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Câmara dos Deputados faz homenagem ao Dia do Arquiteto e Urbanista

 

Nesta terça-feira, 16 de dezembro, o deputado Luis Carlos Busato (PTB-RS) subiu à tribuna da Câmara dos Deputados, em Brasília, para parabenizar os arquitetos e urbanistas brasileiros pelo seu dia. O parlamentar, que é arquiteto e urbanista, destacou que a data de 15 de dezembro foi escolhida por ser o aniversário de Oscar Niemeyer e citou uma de suas frases sobre Arquitetura:

 

Não é o ângulo reto que me atrai, nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein.

 

O deputado citou que existem mais de 120 mil profissionais da área registrados no CAU e parabenizou os arquitetos e urbanistas que “atuam em prol da sociedade. do desenvolvimento nacional eda boa arquitetura brasileira”.

 

Leia abaixo a íntegra do pronunciamento:


O SR. LUIZ CARLOS BUSATO (PTB-RS. Pronuncia o seguinte discurso.) – Sras. e Srs. Deputados, venho a presença de Vossas Excelências, na qualidade de profissional da Arquitetura e Urbanismo, tratar da comemoração do dia do arquiteto e urbanista, ocorrida no dia 15 de dezembro. A mencionada data consiste no aniversário de nascimento do ilustre arquiteto e urbanista Oscar Ribeiro Teomar de Almeida Niemeyer Soares Filho. Niemeyer estaria completando cento e sete anos. O seu legado é de notória relevância nacionale internacional, tendo revolucionado a arquitetura e urbanismo com seus projetos modernistas que desafiaram a técnica construtiva da época. 

 

Evidenciando seu apreço pela brasilidade em sua arquitetura, Niemeyer afirma que:
Não é o ângulo reto que me atrai, nem alinha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein.
Dentre suas principais realizações destacam-se o projeto deste Congresso Nacional, do Palácio da Alvorada, do Palácio do Planalto, do Supremo Tribunal Federal, da Catedral de Brasília, do Museu de Arte Contemporânea de Niterói, dentre tantas outras criações de incomensurável singularidade.
Ante o conjunto de sua obra, Niemeyer foi agraciado com o prêmio Pritzker em 1988, equivalente ao Nobel da arquitetura. Prêmio este recebido também pelo arquiteto brasileiro Paulo Mendes da Rocha em 2006.

 

Dado o legado deixado pelo renomado arquiteto, atualmente, encontram-se em exercício no Brasil aproximadamente cento e vinte mil arquitetos e urbanistas, registrados no Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil, o CAU/BR. A missão do conselho tem sido orientar, disciplinar e fiscalizar o exercício da profissão de arquitetura e urbanismo, zelar pela fiel observância dos princípios de ética e disciplina da classe em todo o território nacional, bem como pugnar pelo aperfeiçoamento do exercício da arquitetura e urbanismo, apoiado pelas diversas entidades ligadas à profissão no país.

 

No que concerne às práticas arquitetônicas, salientam-se os princípios enunciados pelo arquiteto romano Vitrúvio: utilidade, beleza e solidez. Essas máximas são utilizadas no cotidiano da profissão, em busca não só na ergonomia como da estética no exercício projetual, cujo foco éa figura humana e suas necessidades sociais.
Neste sentido, saliento hoje nesta Casa a importância destes profissionais para o desenvolvimento sustentável nacional, visto que a questão urbana e seus aspectos, como mobilidade, Planos Diretores e obras públicas, são atividades próprias de arquitetos e urbanistas. Contudo, o que se averigua, na prática, é uma mitigação do planejamento em detrimento de práticas maléficas ao bom funcionamento da dinâmica urbana.

 

Dessa forma, uma sociedade contemporânea não se verificará sem a presença doprofissional arquiteto e urbanista, habilitado e consciente das necessidades atuais deste cenário.

 

Por fim, aproveito o ensejo para prestar meu voto de apreço pela sólida obra dos renomados arquitetos que lutaram pela profissão e colaboraram para a boa arquitetura nacional, como João Filgueiras Lima (o Lelé) e Miguel Pereira, falecidos este ano. Ambos igualmente ligados à história de Brasília.
Lelé participou da construção do Plano Piloto ao lado de Niemeyer e Lúcio Costa. Entre as inúmeras obras de sua autoria na Capital Federal destacam-se os hospitais da Rede Sarah. Era um profissional de extrema solidariedade, comprometido com a dimensão ética da Arquitetura, que colocou seu domínio completo da arte de projetar e construir a serviço sobretudo das obras públicas em programas sociais, afirmou sobre Lelé seu colega em vários projetos, o arquiteto Haroldo Pinheiro, presidente da gestão fundadora do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR).

 
Pela falta de uma cultura arquitetônica maior, o País talvez não tenha ainda a dimensão exata de seus méritos pelo seu compromisso social e o pioneirismo com a sustentabilidade. Ele mereceria ganhar um prêmio Nobel da Paz, disse a seu respeito Miguel Pereira, a quem também reverencio.

 

Com a habilidade e diplomacia que o caracterizavam, Miguel Pereira soube conduzir, no duro ano de 1968, o processo de reabertura da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB, atendendo a convite dos estudantes e do IAB, o Instituto de Arquitetos do Brasil. Mais tarde, se tornaria diretor da faculdade e presidente do IAB nacional, destacando-se pelo discurso humanista em prol da melhoria da qualidade de vida de nossas cidades.

 

Em nome da luta empreendida desde 1958 quando da entrega pelo então presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), Ary Garcia Rosa, ao presidente JK da proposta para a criação do Conselho de Arquitetura, parabenizo e expresso a mais alta estima pelos aproximadamente cento e vinte mil arquitetos e urbanistas em atividade e aos estudantes da área, que atuam em prol da sociedade, do desenvolvimento nacional e da boa arquitetura brasileira.

 

Muito obrigado.
Era o que Tinha a Dizer.

 

 

Publicado em 16/12/2014.

Uma resposta

  1. O discurso é valido e tem seu mérito na pronuncia do ilustre Deputado. Contudo percebemos ainda uma presença tímida de representantes da categoria nas casas legislativas onde arrolam há anos projetos que em muito beneficiariam não somente a categoria dos Arquitetos Urbanistas mas toda a sociedade brasileira à exemplo do PL 6.699 que tramita desde 2002, projeto este que prevê a criminalização do exercício ilegal das profissões de Arquiteto, Engenheiros e Engenheiro Agrônomo.
    Fica aqui o apelo ao Ilustre Dep. Luiz Carlos Busato para que articule nas “Casas” a aprovação deste PL!

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