ARTIGO

Construindo cidades mais seguras, acessíveis e inclusivas para as mães

Inspirado por Serafina Amoroso, com reflexões de Lupe Ces sobre os desafios urbanos das mulheres

 

Carla Tames é coordenadora da Comissão Especial de Política Pública Urbana e Ambiental do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CPUA – CAU/BR)

 

Ao refletir sobre os desafios enfrentados pelas mulheres nas cidades, somos levados a considerar não apenas as estruturas de poder e os papéis de gênero, mas também as experiências cotidianas das mulheres enquanto transitam pelos espaços urbanos. Nas palavras evocativas de Lupe Ces, em seu texto “Os Caminhos das Mulheres”, somos confrontados com a realidade das mulheres que carregam compras, empurram carrinhos de crianças e fazem jornadas à escola ou ao trabalho, muitas vezes de madrugada.

 

Ces descreve vividamente a cidade como um lugar excluínte e ameaçante para muitas mulheres. Esquinas apagadas, túneis escurecidos e a linha da pobreza que permeia as habitações são apenas algumas das barreiras enfrentadas por essas mulheres. A falta de iluminação pública adequada, a deterioração dos espaços urbanos e a ausência de infraestrutura básica contribuem para um ambiente hostil e desanimador.

 

A descrição detalhada de Ces nos faz confrontar a dura realidade das mulheres que lutam para sobreviver em meio a condições precárias e desafiadoras. A vida em solidão, a luta contra a fome, a sede e a dor, e a espera interminável por assistência em momentos de crise, são retratos contundentes da vulnerabilidade enfrentada por muitas mulheres nas cidades.

 

No entanto, mesmo diante desses desafios, Ces nos lembra da resiliência e da força das mulheres. Elas enfrentam as adversidades do dia a dia, calculando cada grama de peso que carregam para casa e aguardando, com coragem, o desfecho de suas vidas. A cidade, conforme descrito por Ces, é um espaço de divisão e desigualdade, construído de costas para as mulheres e para suas necessidades.

 

Diante desse cenário, é urgente adotar uma abordagem feminista na gestão do espaço urbano. Devemos reconhecer as experiências específicas das mulheres e traçar caminhos seguros que levem em consideração suas realidades. É hora de repensar e reabilitar a cidade para a vida, transformando-a em um espaço verdadeiramente inclusivo e acolhedor para todas as mulheres e suas famílias.

 

Inspirados pelas reflexões provocativas de Lupe Ces e pelo trabalho incansável de ativistas feministas, como Serafina Amoroso, podemos avançar na construção de cidades que atendam às necessidades das mães e de todas as mulheres. É hora de nos unirmos em uma tarefa coletiva de sustentar a vida e de reimaginar o espaço urbano como um lugar onde todas as mulheres possam viver com dignidade e segurança.

 

Ao reconhecer e enfrentar os desafios enfrentados pelas mulheres nas cidades, podemos construir um futuro mais inclusivo e igualitário. Inspirados pela resiliência e pela determinação das mulheres, devemos trabalhar juntos para transformar nossas cidades em lugares onde todas as mulheres possam prosperar e contribuir plenamente para a vida urbana.

 

* Artigos divulgados neste espaço são de responsabilidade do autor e não correspondem necessariamente à opinião do CAU/BR.

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