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Crítico de Arquitetura diz que Brasil tem algumas das cidades mais feias do mundo

 

Primeiro brasileiro a fazer parte do juri do Prêmio Pritzker, o embaixador André Correa do Lago concedeu entrevista ao jornal Folha de S. Paulo para tratar do momento atual da Arquitetura Brasileira, e possíveis caminhos para incentivar a produção de edificações de qualidade no país. Segundo ele, “existe um desejo muito mal disfarçado de governos, arquitetos e construtoras de evitar que o público entre nas discussões da qualidade das cidades e da arquitetura”. Essa é apenas uma das razões porque temos algumas das cidades mais feias do mundo, diz André, que escreveu vários livros de Arquitetura, como “Ainda Moderno?”, “Oscar Niemeyer, uma Arquitetura da Sedução” e uma obra inteira sobre a casa de Paulo Mendes da Rocha no bairro Butantã, em São Paulo.

 

O diplomata acredita que a melhor Arquitetura Brasileira foi realizada por governos, e não por empresas. “Nossa grande arquitetura privada é de casas. A pública era muito superior”. Um dos grandes problemas a ser enfrentado, segundo ele, é a Lei de Licitações. “Ela impede a função civilizatória da qualidade e da estética das obras públicas. Há diversos outros custos que uma obra ruim implica anos depois, mas isso não é calculado”.

 

Veja entrevista completa aqui.

2 respostas

  1. O que atrapalha a arquitetura pública não é a lei das licitações, é o mesmo mal que estragada tudo no pais, a corrupção, também é ela que impede a urbanização das nossas cidades, a carência de recursos e cultura atrapalha a arquitetura privada, então seria a arquitetura empresarial a última alternativa para uma maior qualidade estética? Seriam os concursos de obras uma boa forma de casar com as leis de licitação.

  2. Realmente as cidades brasileiras são muito feias e parecem presídios, cheias de muros, grades e cercas elétricas. Os passeios não tem calçadas decentes e largas. Faltam jardins, árvores, grama e espaço. Tem muita pichação e lixo jogado pela população e moradores de rua. As pessoas não tem espírito de coletividade e pertencimento ao bairro: a lógica é cada um por si amontoado no seu pedaço de terra cercado. Ninguém conhece mais seus próprios vizinhos. Do seu portão pra fora ninguém se importa em cuidar do espaço público, acham que é tudo responsabilidade do governo e culpa dos políticos corruptos. Ter verde em casa virou aberração, o povo preguiçoso só pensa em piso de concreto e não quer ter o mínimo trabalho (mas bem que vão fazer bagunça e sujeira nos parques). As novas construções são intermináveis cópias de meros cubos de alvenaria sem beleza, revestido com listras ridículas de grafiato. A falta de planejamento urbano das cidades no passado cobra seu preço hoje. Bem que os novos urbanistas podiam se inspirar no excelente urbanismo desenvolvido nos EUA e Canadá para fazer algo de bom ao Brasil. Uma sugestão que poderia dar resultado no Brasil seria promover, por meio de leis e incentivos tributários, projetos de reurbanização privados. No caso, os proprietários de imóveis de uma rua ou contíguos, poderiam revitalizar suas ruas ou unificar seus terrenos para construir novos empreendimentos com maior potencial construtivo e menor taxa de ocupação, destinando mais espaços para fins paisagísticos, de lazer e convivência. Às vezes é melhor refazer tudo da forma correta do que tentar remendar o impossível.

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