#MulherEspecialCAU

“Construir ambientes que incluam a todos é responsabilidade de todo arquiteto”, defende Gabriella Zubelli

Especialista em Acessibilidade Física, Cultural e Neuroarquitetura há mais de uma década, Gabriella Zubelli ressalta que a arquitetura tem o poder de promover experiências de vida. “Quando dizemos sim ou não para a acessibilidade estamos permitindo ou privando pessoas de terem contato com espaços e com pessoas. É preciso saber usar a arquitetura a favor da acessibilidade”, frisa.

 

Mestre em Arquitetura e Urbanismo pela UFRJ – ProUrb, Zubelli conta com uma vasta experiência em projetos e acompanhamento de obras de grandes empresas privadas e entidades públicas, bem como parcerias com ONGs e instituições envolvidas com a temática.

 

Além disso, conta com especializações, seminários e eventos relacionados ao tema acessibilidade em várias partes do Brasil, participando também de programas de capacitação em Londres-Reino Unido e Rússia.

 

Para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, Zubelli desenvolveu um importante trabalho dedicado à acessibilidade. Foi responsável por coordenar o controle de itens de acessibilidade de projeto e obra de todas as instalações municipais.

 

Em entrevista exclusiva ao CAU/Brasil, como ação da campanha #MulherEspecialCAU), a especialista destaca que, como resultado do Rio 2016 e do constante intercâmbio de informações com órgãos e especialistas internacionais, adquiriu ainda mais conhecimento e experiências sobre o tema acessibilidade, assim como sobre planejamento, revisão e acompanhamento de cada passo dos projetos e obras desse evento de escala mundial.

 

Atualmente, como diretora da Gabriella Zubelli – Arquitetura Acessível, Zubelli presta serviços de consultoria em Acessibilidade, Desenvolvimento de Projetos, Palestras, Cursos e Treinamentos sobre o tema em todo o Brasil.

 

Acesse trechos da entrevista:

 

Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR):  Como você acha que a arquitetura pode contribuir para a inclusão na sociedade?

Gabriella Zubelli: A arquitetura tem o poder de promover experiências de vida. Quando dizemos sim ou não para a acessibilidade estamos permitindo ou privando pessoas de terem contato com espaços e com pessoas. É preciso saber usar a arquitetura a favor da acessibilidade. Existem diversas formas de fazer um ambiente acessível, a partir do partido arquitetônico, dos materiais, cores, texturas e sensações e não apenas resumir acessibilidade a um banheiro acessível e uma rampa de acesso.

 

CAU/BR: Qual é a sua abordagem para projetos de arquitetura acessíveis?

Gabriella Zubelli: Entendo que é necessário que todo arquiteto saiba, ao menos, o mínimo sobre acessibilidade, suas leis e normativas. Elas, no entanto, não englobam todas as necessidades que existem dentro da acessibilidade. É preciso ir além do mínimo obrigatório. Minha visão para arquitetura acessível é que ela é extremamente necessária e benéfica para todas as pessoas, promovendo não apenas conforto, autonomia e segurança, mas equidade de experiências e inclusão. Ao expandir esse olhar, você percebe o outro, vê suas potencialidades e dificuldades, percebe o que pode ser melhorado nos ambientes construídos e que a possibilidade de fazer diferente está em suas mãos.

 

CAU/BR: Você já enfrentou discriminação de gênero no campo da arquitetura? Como lidou com isso?

Gabriella Zubelli: Sim, no início da carreira. Percebia que apenas o fato de ser mulher trazia preconceitos associados à competência. Sentia isso, associada também à idade, ao fato de ser recém-formada e mulher. Hoje, não sinto mais esse preconceito. Fui trabalhando ele ao longo dos anos e entendendo o equilíbrio entre minha força e suavidade.

 

CAU/BR: Como você vê a representatividade das mulheres com deficiência na arquitetura e o que pode ser feito para aumentá-la?

Gabriella Zubelli: Existem sim pessoas com deficiência na área da arquitetura, sejam profissionais ou estudantes. No entanto, muitos enfrentam barreiras físicas nas próprias universidades que, por vezes, não são acessíveis. É preciso melhorar a qualidade da acessibilidade nesses locais para permitir o acesso igualitário e também implementar disciplinas específicas sobre acessibilidade, desenho universal, arquitetura para pessoas com autismo, arquitetura para pessoa idosa, que sejam ofertadas por especialistas em acessibilidade, proporcionando, assim, que esses temas sejam mais amplamente disseminados.

 

CAU/BR: Quais conselhos você daria para jovens arquitetas que estão começando suas carreiras?

Gabriella Zubelli: Percebam que construir ambientes que incluam a todos é responsabilidade de todo arquiteto. Não é opcional escolher fazer ou não um ambiente acessível. Promover acessibilidade não diz apenas sobre pessoas com deficiência, mas também sobre pessoas com mobilidade reduzida, idosos, crianças, pessoas com carrinho de bebê, crianças de colo. Qualquer pessoa precisa de acessibilidade, seja por uma condição temporária ou permanente.

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