Assistência Técnica

Distrito Federal lança programa de intercâmbio em assistência técnica

A Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal (Codhab-DF) assinou convênio com o Conselho Internacional de Arquitetos de Língua Portuguesa (CIALP) para trazer ao Brasil arquitetos voluntários dispostos a participar de programa de assistência técnica em Arquitetura e Urbanismo, regularização e projetos para áreas urbanas de interesse social.

 

As ações são inspiradas na Lei 11.888/2008 que assegura às famílias de baixa renda assistência técnica pública e gratuita para o projeto e a construção de habitação de interesse social.

 

Uma das condições previstas no acordo de cooperação é a necessidade de observação da legislação que rege a profissão de Arquitetura e Urbanismo no Brasil, ou seja, da Lei 12.378/2011 e das decisões do CAU/BR.

 

“Este é um programa excepcional. Permite uma reflexão sobre qual a responsabilidade do arquiteto na transformação da qualidade de vida, vemos essa parceria com muito entusiasmo”, afirmou o presidente do CIALP, Rui Leão. “É uma ótima oportunidade para diversos profissionais”.

 

Pelo convênio, arquitetos dos nove países que compõem o CIALP – Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, S. Tomé e Príncipe, Timor Leste e Macau, além do Brasil – poderão participar durante seis meses como voluntários nos dez postos de assistência técnica para habitação de interesse social mantidos pela Codhab, sob coordenação de arquitetos e urbanistas funcionários do governo do DF.

 

A ideia é realizar um intercâmbio de experiências e informações, possibilitando aos profissionais – em especial os egressos – vivenciar o cotidiano e atividades desenvolvidas  no DF.

 

O acordo de cooperação diz que a inscrição no programa “não exime o participante de observar e seguir a legislação que rege a profissão de Arquitetura e Urbanismo no Brasil”. Para tratar justamente desse tema, visitaram o CAU/BR, o presidente do CIALP, Rui Leão, o vice-presidente João Santa Rita e Gilson Paranhos, secretário geral da entidade e presidente da Codhab, juntamente com Pedro Belo Ravara, vice-presidente da Ordem dos Arquitectos de Portugal. Segundo Haroldo Pinheiro, presidente do CAU/BR, os termos do acordo serão objeto de atenciosa análise pelo Conselho. Também participou do encontro, em que foram discutidos outros temas relacionados com os acordos de cooperação que o CAU/BR mantem com entidades do âmbito do CIALP,  o conselheiro federal José Roberto Geraldine, coordenador da Comissão de Ensino e Formação.

 

 

P- MATERIA SR JULIO
Da esquerda para direita: Gilson Paranhos, Pedro Belo Ravara, João Santa Rita, Haroldo Pinheiro, José Roberto Geraldine e Rui Leão

O acordo de cooperação também prevê que “os custos administrativos, eventuais taxas e outros encargos, ficam a cargo dos participantes conveniados ao CIALP, cabendo à Codhab definir eventuais despesas operacionais”.   O CIALP deverá buscar parceiros para a vinda dos voluntários principalmente em empresas estatais de gestão urbana e em universidades daqueles países. “Nós queremos promover internacionalmente esse trabalho comunitário, aqui em Brasília está acontecendo o tipo de programa que sempre quisemos realizar”, afirma o presidente do CIALP.

 

A Codhab-DF tem atuado fortemente junto às áreas mais carentes do DF, com três tipos de ações principais: assistência técnica gratuita para reforma e construção de residências; mutirões comunitários para implementação de melhorias no espaço público; e realização de concursos públicos de arquitetura para a construção de equipamentos de saúde e educação. “Pode-se dizer que é algo como o SUS da Arquitetura, levando os conhecimentos dos arquitetos para as áreas que mais necessitam”, diz Gilson Paranhos, presidente da Codhab.  “O Governo do Distrito Federal é a ponta de lança de uma nova metodologia de se fazer cidades. Não temos dúvidas de que a cidade se faz de dentro para fora, com participação ativa da comunidade”, complementa.

 

“Junto com a comunidade é possível fazer mais, com qualidade e principalmente legitimidade”, afirmou o governador Rodrigo Rollemberg (PSB). “É um processo rico e inovador, nós vemos que traz autoestima para a população. As pessoas se apropriam do espaço público da cidade e começam a afastar os maus usos, inclusive os criminosos”.

 

Para o presidente da Ordem dos Arquitectos de Portugal, João Santa Rita, o que diferencia as ações da Codhab das de outras no resto do mundo é o foco no espaço público. “É algo único porque parte do espaço de fora da casa para o espaço dentro de casa, modifica-se o espaço público de forma continuada”, afirma.

 

Para João, esse ineditismo deve atrair muitos arquitetos portugueses, principalmente em centros de estudo e pesquisa, além daqueles que já se dedicam a programas voluntários ao redor do mundo.

 

Publicado em 07/06/2016

0 resposta

  1. Fernando Edmundo Chermont Vidal, coordenador do Núcleo de Pesquisas para Habitação/CEAM/UnB disse:

    Gostaria de conhecer a iniciativa e colaborar.

  2. Fernando Edmundo Chermont Vidal, coordenador do Núcleo de Pesquisas para Habitação/CEAM/UnB disse:

    Em 1996, 1997,1998 participei juntamente com os professores, da UnB, Suely Gonzales, Rosa Maria Sposto e Antonio Jucá Filho,
    a hoje professora da UnB, Cristiane Guinancio que na época trabalhava no IDHAB, junto com alunos da FAU participamos de um projeto piloto em Brazlandia e do Programa Casa da Gente, no Paranoá, Santa Maria, desenvolvemos cerca de 23 projetos junto com instrumentos de assistência técnica, para gestão, acompanhamento e avaliação de obras. Tal projeto ganhou prêmio em 1998 da Associação Brasileira de COHABS, cerca de 10 trabalhos sobre o tema foram apresentados em eventos nacionais e internacionais e foram motivo de minha dissertação de mestrado. Gostaria melhor de conhecer esta iniciativa e poderia ceder o material.

  3. Que absurdo. Tantos jovens arquitetos se formando no Brasil. Absurdo total!!!

    1. Fernando Edmundo Chermont Vidal, coordenador do Núcleo de Pesquisas para Habitação/CEAM/UnB disse:

      Também aceitam arquitetos brasileiros.

  4. Se houvesse maior divulgação do Programa de Assistência Técnica em Arquitetura e Urbanismo, Regularização e Projetos Para Áreas Urbanas de Interesse Social inúmeros Arquitetos Brasileiros responderiam prontamente a essa demanda.

  5. Não temos profissionais brasileiros. Seria interessante o envio de profissionais brasileiros para o exterior.

NOTÍCIAS EM DESTAQUE

Assistência Técnica

Comissão aprova relatório da Medida Provisória prevendo inclusão da assistência técnica no Programa Minha Casa, Minha Vida

Assistência Técnica

Nota Técnica do IPEA defende inclusão de melhorias habitacionais no programa “Minha Casa, Minha Vida”

Assistência Técnica

Mais médicos/Mais arquitetos: mais saúde para o Brasil (artigo de Nadia Somekh no portal do Estadão)

Assistência Técnica

Tragédia no litoral paulista mostra que ATHIS é uma necessidade, afirma presidente Nadia Somekh

Pular para o conteúdo