ENTREVISTAS

Diretora do Museu da Universidade Federal do Pará aponta espaço para mulheres na elaboração de planos urbanísticos

 

O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) dá início nesta segunda-feira (18) a uma série de entrevistas com importantes mulheres da arquitetura e urbanismo do país, dentro da campanha #MulherEspecialCAU. A primeira delas é a gaúcha de Rio Grande, Jussara Derenji, há 21 anos diretora do Museu da Universidade Federal do Pará (MUFPA), em Belém, além de pesquisadora e autora de livros na área de patrimônio.

 

Em entrevista exclusiva ao CAU/BR, Derenji destacou, dentre outros, suas inspirações: Lina Bo Bardi, uma dos maiores arquitetos do século XX, e Rosa Grena Kliass, arquiteta pioneira do paisagismo no Brasil.

 

A diretora do MUFPA formou-se arquiteta em 1968, urbanista em 1972, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e paisagista, em 1980, pela Faculdade de Arquitetura da Universidade de São Paulo (FAUSP). Em 1989, foi bolsista do governo italiano.

 

De 1980 a 1995, foi professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da UFPA.

 

Mestre em História, concluiu o curso em 1992, na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Foi também diretora de Patrimônio Histórico do município de Belém, de 1993 a 1997.

 

A professora Jussara Derenji foi ainda eleita presidente do Comitê Nacional do Brasil da Memória do Mundo (MOW Brasil), da Unesco. O MOW Brasil é voltado para a preservação de documentos relevantes para a memória nacional.

 

Veja, a seguir, trechos da entrevista:

 

Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR): Como você enxerga o papel da mulher na arquitetura?

Jussara Derenji: Pelo menos em Belém, o protagonismo está muito aquém do que poderia ser. Não vejo grandes projetos assinados por mulheres, de grandes edifícios, de hospitais, de prédios públicos. Na minha área, de paisagismo, também não vejo sinais de grandes projetos vindos de fora. Na área de pesquisa acadêmica, se vê mais.

 

CAU/BR: Quais são os maiores desafios enfrentados como arquiteta mulher em sua carreira?

Jussara Derenji: Os maiores desafios estavam relacionados com algo que agora vem mais à tona, que é o assédio moral em empresas que eram basicamente masculinas, principalmente pelo fato de que poucas mulheres exerciam profissões liberais. A minha turma de arquitetura era formada por 40 homens e cinco mulheres. No primeiro emprego que eu tive, eu era a única mulher de nível superior. Os outros funcionários, na empresa de engenharia, ganhavam o dobro do que eu ganhava, mas como a política da empresa era de não revelar o salário e o comprovante do pagamento era entregue dentro de um envelope, só soube disso muito tempo depois.

 

CAU/BR: Quais foram suas maiores inspirações na arquitetura?

Jussara Derenji: Na área de arquitetura, Lina Bo Bardi, uma dos maiores arquitetos do século XX. No paisagismo, Rosa Kliass, uma profissional impecável e atuante até hoje, que trabalha em projetos de larga escala, o que falta nas nossas cidades.

 

CAU/BR: Como você vê a representatividade das mulheres na arquitetura e o que pode ser feito para aumentá-la?

Jussara Derenji: A representatividade das mulheres não depende só de números. Hoje elas são em números bem altos nas universidades. O que falta é se lançarem em áreas mais amplas, em trabalhos de maior peso. Eu não vejo, em Belém, uma atuação de mulheres nessas áreas. Elas têm que se preparar tecnologicamente e tecnicamente, fazer cursos, se atualizar e avançar na área de trabalho, seja nada de arquitetura propriamente dito, seja na de urbanismo. Aqui, na nossa cidade, precisamos enormemente de planos urbanísticos. Há muitos anos não há nenhum plano urbanístico de peso aqui e eu não vejo as mulheres se lançarem neste campo.

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