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      Bravo Tereza ! E vamos em frente !
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      Abraço

  6. Não tenho opinião final formada sobre a RT. Mas gostaria de fazer um convite aos colegas de profissão, arquitetos, que são contra o pagamento/ recebimento de RT, que apresentem de alguma maneira à sociedade dados que demonstrem que o recebimento da RT não se faz necessário em seus escritórios. Que andam rigorosamente dentro da lei e que cumprem todas as suas obrigacoes perante o estado e o conselho da categoria :

    – contratam todos os arquitetos com carteira assinada, pelo regime de 8 horas e pagam o salario recomendado pelo conselho/ sindicato;
    – assinam a carteira de seus arquitetos como arquitetos e nao como desenhistas, projetistas, etc.
    – assinam a carteira com salario integral que pagam, alem do 13o, ferias, horas extras,tudo conforme o conselho/ sindicatos recomendam;
    – emitam nota fiscal de todos os serviços prestados, inclusive para seus clientes, nao permitindo assim que seus clientes tenham desconto algum em cima do nao pagamento de impostos;
    – mantenham todos os computadores de seus escritórios com softwares originais, licencas atualizades e programas sempre up to date;
    – emitem todas as RRTs necessarias;
    – sigam rigorosamente a tabela de honorarios, nos calculos de seus servicos.

    Alem disso, seria ótimo também demonstrar a todos que:
    – conseguem ser bem sucedidos, com lucros razoaveis, cumprindo todas as suas obrigacoes legais;
    – mantem funcionários satisfeitos, com um sistema de carreira que ofereça crescimento dentro da empresa;
    – mantem-se atualizados, fazendo cursos, participando de congressos, fazendo viagens de atualizacao, tudo com dinheiro proveniente exclusivamente dos seus trabalhos.

    Acho que se cada um puder mostrar que consegue ter uma carreira bem sucedida, cumprindo rigorosamente a lei e não precisando do montante da RT para sobreviver, conseguiremos estimular a todos a desprezarem esse tipo de pagamento oferecido.

    1. Enquanto isso, na Delegacia….
      .
      Ao ser preso em flagrante por assassinar um Senhor de 46 anos, o marginal se justifica ao Delegado:
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      ” Então Dotô… eu fiquei muito neuvoso quando ele me disse que não podia morrê, porque tinha mulé e quatro fios prá sustentá… e que ainda mais Dotô, ele teve a coragem de falá na minha cara, que saia de casa todo dia prá trabalhá as 5 da manhã e voltava as 10 da noite…daí Dotô,…quando ele disse que poderia me ajudar e conseguir um trabalho honesto pra mim… eu num guentei…foi demais pra mim… acabei com a vida difícil dele”…

  7. Eu tenho uma pergunta: se o cliente sabe e exige que os produtos da obra sejam comprados em lojas em que o arquiteto ganhe comisão. Isso seria crime também?

    1. Prezada Paula
      .
      No caso do Cliente ter conhecimento (e aceitar “numa buena”) a prática da RT, apenas não estaria caracterizado o crime de Falsidade ideológica por parte do Profissional.
      .
      Entretanto, esse fato não faz dessa modalidade, (denominada “Propina Transparente”) uma prática lícita.
      .Ao contrário, ela alimenta a Concorrência Desleal no mercado de trabalho e ainda, com a conivência do Cliente.

    2. Bravo Gilberto!!!Propina é propina,não existe propina com ou sem consentimento. “O errado é errado mesmo que todos estejam fazendo. O certo é certo mesmo que ninguém esteja fazendo.”

    3. Provaria somente que o cliente é um idiota:
      O valor da RT está sempre incluído no preço que ele paga no produto comprado. Sem RT o preço final diminuiria substancialmente, uma vez sobre o seu valor devem ser acrescidos os impostos diretos e indiretos pagos sobre o faturamento da loja. Caso a RT seja paga sem nota, ficaria ainda mais caro, uma vez que o seu valor seria tributado também como lucro ou o lojista precisaria “comprar” nota para camuflar o valor não declarado.

    4. Sem falar que muitos que recebem propina, cobram um valor muito menor pelos projetos, porque sabem que vão recuperar na pra mim “vendas de materiais”. Se não tem competência pra exercer a profissão vendendo o trabalho principal de um arquiteto que são projetos, então busque alternativa direta e que se enquadra no grande leque da nossa profissão, e vá ser vendedor nas distribuidoras destes produtos, simples assim. Eu estudei 5 anos, ES-TU-DEI, e ainda estudo, segunda especialização, sinto muito por esses e outros.

  8. Não podemos esquecer também que precisa ser regulamentado é o fato das lojas oferecerem projetos DE GRAÇA .
    Isso é fazer a pulverização do trabalho do arquiteto .

    1. É verdade Ingrid.
      .
      E em muitos casos, os Projetos são elaborados por estagiários…ou pessoas sem a habilitação legal para o exercício da Profissão.

  9. Mudei minga opinião sobre esse tema faz pouco tempo qdo tive empresa e tive de empreender para sobreviver no comércio . Explico melhor : Não vejo porque apenas os arquitetos tem de ser punidos por algo que o mercado e os decoradores institucionalizaram nacionalmente faz mais de 25 anos . . Em geral o preço não muda para o cliente pois já está computado nos custos das empresas.Porém existem arquitetos que exigem sobre preço bem maior, o que acho imjusto com o cliente e com os empresários que tanto lutam para sobreviver e quem precisa desse tipo de parceiro ? Cabe a empresa se posicionar . O que o empresário faz com seu custo empreendendo e premianfo os profissionais parceiros não compete a CAU regulamentar.
    Outro ponto a ser considerado, nós temos muito mais postos que os decoradores de interior para pagarmos e com essa diferença nosso custo aumenta fazendo com que a concorrência seja desleal e desvantajosa para os arquitetos que se dedicam a esse serviço visto que jamais poderão repassar seus custos e não perder mercado.
    A RT reforça sim o orçamento e precisamos delas, não sejamos arrogantes e burocratas.
    Outro detalhe que deve ser considerado :- que a negociação com o cliente seja transparente e honesta ( % ganhos c os valores em RT , e q estes não alteram os descontos fornecidos pelos comerciantes) deveria ser evidente , pois isso sim é ético. A confiança gera fidelização . O arquiteto ou decorador que levar seu cliente apenas em lojas caras deve garantir que esse não se sinta abusado, pois quer que este retorne com mais trabalhos. E ainda o indique …

    1. Quis dizer: minha opinião mudou / e muito mais impostos .

    2. O preço dos produtos muda sim! Como você disse esse valor de 10 a 15% já está incluído porque as lojas já sabem que terão que pagar RT, ou seja, os produtos poderiam ser de 10 a 15% mais baratos se a RT não tivesse que ser contemplada no valor final.

    3. A Cau deveria estar mais preocupada é com Condominios e clientes que continuam executando obra com os curiosos ditos pedreiros,ladrilheiros sem observar as normas a que está sujeita a construção civil.
      Hoje competimos como nossos próprios funcionários aliciados pelos clientes em busca de preços ” mais em conta” e o barato está saindo caro para nós!!
      Existem lojas que não dão desconto para o cliente e nem RT para os arquitetos e nem por isso deixo de indicar , existem lojas que dão desconto e cobro o desconto do arquiteto repassando para o cliente e existe cliente que nos levam nas lojas e exigem que a RT seja paga em dinheiro para eles próprios.Surreal !

  10. Sobre o caso em questão, reconheço que a RT é caminho aberto para a corrupção, especialmente quando o profissional quer impor uma loja ou produto ao cliente com a RT embutida ocultamente. Porém, quando um cliente solicita uma indicação acho justo o profissional receber uma comissão pela mesma, desde que deixe isso claro ao cliente, visto que a partir do momento que você indica alguém ou um produto você se torna solidário pelos erros e acertos da indicação. Seria uma espécie de assessoria/intermediação existente em vários ramos profissionais. Quantas vezes já indiquei gentilmente uma empresa, profissional ou produto para um cliente e tempos depois esse cliente veio reclamar comigo como se eu fosse culpado pelo não êxito da indicação. Ora, se tenho responsabilidade pelas indicações que faço, é justo que seja remunerado por isso, para que tenha condições de cobrar e monitorar quem indico, já que é meu nome que está em jogo. Além disso, as indicações que faço são técnicas, com base em conhecimento adquirido ao longo do tempo e isso tem algum valor. É uma questão que não deveria ser tratada de forma tão simplista. Se a RT for esclarecida ao cliente e o mesmo concordar, não deveria ser crime.

  11. prezados colegas, como diz o ditado: vamos devagar com o andor que o santo é de barro. tomem cuidado!!!!!! fui por muitos anos filiado ao crea e nunca vi o crea olhar para o lado do profissional e não acredito que com o cau será diferente….

  12. Boa tarde, gostaria de colocar minha opinião sobre a RT, sou contra, porém a posição do CAU em relação a isso, não atacar o mau pela raiz, primeiramente deveríamos valorizar nossa profissão, pois hoje tão difícil cobra pelo nossos honorários, pois todo e qualquer pessoa faz projetos e cobra um miséria, quando não dá de graça, quanto às lojas as mesmas na maioria tem estagiários fazendo projetos e designers tecnólogos, muitos vezes fui procurada pra fazer projeto de iluminação e gesso, pois a loja já tinha feito o projeto de interiores sem cobrar por isso somente para vender, agora eu pergunto ao Cau, é legal isso? Deixar que qualquer pessoa faça projeto pra vender, sem arquiteto? Não poderia ser Crime?. Acho sim que o Cau deveria acupar sem tempo em nos defender, pois todo o projeto de faço tenho que registrar e pagar, me pergunto se um médico que emite um receita ele tem que pagar ao conselho?, ou mesmo o personal trainer paga a aula que dar ao conselho?., então não temos nem uma sede própria, só podemos ser atendidos na parte da tarde., pagamos por todo projeto que assinamos e ainda Temos que concorrer com qualquer um que se diz decorador, me poupe!!! Vamos cobrar é pra criarmos um lei para obrigar a todas as lojas a somente atender clientes com projetos. Isso sim!! Vamos lutar para isso!!

    1. Cara Silvia,
      .
      A banalização de Projetos de Arquitetura, ( principalmente de Interiores ), realmente é o que nos leva à essa situação difícil.
      .No entanto, não defendo a tese de que isso justifique a prática de meios desleais para se obter compensações financeiras junto à terceiros que confiam na nossa experiência e honestidade.
      .
      Acredito que nós é que devemos cortar o mal pela raiz.
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      Por outro lado, também tenho em mente que quando o Arquiteto apresenta aos seu Clientes honorários compatíveis com um trabalho ou prestação de serviço no mínimo de ótima qualidade, certamente não se sentirá onerado por ter que pagar ao Conselho, uma simples taxa de R.R.T.
      .
      A valorização da nossa Profissão, depende da postura de cada um de nós, perante à Sociedade.
      .
      Boa sorte !

    2. Boa tarde Gilberto taccoline pela resposta, porém não responde minhas considerações,tudo isso é redundante, já é crime receber propina, isso com certeza já acontece em outras profissões, precisamos brigar por valorizar quem valoriza a profissão e não criminalizar quem ta errado, isso cabe a cada cidadão pois leis existe até demais, então vamos lutar e por maiores leis que obriguem as pessoas, que dizer concientize as pessoas da importante do arquiteto e valorizem nosso trabalho, assim como as pessoas valorizam os advogados, só podem da entrada em qualquer coisa jurídica na presença de um!! Então é isso que temos que fazer, Cobra das autorizadas como prefeituras, não há fiscalização no estado, regras que incluam mais a nossa presença!! Só acusar não basta!! Tem que valorizar o que ta certo não o criminalizar o errado.

    3. Cara Silvia
      .
      Eu bem que tentei, mas confesso que tive dificuldades em compreender as suas considerações.

      .” Leis que concientize as pessoas da importante do arquiteto e valorizem nosso trabalho ” … ??????? o que é isso ???
      .
      De qualquer forma, vou te contar um “segredo”…
      .
      Os Médicos e os Advogados são respeitados e valorizados, porque E.L.E.S se valorizam e E.L.E.S adotam perante à Sociedade, posturas Profissionais e não amadoras como muitos de nossos colegas.

      . Você já viu alguém pechinchar o valor de uma Consulta com o Médico ?

      . Então, por que entregar aos Clientes, projetos a honorários desleais e buscar uma compensação na base da propina ??? Isso é ser Profissional ????
      .
      Pense nisso.
      .
      Boa Sorte !

    4. Vejo que vc está cheio de interrogações em relação ao assunto, logo vemos que é um caso bem complexos

  13. Entendo que o exercício profissional da arquitetura, como o de qualquer outra profissão, sempre é necessário além do aprofundamento nos conceitos da própria profissão, conhecer tb tecnicamente os produtos que as envolvem ( que não são poucos), as novas tecnologias, materiais etc… É inerente a profissão e ao profissional a sua constante atualização, não tenho dúvidas sobre isso.
    A RT é uma praga!! …proporciona redução de preço de projetos para aqueles profissionais que contam com ela para complemento do preço do seu projeto, interferindo nos que não aceitam essa prática. Induzem ao cliente aonde comprar ( aonde tem RT) que nem sempre é o melhor, cria um mercado “sujo”, que, de forma alguma deveria estar se enraizando na arquitetura. Enfim um atraso profissional, sob todos os ângulos. Para mim não há o que contestar…deve ser abolida para salvar a qualidade dos projetos e da arquitetura.

    1. Concordo, épraga mesmo, eu como profissional escuto absurdo sobre a classe, uma delas que arquiteto é vendedor de luxo e mercenários, ´pior, que indica empresas que pagam melhor, e não sacaneiam com RT, que visam lucro próprio, antes do cliente, e sinceramente, vejo muito isso, colegas dizendo q não indicam empresas X ou Y mais por que não pagam direito suas RTs, ai como queremos ser respeitados?? para começar, tem pessoas fazendo arquitetura já pensando no ganho “mais fácil”, dizendo adorar decoração, bem a finalidade de uma faculdade de arquitetura não é decoração, acho que está tudo errado.

  14. Pergunto aos profissionais que condenam a RT se eles aceitam convites para participar de eventos (coquetéis, etc…) promovidos por alguma loja ou fornecedor? Se é para ser tão radical assim então eventos dessa natureza também deve ser visto como crime.

    1. O que está em discussão, não é a participação de Arquitetos em eventos…não há nada de ilegal nisso.
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      O que é ser ” tão radical assim ” ???? Dizer NÃO à corrupção???

  15. Quando o Profissional se coloca no lugar do Cliente, ele percebe com facilidade como a prática da R.T é nociva para quem o contratou.
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    Como se sentem os defensores da R.T, no momento em que estão diante de um Médico que diz:
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    “Essas cápsulas que eu estou lhe receitando, só podem ser compradas naquela Farmácia de Manipulação do outro lado da rua”.
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    Vamos lutar pelo enquadramento no Código penal sim !!!

  16. Estou de acordo com o texto acima, nos profissionais somos tentados a todo momento a receber a reserva técnica de empresas que na verdade estão tentando nos corromper com proposta de Reserva Técnica. Devemos sim e cobrar pelo trabalho que estamos desenvolvendo e cobrar bem por isso para pois aqueles que pagam a bendita reserva esta sim se aproveitando so seu cliente e o que é pior aproveitando da confiança que nossos clientes depositam em nosso trabalho e assim clientes acabam pagando ate bem mais do que o valor real de mercado mesmo descontando essa propina que nos é proposta. Tenho a politica de indicar empresas que atendem e entregam em dia os pedidos ali comprados, onde existe o bom atendimento e oferecem produtos de qualidade, e nas empresas que tem a politica de pagamento de RT faço questão de deixar claro que repassem aos clientes o valor da RT como parte de desconto sobre a compra. Esta postura me trouxe muitos frutos pois adquirimos a confiança de nossos clientes e credibilidade no comercio em geral.

  17. ALTO LÁ!!!
    estamos falando de uma mudança de postura e comportamento
    Profissional. creio que Não precisamos tratar de uma parcela significativa de profissionais, colegas arquitetos, como criminosos que recebem ” jabá ou gorjeta”.
    podemos discutir este assunto com o mínimo de respeito.
    temos que ter cuidado em uma profissão tão desvalorizada como a arquitetura. para que o Arquiteto alem de ser visto como um provisional dispensável, que pose ser subsistido por engenheiro, designer ou afins, e agora, corrupto e ladrão! Pior, avalizado pelo CAU!
    CUIDADO CARO COLEGAS. MUITO CUIDADO.

    PS.: espero que esta mensagem passe pela censura do nosso conselho

    1. Prezada Márcia, como se pode observar pela pluralidade de comentários publicados em todas as reportagens do site, não existe censura às opiniões de quem quer que seja. O objetivo deste espaço é justamente fomentar o debate. A moderação de comentários é necessária para que não sejam publicadas ofensas, palavrões e injúrias que possam afetar a terceiros. Participe, vc sempre será bem-vinda!

  18. Acho a discussão completamente válida, porém, todos esquecem de uma questão. O CAU deve buscar defender os interesses de uma classe – os ARQUITETOS. Primeiramente, Me causa muita indignação um dirigente desta instituição acusar de forma tão pejorativa, colegas que deveria defender. Estamos discutindo, e não acusando, sobretudo se a questão não está regulamentada e juristas questionam a constitucionalidade, ou não. “Postura é bom senhores!!! Respeiro é fundamental!”

    Segundo ponto, acho que todos concordamos que no tocante à Arquitetura de Edificações, a situação é bem mais tranquila e contornável.

    Terceiro ponto e primordial, O CAU deve defender e garantir o exercício profissional do ARQUITETO. Bem, precisamos saber quando o CAU vai abraçar de verdade o exercício da ARQUITETURA DE INTERIORES. Abraçar significa entender a realidade profissional, compreender os fatores envolvidos e defender o mercado. A realidade do profissional que exerce a ARQUITETURA DE INTERIORES é bem distinta da de quem trabalha com outros meandros da Arquitetura, como muito bem citou nosso colega JOÃO GRILLO. Fora alguns meandros que ele bem levantou, temos uma concorrência direta com profissionais que não têm Conselhos como os designers, ou com muitos profissionais que nem curso superior tem. Aí, entra a tarefa do CAU, informar à Sociedade qual o motivo de contratar um ARQUITETO,não um AUTO DIDATA. Como o CAU procura valorizar perante à sociedade a profissão. Essa tarefa o CAU deixa para o mercado e para os próprios profissionais. No momento em que o mercado, e dentro dele os arquitetos, conseguem estabelecer formas de criar uma concorrência mais leal, o CAU, tenta intervir no SINTOMA, mas, não na DOENÇA.

    O que estamos discutindo é: A SOCIEDADE SABE DIFERENCIAR O ARQUITETO DE INTERIORES DE UM AUTODIDATA? O CAU faz o que nesse sentido? Qual a Diferença entre um ARQUITETO DE INTERIORES e um DESIGNER DE INTERIORES? O que o CAU faz para que a Sociedade tenha consciência da diferença de trabalho e decida por contratar um ARQUITETO?

    Sou brutalmente contra o recebimento de RT, mas, a criminalização do Recebimento da RT, simplesmente, tirará o potencial de competitividade dos profissionais de ARQUITETURA.

    PORTANTO SENHORES, ESSA QUESTÃO EXPÕE MAIS UMA QUESTÃO QUE HÁ MUITO EXISTE DENTRO DE NOSSA PROFISSÃO: A NOBREZA DA ARQUITETURA X O DESPREZO PELA ARQUITETURA DE INTERIORES – chamada por muitos colegas de decoração. Quem está tentando entender a lógica desse negócio que é exercida por um percentual expressivo de profissionais dentro deste Concelho?

    PRUDÊNCIA E RESPEITO SENHORES!!!

  19. Pessoalmente, não vejo problema em haver um acordo de cavalheiros entre lojistas e arquitetos. Se o produto tem qualidade, atende bem ao projeto e o preço final é o mesmo para o cliente, qual o problema?
    “Ah, mas com RT o cliente está pagando 10% mais caro pelo produto”. Ótimo, para isto existe concorrência. Se outro cobrar 10% a menos por um produto igual ou muito similar, onde vocês acham que o cliente vai comprar?
    A raiz do problema não está na cobrança ou não de RT. Está na baixa remuneração por projetos e acompanhamentos técnicos, e na falta de ética de alguns pseudo-profissionais. Se o arquiteto fosse realmente bem remunerado, naturalmente as lojas deixariam de adotar a prática com medo de se queimar no mercado.
    Pessoalmente, acho que o CAU deveria focar esforços na fiscalização ao invés de tentar baixar mais uma lei na nossa cabeça.

  20. Vocês conhecem a realidade do mercado de arquitetura??? Não parece… Não há interesse que o arquiteto saia queimado em especificar algo sem qualidade de uma loja específica apenas para ganhar a RT… Entendo que é uma via de mão dupla, uma vez que a loja fecha a venda, sem esforço, através da indicação do profissional. E que fiquei claro que o cliente é LIVRE para escolher onde quer fazer suas compras, e na maioria desses casos, são locais menores e que não se valem dessa prática. Mas também entendo que o governo não se conforma em não ter gerência sobre o montante dessa RT… Me pergunto aqui… CAU, IAB e Sindicato estão mesmo a favor do profissional??? Não parece!!!! Por que a porrada está vindo de TODOS os lados. Não estão evoluindo, estão retrocedendo!!!!!!!

  21. Até que enfim se toma uma providência! Nos meus mais de 30 anos de formada sempre né senti avistada ao me oferecerem a tal ‘reserva técnica’! Sempre considerei que a liberdade de escolha da especificação está acima de qualquer valor que eu recebe por isto, e sempre deixei claro ao meu cliente queccobrava uma taxa de administração, quando fosse o caso. Em geral, pediacque fosse repassado ao cliente como desconto qualquer valor que a loja,se dispusesse a ma me oferecer. É uma forma de valorização do próprio trabalho, inclusive. Apesar disto, sempre me senti um alien, pois sempre todo mundo considerou tão normal receber por especificar…Espero que está lei prospere, porque não adianta nada se escandalizar com a corrupção no meio político se na vida privada se faz o mesmo!

  22. Minha opinião é a seguinte:

    Não vejo problema de um profissional receber uma comissão, acho errado, o profissional receber sem o cliente saber, isso sim é antiético. O cara vai lá na surdina e pega essa grana.

    Defendo que se coloque claramente no contrato que o arquiteto terá livre direito de receber a RT dos fornecedores do projeto, se assim a loja oferecer a comissão.

    Clareza no contrato e ciência do cliente sobre a RT. O que não pode é ficar pegando comissão oculta.

    o Ideal é que o Arquiteto receba pelo seu projeto sempre, mais se for para oficializar RT, que seja contratualmente , deixando claro se o arquiteto receberá ou não RT.

  23. Estou muito feliz de ver esta discussão acontecendo…
    Não devemos indicar porque estamos recebendo, não somos representantes,somos técnicos e artistas que acreditam no que fazem. Enquanto esta prática estive no mercado livremente, nunca conseguiremos cobrar e receber com dignidade.Nossa especificação deve ser cada dia mais aperfeiçoada e compatível com cada obra. Podemos ter nosso fornecedores preferidos, a partir da qualidade do trabalho realizado e não porque pagam algo.Mesmo tendo as preferências, que é natural, não podemos agir de forma irracional. É preciso trazer estes esclarecimentos para a maioria dos arquitetos e sociedade.

  24. Ética é um assunto que independe de regulamentação. Se pessoa foi bem criada, com exemplos dos pais, vai sempre agir honestamente, não se deixando corromper pelo “vil metal”. O dinheiro é necessário mas não a coisa mais importante, pelo qual devemos “vender a alma pro diabo”.
    Creio que, se estou trabalhando para alguém, essa pessoa é “meu patrão” naquele período e devo defender seus interesses enquanto isso. Se recebo alguma vantagem de fornecedores fico “acendendo uma vela para Deus e outra para o diabo”. Essa prática, vai aos poucos, banalizando os profissionais, colocando-os todos no mesmo saco.

  25. Como coordenador da Comissão de Ética e Disciplina do CAUBR, considero um absurdo ,que pode ser interpretado como demagógico , se pretender criminalizar a reserva técnica . O caso é de falta ética nunca de crime tipificado . Se eu estivesse compondo a mesa do debate, para a qual não fui convidado, com certeza teria me posicionado a favor do projeto de revisão do Código Penal que trata da corrupção no relacionamento entre empresas . Nada haver com a pratica de receber comissão de venda. A falta ética diz respeito à quebra de confiança entre o arquiteto e seu contratante. Espero que este informativo veicule a minha opinião
    …Afinal eu falo pela coordenação da Comissão de Ética e Disciplina do CAUBR.

    1. Prezado Napoleão, como eu, simples arquiteto de interiores, estou impotente perante a discussão. Conto ser representado por você. Penso que outros, principalmente ARQUITETOS DE INTERIORES, possam opinar e serem representados.Compartilho com sua posição.

  26. Boa noite a todos. Como Arquiteta de Interiores, gostaria de saber como podemos participar ativamente dessas discussões. Entendo que os profissionais que trabalham nessa área deveriam ser ouvidos de forma mais expressiva antes que a lei seja aprovada. Desde já agradeço pela atenção.

  27. Sou arquiteto, formado pela UFMG, trabalho como arquiteto de interiores. Penso que o CAU deva discutir melhor esse assunto com seus conselheiros, com os arquitetos e urbanistas e os arquitetos de interiores. Quero poder discutir esse assunto com os arquitetos de interiores do CAU-MG.

  28. Achei um absurdo o meu comentário não ter sido publicado .Será porque fui contra essa decisão da Cau ? Opinião é um livre arbítrio do cidadão não acha ? E ela por mais que não agrade a classe , deveria estar conjuntamente com as outras democraticamente.Sou profissional Designer – Decoradora a 20 manos e vejo aqui muita rivalidade e preconceito com a nossa classe .

  29. acho que o CAU precisa ter cautela porque corre o risco de prejudicar principalmente os recém formados uma vez que muitos serviços de interiores são executados por profissionais diversos, MENOS ARQUITETO. eu com mais de trinta anos entre obra e escritório nunca tive nem informação que alguém tenha sido notificado pelo CREA e nem pelo atual CAU por falta de profissional habilitado em acabamentos de forma geral. eu ja fiz denuncias ao CAU por essa razão e tudo não passou de uma simples denuncia ou seja, tempo perdido…e com isso quem também deixa de arrecadar é o próprio CAU pela falta de RRT.

    1. Desculpa a colega,mas a condição de recém formado não é desculpa para se corromper. Oferte o melhor valor para seu trabalho e se o vendedor lhe ofertar a tal da RT, transfira este benefício ao seu cliente fale para ele que a oferta da propina você dirige como desconto e com certeza irá reconhecer seu caráter e profissionalismo, pois este cliente irá divulgar o seu nome. Não se venda colega

    2. preste atenção….que demagogia…..barata….eu pagaria pra ver essa sua atitude.

  30. Em tempos atuais “bicudos”, convém aprofundar também um segundo item da atuação obrigatória de nossas entidades que trata da questão da fiscalização de atividade profissional.Entretanto ainda justificamos o que está por vir. Em alguns Estados não há nem sombra de promessa que haverá fiscalização atuante e continuada.

  31. Sou da opinião que, além de tabela para cobrança de projeto de obras novas, deveria haver uma tabela para Projeto de Reforma e/ou Arquitetura de Interiores, com PERCENTUAIS MAIS ELEVADOS, uma vez que é muito mais trabalhoso, pois parte-se da análise e limitações de algo pré-existente – o que não raro exige a assistência de calculista ou engenheiro de instalações, a qual precisamos arcar. NESTA TABELA poderia, então, ser contemplado UM PERCENTUAL, A SER COBRADO DIRETAMENTE DO CLIENTE, SOBRE O VALOR DA MERCADORIA ESCOLHIDA COM A ASSESSORIA DO ARQUITETO E/OU HORA TÉCNICA. Quanto ao tema direto da discussão, como toda lei, sem controle não funciona. Se não houver um consenso junto aos decoradores, relacionado a mesma ética, como controlar o mercado para que questione o pagamento de “RT” igualmente a ambos os profissionais?

  32. Hoje para ganhar 10./. De lucro, está muito longe da realidade, muitos lojistas estão empatando para não deixar de ter giro, os arquitetos obrigam os lojistas a pagar, e não aceitam negociar, muitas vezes aparem na obra depois do cliente ter fechado o pedido direto com o lojista e mesmo sem participar exige de forma até grosseira a Rt. Caso contrario te queima na obra! Parabéns pela atitude ! Acho que a categoria será muito mais valorizada!

  33. Trabalhei em uma empresa como vendedor, depois supervisor e gerente de loja. Prefiro não citar o nome da empresa, mas ela é hoje uma das mais conceituadas do mercado brasileiro, presente em vários estados. Nela a Reserva técnica é menor que a praticada no mercado, podendo ser resgatada em produtos com um percentual maior, ou em dinheiro, mas o fato, é, que nesta empresa a reserva jamais saia do bolso do consumidor, o cliente sem arquiteto, sem decorador, ou com arquiteto, designer pagavam o mesmo preço. Não havia a prática de desconto, porque o cliente estava sem o acompanhamento de um profissional.
    É essa ética que deveria ser colocada em prática.
    Hoje quando indico um cliente em uma determinada loja do segmento, e sei que o desconto dele poderá ser maior abrindo mão da minha RT. Não penso duas vezes, digo logo ao vendedor, que conceda todo o desconto possível. No entanto, entendo que esta prática de “agradar” o profissional, pode ser sadia, se praticada com ética, transparência e responsabilidade.

    1. Odirley, não concordo que essa pratica possa ser sadia. Nada mais é do que uma propina.

      Grandes empresas podem até ter essa pratica de não dar desconto e embolsar o valor destinado a RT não repassadas, mas com certeza esse valor já foi agregado ao valor final, pois o comerciante não pode arcar com prejuízos sobre vendas.

      Tb desejo ressaltar que os 10% sobre o valor final não é sobre o lucro é sobre o custo + lucro, ou seja é muito mais que 10% para o comerciante.

      Por fim acredito que, essa pratica inviabiliza a justa concorrência. Pois por mais que o produto de uma pequena loja seja ótimo, sempre os arquitetos mais atuantes vão dar preferencia a grandes lojas que oferecem viagens e carros novos como premiação.

  34. Esse debate vai muito além de proibir e não proibir, pois nós arquitetos temos o CAU para nos ajudar a implantar a proibição, e os Designer e Decoradores, que hoje no mercado atual concorrem muitas vezes de maneira desleal conosco, dando projetos sem nenhum custo para obter somente a RT.
    No meio da construção civil é mais fácil de trabalhar, mas quando se remete a Arquitetura de Interiores, o mercado é corruptível, já tive situação de pedir para tirar a minha reserva e com menos de uma semana recebi um cheque em meu escritório, de fato, não sou contra a reserva, desde que o cliente seja ciente disso, pois é o que eu faço, pois se eu for cobrar o preço justo por isso, cliente nenhum irá fechar comigo! Então fica muito complicado se posicionar diante disso, principalmente por ser algo que já está encarnado em nosso meio!

    1. Com a regulamentação da profissão de designer de interiores como fica essa restrição de atributo a arquitetura de interiores?

    2. Prezado CAU, o pior cego é aquele que não quer ver. Mais cedo ou mais tarde os designers serão regulamentados e ficaremos nessa briga ridícula, enquanto a ABD vai ficar milionária de tanta arrecadação. Afinal design de interiores admite nível técnico e tecnólogo além do bacharel, o que deve ultrapassar absurdamente a quantidade de arquitetos no Brasil. Ou seja, logo serão uma categoria muito mais forte que a nossa. O CAU deveria era trazer os designer para dentro do nosso conselho. Ficaria muito mais fácil regular os limites de atuação e o CAU poderia crescer muito com o tanto de contribuintes que teria. Mas não. Preferimos ficar com o ego lá em cima e achar que só a nossa profissão cumpre este papel na sociedade.

  35. parabéns ao CAU pela iniciativa, dizem que o mal se mata pela raiz, sendo assim, quero ver o CAU começar la em brasília.

  36. Deixo claro em cláusula de contrato que a maioria das lojas em SP bonificam os arquitetos de diversas maneiras e que isso compõe a remuneração do meu trabalho. Concordo com o Marco Cruz que propina é algo diferente, pois nos ocupamos da compra, da entrega e instalação dos produtos e para receber as RTs muitas vezes emitimos NF e pagamos impostos.

  37. Existem focos muito mais importantes a discutir do que o tema para penalizar TR como crime. Considero que não é pelos 10% mais ou menos, mas pelo trabalho de garantir ao cliente o melhor produto estudado e atualizado para atender o projeto e obra. Veja quanto aprendemos com eles… Sabemos disso. Nenhuma graduação habilita tanto assim. Nos aperfeiçoamos no mercado onde se dão trocas.
    A RT é algo que deve nunca corromper a quem não se corrompe, pois quem é corrompível já nasce no sangue. Quando contactamos fornecedores temos uma atualização de produtos, tecnologias e serviços, e isso significa aperfeiçoamento que deve sim, ter um retorno, seja financeiro ou não! Entendo ser muito mais importante que o CAU venha fiscalizar as Instituições do Governo que desqualificam seus Arquitetos Urbanistas quando se criam as licitações para Projetos e Obras. Isso sim é GRAVE!!!

  38. Pensei que jamais veria esta discussão acontecer publicamente como agora. A meu ver, finalmente a tal da “reserva técnica” que é não mais do que um sinônimo de roubo, falcatrua, corrupção, e todas as demais denominações desta tipo de prática espúria. Temos agora a oportunidade de pô-la em evidência como crime. Até então, comunidade profissional dos arquitetos e suas instituições representativas finge que não vê este fator como ingrediente fundamental do desrespeito pelo profissional.
    Já ouvi mais de uma vez: “Por que pagar os honorários que você me pede por uma simples ideia se o fulano de tal faz o projeto de graça para mim…? Não pensem que este tipo de cliente não sabe da existência da prática da “reserva técnica”. Eles sabem e aceitam…! No mínimo todos perdemos em todos os sentidos com isso, principalmente no que diz respeito a ética do exercício profissional. É preciso interromper drasticamente esta prática criminalizando-a radicalmente.

  39. Se o valor já está agregado ao produto, não difere muito das Empreiteiras que agregam o valor da propina na obra.
    Cobrar pelo serviço é valorizar o trabalho, receber comissões de lojas não é o trabalho, é um “a mais” que fere o relacionamento leal do cliente com o profissional – pra mim é errado.

  40. ESTA QUESTÃO DE RESERVA TÉCNICA, NÃO É SÓ DE ARQUITETOS NO RAMO DA DECORAÇÃO. NA CONSTRUÇÃO CIVIL, ATINGE VALORES BEM MAIORES POR PARTE DE ENGENHEIROS CIVIS AO REALIZAREM CONTRATOS DE COMPRA DE MATERIAL PARA OBRAS QUE GERENCIAM. É CLARO NÃO SAI DO BOLSO DELES E SIM DO BOLSO DO DONO DA FIRMA, QUE OS COLOCAM PARA GERENCIAR,OU SEJA DIMINUIR CUSTOS PARA O PROPRIETÁRIO, E É CLARO COM ESSA PRÁTICA NÃO ACONTECE. OS PROFISSIONAIS EM POSIÇÃO DE COMANDO QUANDO NÃO SÃO OS PRÓPRIOS DONOS SÃO SISTEMATICAMENTE PROVOCADOS PELOS VENDEDORES QUE BUSCAM REPASSAR SEUS PRODUTOS ATRAVÉS DA FIGURA DOS “SÓCIOS OCULTOS” DENTRO DAS FIRMAS.PORTANTO PARABÉNS PELA INICIATIVA DE CRIMINALIZAR.

  41. tudo muito questionável….será que o cau vai fiscalizar as rts dos designers, decoradores e outros mais? ou so querem acertar os arquitetos ao invés de protegê-los? deveriam é procurar um meio de punir é quem paga pelas rts ou seja, o brasil inteiro em quase todos os segmentos de mercado.

    1. Sua lógica é semelhante a de quem defende partido político. O fato do PMDB roubar justifica o roubo do PT e vice e versa…. Fácil chamar todos de corruptos … Difícil é assumir a responsabilidade pelas próprias escolhas e pelas propinas que aceita.

    2. prezada roberta, desculpe-me se expressei mal, tentei citar que se o CAU agir dessa forma os arquitetos ficarão reconhecidos como corruptos e os outros além dos arquitetos que recebem a tal RT ficarão e continuarão protegidos. penso que o mais importante é que no contrato de trabalho entre arquiteto e cliente tenha uma cláusula onde o proprietário tenha liberdade para indicar qual o fornecedor de sua preferencia daí cabe ao arquiteto ficar com a responsabilidade de indicar o produto e não o fornecedor.

  42. Algumas empresas pagam na forma de prêmios e viagens a quem indica ou especifica o produto. Isto também será considerado crime? Anunciar programas de fidelidade com prêmios ao profissional fará parte da tipificação do crime?

    1. Bem colocado, Ronaldo. Uma loja em Salvador, certa vez, criou a promoção “Projeto Piloto”, imagine você, dando um carro zero quilometro ao arquiteto que indicasse (vendesse) mais. Este tipo de coisa joga o poder de negociação do preço do projeto do arquiteto no chão, solapa a confiança dos nossos clientes e arrasa com a dignidade da nossa profissão.

  43. Parabens pela iniciativa de discutir essa aberração. A assessoria na construção é uma prestação de serviços como qualquer outra, envolvendo ainda uma responsabilidade técnica. Como tal deve ser remunerada, de maneira direta, pelos que contratam o serviço. É ético, é transparente e é profissional.

  44. sempre trabalhei com obras e nunca tive coragem de receber a RT. Me sinto mal. Não sou vendedora e nem representante comercial. Não tenho nem cara pra pedir na loja ou aceitar quando me oferecem.
    Mas confesso que é um pouco difícil ver meus colegas ostentando carro novo todo ano, reformando suas casas e fazendo cruzeiros oferecidos pelas marcas que eles “recomendam”, enquanto eu tenho que perder o sono calculando meus honorários e as contas do final do mês.
    E olha que eu tenho o privilégio de ter uma agenda cheia!

    1. Não vejo irregularidades em receber algo por um trabalho justo. É uma cultura que nós brasileiros não temos de ser recompensados por qualquer serviço, seja o mercado de indicação ou não. Eu acho positivo estimular que seja repassado ao profissional o valor por ter indicado um serviço sim, vejo mais como uma forma mais concreta de agradecer por ter indicado do que apenas uma palavra. Imagine se TODOS fizessem isso, seja no segmento da arquitetura ou não. Imagina poder participar dos ganhos de qualquer empresa ou poder ter descontos do lugar que vc vier consumir, seja uma loja de roupas, restaurante, supermercado, só por ter indicado alguém pra usufruir disso também. Nós fazemos isso gratuitamente, geramos mercado pra todo mundo e não recebemos por isso. Se for assim, deveriam acabar com os 10% que damos de gorjeta ao garçom de algum estabelecimento, visto que, já tem o seu fixo. Claro que muitas empresas usam dessa RT pra outros fins ilegais junto com quem os favorece, isso poderia sim avaliar alguma forma de punir tais corrupções. Não punir todos pela prática errônea de alguns.

  45. Eu posso falar pq passei pelas 3 categorias:
    1- Arquiteta trabalhando como vendedora da loja
    2- Arquiteta acompanhando cliente na loja
    3- Arquiteta sendo dona da loja

    Posso afirmar que no caso:
    1- horrível vc atender cliente com arquiteto e o arquiteto disparar emails para todas as lojas de um shopping e pedir para a secretaria ligar para saber se a RT já está disponível.Na maioria vão a loja sim, mas se o arq cobrar do cliente o serviço de acompanhamento,muitas vezes perde o cliente que procura um menor preço ou um decorador conhecido. Por isso exige a comissão.
    2- Ai de não pagar a RT, dispara para os amiguinhos que a loja não presta, onde até então era a melhor loja do mundo!
    Caso não não queira receber RT,se tiver com o cliente, tem q avisar escondido ao vendedor que não precisa incluir RT, senão vc está colocando seus amigos arq em maus lençois.
    3- Se não pagar a RT, o arquiteto avisa a todos os amiguinhos que a loja não presta,então o lojista é obrigado a pagar. Engana-se que a RT está incluída no produto, NÂO ESTÁ !!!!! Se houver negociação , a primeira pergunta é se tem arquiteto, se não tiver, tchan rã rãn, 10% a menos. Sim há empresas q dizem q está incluso no valor, mas o cliente q não tem Arq vai sair com seu produto 10% mais caro.

    Ou seja, só uma saída: preço justo, do contrário o arq se submete a essa prática nociva.Nociva AO CLIENTE, A NÓS E AOS EMPRESÁRIOS, que nos envergonha e nos obriga, se não quisermos morrer de fome.
    PARABÉNS CAU !!!!!!!!

  46. Sou Arquiteto formado em 2009 e me orgulho de nunca ter recebido até hj uma RT.
    Minha assessoria já está incluso no contrato de projeto, encarece de fato, mas para mim é uma satisfação poder pesquisar pelo melhor produto para o cliente sem ter aquela puxação de saco de tal Empresa. Deixo o cliente livre para suas escolhas, apenas faço a orientação do que é bom ou não para o projeto.
    Me sinto muito mais realizado, fico satisfeito e o cliente também.

  47. Acredito na importância do tema e não menosprezando o debate, mas os Arquitetos e Urbanistas, necessitam tanto de outros debates e discussões em outros temas que também são importantes, que desvalorizam a nossa profissão. A exemplo, arquitetos serem contratados como projetistas, desenhistas e até cadistas, são pouquíssimos os que recebem um salário razoável que não chegam nem perto do piso salarial, sem falar nos Concursos públicos que em sua maioria oferecem um salário vergonhoso! Deveríamos ampliar esses debates à todos estados brasileiros e debater novos temas.

    1. Muitos escritorios de arquitetura tem suas receitas baseadas em “reservas Tecnicas” ou seja, quase 40% do total geral. O preço baixo do projeto remete automaticamente a condição formal de ser aceito a reserva. Se o cliente concordar com o recebimento dessa verba, o porquê proibir.
      Cliente ciente é cliente satisfeito.

  48. Sou Arquiteto e cobro dos meus clientes o Projeto. A assessoria na Construção até a Decoração final é um benefício que custa caro pois gastamos nas pesquisas de produtos e nos deslocamentos para acompanhamento na aquisição deles e isso tem um custo sim, que é muito bem resolvido com a Reserva Técnica, que não interfere no preço final ao cliente, pois já está agregado ao produto pelo Lojista. Propina é muito diferente disso, é um valor cobrado somente por uma indicação, sem assessoria alguma. Se for negado esse direito aos Arquitetos os valores dos Projetos terão um aumento considerável, dificultando a contratação de um Profissional Habilitado, resultando em obras mal feitas e sem assessoria alguma. Não concordo com essa lei que insiste em apontar o dedo na cara de Profissionais que trabalham duro para que uma obra saia em perfeito estado do começo ao fim.

    1. Caro Marcos, discordo quando você diz que o valor da reserva técnica esta agregado, todo lojista aumenta o valor do produto pois ele não vai baixar o seu lucro. E te faço uma pergunta: você deixa claro para o seu cliente que você está recebendo do lojista percentual sobre a compra dele?
      Não seria mais justo cobrar do cliente e ele então saberia o real valor dos seus serviços?

    2. Marcos, entendo sua posição.
      Mas supondo que receba 10% de reserva técnica por seu cliente ter comprado um piso, por exemplo. Se não houvesse reserva técnica, este mesmo piso poderia sair exatos 10% mais baratos para o cliente.
      Fazer o melhor serviço possível para o cliente é trabalho do arquiteto e isso inclui conseguir os melhores preços.
      A reserva técnica vai diretamente contra isso. Somado ao fato que há, infelizmente, vários profissionais que dão mais valor à reserva do que o bolso do cliente, concordo com o artigo em que ela deveria ser proibida.

  49. Esta situação desagradável já enraizou em nossa categoria que nos deixa parecer normal. Prática antiética, lesiva ao nosso cliente e desonrosa para nossa classe.
    Os profissionais hoje estão mais preocupados em seus RT do que propriamente atender seus clientes. A baixa remuneração de seus projetos lhes vem justificar esta prática.
    Faz bem o CAU/BR levantar e resolver esta questão estabelecendo uma relação de compromisso ético e cível entre o cliente e o arquiteto. Tenho orgulho de minha profissão e quero continuar tendo.

    1. Concordo contigo Célio. Inclusive na nossa cidade, em qualquer loja que você vá, os próprios lojistas dizem que 95% exigem RT. Quando digo que não aceito RT, eles custam a acreditar. É um absurdo que rebaixa a nossa classe. A prostituição da Arquitetura deve acabar o quanto antes.

    2. Concordo que tem que haver um compromisso ético e cível.
      Esta postura se justifica para quem projeta um prédio, ou uma casa. E os arquitetos que fazem arquitetura de interiores?( não é o meu caso) Eles passam uma tarde em uma loja de cozinhas, uma tarde em uma loja de banheiros, horas em uma loja de revestimentos um dia em lojas de movel outro em lojas de tecido ou tapete. Tudo acompanhando a(o) cliente. Vamos querer interferir nisto e exigir que seja cobrado hora técnica? O mercado já resolveu isto. O que fundamental é colocar esta forma de remuneração no contrato. Ou vamos deixar o mercado de arquitetura de interiores para os decoradores?

  50. Claro conflito de interesse.Me associo ao entendimento do Renato Nunes.

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