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Arquitetura nos países de língua portuguesa é destaque no III Fórum Internacional do CAU Brasil

 

Arquitetos(as) e urbanistas de quatro continentes apresentaram diferentes visões da Arquitetura construída nos países de língua portuguesa. No III Fórum Internacional de Conselhos, Ordens e Entidades de Arquitetura e Urbanismo do CAU Brasil, realizado em Foz do Iguaçu (PR), diferentes estilos derivados da colonização portuguesa revelaram muitos desafios em comum.

 

“Aprendemos muito com os arquitetos brasileiros porque aqui existem problemáticas muito complexas que refletem situações em outros países”, afirmou o presidente do Conselho Internacional de Arquitectos de Língua Portuguesa (CIALP), Rui Leão.

 

Para a presidente do CAU Brasil, Nadia Somekh, um desses desafios é a preservação do Patrimônio Histórico. “Nesta gestão, temos levado a questão da ATHIS em prédios históricos ao Governo Federal. Hoje o IPHAN já destina R$ 45 milhões para obras de habitação nos centros históricos”, disse. “Estamos no caminho certo.”

 

O presidente do IAB, Odilo Almeida, destacou que as trocas de experiências podem promover soluções que atendam os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU. “Nós compartilhamos os mesmo desafios”, afirmou.

 

Vice-presidente do CIALP, Maria Elisa Baptista; conselheiro do CAU Brasil Ricardo Mascarello; e o presidente do CIALP Victor Leonel

 

DESAFIOS DO PATRIMÔNIO
De Angola, o arquiteto Victor Leonel, vice-presidente do CIALP e presidente da União de Arquitetos da África, destacou que a própria Língua Portuguesa é um Patrimônio Cultural. “O Patrimônio serve para que que as gerações vindouras conheçam a longa caminhada que nos trouxe até onde estamos hoje”, afirmou.

 

“Para preservar o Patrimônio, devemos valorizar o edifício do ponto de vista econômico. Não é uma vaca sagrada que deve permanecer intocada” afirmou Victor. “O Patrimônio precisa ser útil para a sociedade. Nós arquitetos temos a responsabilidade de dar qualidade para a habitação”, disse.

 

“Chega de Centros Culturais, precisamos de pessoas morando nos edifícios históricos”, afirmou Maria Elisa Baptista, ex-presidente do IAB. Ela ressaltou que a moradia digna não é uma mercadoria, é um direito. “Porém, a moradia está sendo pressionada pelo desmatamento, pelo agronegócio e pela mineração.”

 

O conselheiro do CAU Brasil Ricardo Mascarello lembrou a proposta levada ao Ministério das Cidades para desenvolver habitação social nos centros históricos. “É um processo custoso, mas assim podemos unir habitação e patrimônio”, disse.

 

Presidente da Ordem dos Arquitectos de Cabo Verde, Job Amado Varela

 

ARQUITETURA NOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA

O presidente da Ordem dos Arquitectos de Cabo Verde, Job Amado Varela, levantou a questão de como adaptar prédios antigos e construir ao lado da herança patrimonial. “Esse é um desafio que temos em comum. A Cidade da Praia, capital de Cabo Verde, tem um centro histórico com Arquitetura Portuguesa cercada pela Arquitetura Pós-Colonial, inclusive Arquitetura Moderna”, afirmou.

 

Ele mostrou projetos vencedores de concursos e prêmios, como de reabilitação em bairros autoproduzidos. “Problemas são comuns, apesar da diferença de escalas. Por isso temos a necessidade de reforçar o nosso intercâmbio internacional.”

 

Vice-presidente do CIALP José Manuel Pedreirinho

 

Vice-presidente do CIALP, o arquiteto português José Manuel Pedreirinho mostrou diferentes tipos de ocupação portuguesa em territórios colonizados. “Nos Açores, fizemos a primeira cidade portuguesa incluída como Patrimônio Mundial da Humanidade”, contou. “Colonização portuguesa manteve uma relação com as estruturas pré-existentes, raramente houve destruições”.

 

De Macau, na China, o arquiteto Rui Leão mostrou como são as políticas de Habitação no território de 700.000 habitantes, grande densidade populacional. Mostrou grandes projetos de habitação pública, a partir dos anos 80 existe uma mudança de escala com verticalização para dar resposta às crescentes necessidades. “É um caminho diferente do Brasil. O que nos liga é a capacidade de analisar criativamente o nosso contexto”, afirmou.

 

Confira na íntegra:

 

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