ARQUITETURA SOCIAL

Arquitetura e Urbanismo do Favela-Bairro será implementada na África

O Governo de Cabo Verde, país africano com cerca de 560.000 habitantes, convidou o arquiteto e urbanista Manoel Ribeiro, autor de diversos projetos do programa de urbanização de favelas cariocas Favela-Bairro, para elaborar um plano-piloto de assentamentos informais para o país. O projeto, que pretende superar desafios urbanos, sociais e econômicos de Cabo Verde, será desenvolvido na cidade de Mindelo, principal centro urbano da Ilha de São Vicente. O país é formado por um arquipélago de dez ilhas vulcânicas, que cobrem uma área de 4.000 km². De acordo com o governo, o país precisa de 26.412 novas habitações até 2030.

 

Arquiteto e urbanista Manoel Ribeiro, responsável por diversos projetos do programa Favela-Bairro e convidado para elaborar um plano de urbanização para Cabo Verde. Foto: CAU/RJ

 

O arquiteto e urbanista Manoel Ribeiro teve uma expeirência intensa no programa Favela-Bairro, inagurado pela Prefeitura do Rio de Janeiro desde 1995. Manoel foi autor dos projetos da Serrinha, Cantagalo, Pavão-Pavãozinho, São Carlos, Mangueiral, Vigário Geral e Parada de Lucas. Assim como no Rio de Janeiro, os quatro assentamentos informais de Mindelo em que Manoel vai trabalhar estão localizados em em áreas encostas. O diferencial da cidade de Cabo Verde para as favelas cariocas é o terreno pedregoso.

 

Segundo Manoel, a participação dos moradores é indispensável para o desenvolvimento das ações de urbanização. “Todos os dias eu estava na Serrinha. Levantamos o diagnóstico, os moradores apresentavam suas necessidades e desenvolvemos o plano. Negociávamos, por exemplo, pedaços de terreno para passar escadaria”, conta. “Em troca, dávamos laje para a cozinha. Tínhamos uma reserva de contingência para essas transações, e as coisas eram implantadas a partir de padrões de urbanização dimensionadas em campo junto com empreiteiro”.

 

Favelas em Mindelo, cidade de Cabo Verde que receberá o projeto de urbanização. Foto: Francisco Santos

 

A cidade de Mindelo estende-se nas planícies e vales, com assentamentos nas encostas, onde há muitas pedras. “As pessoas escavam o solo e encaixam as casas, o que melhora o conforto térmico das moradias. As pedras retiradas da escavação são reutilizadas depois para fazer pequenos arrimos e, às vezes, as próprias paredes das casas”, afirmou Manoel Ribeiro.

 

O Favela-Bairro já inspirou diversos outros projetos de requalificação urbana, como na Colômbia, Guatemala, Venezuela e El Salvador. Quando foi criado, o programa tinha um orçamento de R$ 8 milhões para atender 15 favelas de médio porte. Mas atingiu mais de R$ 1 bilhão de investimentos, beneficiando 155 comunidades. A experiência e os resultados do programa foram discutidos no seminário “25 anos do Programa Favela-Bairro: Conquistas, desafios e perspectivas de uma política pública de urbanização de favelas na Cidade do Rio de Janeiro”, organizado pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-Rio) nos dias 06, 07 e 08 de maio. O seminário é uma preparação para o Congresso Mundial da União Internacional dos Arquitetos (UIA 2020), que acontece pela primeira vez no Rio.

 

Com informações do CAU/RJ.

Uma resposta

  1. Muito bom que tenhamos um arquiteto brasileiro resolvendo os problemas na Africa.
    O governo brasileiro deveria fazer o mesmo por aqui no Brasil , que alis não faltam favelas em todo territorio nacional, e parabens ao Arquiteto Manoel Ribeiro

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