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Elisabete França: “Mulheres precisam ocupar postos de liderança na Arquitetura”

Por Emerson Fonseca Fraga, Jornalista do CAU/BR; e Cecília do Lago, do AU para Todos

 

 

A arquiteta e urbanista Elisabete França (Foto: Bruno Buccalon/Escola da Cidade)

 

“A maioria dos dirigentes das nossas entidades, como CAU, IAB e FNA, são homens. É preciso estimular a participação e a liderança política feminina, especialmente nas mais jovens. As mulheres precisam ocupar postos de liderança na Arquitetura”. Essa é a opinião da arquiteta e urbanista Elisabete França, que acredita que a busca de melhores condições femininas na profissão passe pela ocupação de posições políticas e de destaque nas organizações do setor.

 

A arquiteta e urbanista também destaca o papel importante dos concursos públicos de projeto na criação de oportunidades para as mulheres. “O concurso também é positivo nesse sentido, já que ninguém sabe quem está concorrendo e o julgamento acontece independentemente de gênero e de idade. O concurso da sede do CAU/BR e do IAB/DF, do qual participei do júri, é um exemplo disso: venceu um escritório chefiado por uma arquiteta jovem”.

 

Segundo o Sistema de Inteligência Geográfica do CAU (IGEO), as mulheres já representam 62% dos arquitetos e urbanistas no Brasil, uma tendência que vêm crescendo ao longo das décadas. A predominância delas também é maior entre os profissionais mais jovens, com as mulheres ocupando mais da metade das vagas nas universidades. Entretanto, elas ainda ganham menos do que os homens.

 

Em sua carreira, Elisabete afirma não ter presenciado pessoalmente disparidade salarial entre profissionais de gêneros diferentes nas mesmas funções. Ela acredita que a Arquite. “A profissão ainda tem espaços majoritariamente ocupados por homens, mas não quer dizer que seja machista. É ainda um grande trabalho a ser feito. Somos a maioria mulheres, especialmente entre os profissionais jovens, mas, apesar de alguns escritórios chefiados por mulheres terem despontado, ainda é uma profissão com mais gestão masculina”, afirma.

 

Com mais de 30 anos de experiência em projetos urbanos, ambientais, habitacionais e gestão participativa, a arquiteta e urbanista Elisabete França participou de iniciativas em São Paulo para alocar moradores de baixa renda. A arquiteta e urbanista tem como filosofia de trabalho valorizar a qualidade dos projetos e a redução de deslocamentos entre a ocupação original e o reassentamento, com o intuito de não afetar as rotinas das famílias. O projeto Cidade Nova Heliópolis, que leva assinatura do escritório Biselli Katchborian, é um deles.

 

Desde 2013, a curitibana Elisabete França é diretora de Planejamento da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo. Ocupou ainda outros cargos públicos na área: entre 2010 e 2012 foi Secretaria de Habitação e entre 2005 e 2012 foi Superintendente de Habitação da Secretaria de Habitação da Prefeitura de São Paulo, onde coordenou a elaboração do Plano Municipal de Habitação e vários programas habitacionais, com destaque para Urbanização de Favelas, Recuperação Urbana e Ambiental nos Mananciais e Recuperação de Cortiços na região central da cidade.  Atua também como professora no curso de Arquitetura e Urbanismo da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e no curso de especialização em Planejamento e Gestão de Cidades da USP Cidades.

 

Com a experiência acadêmica e pública dedicada à habitação de interesse social, preocupa-se com o foco na construção de casas e a omissão quanto ao planejamento urbano. “O debate urbanístico e a qualidade do bairro que está sendo agregado ao tecido urbano acaba ficando de lado”, analisa Elisabete.

 

Sobre o direito da mulher à moradia, a arquiteta e urbanista reconhece importantes avanços recentes a serem comemorados. “Tivemos um aprimoramento nos critérios de acesso à habitação nos últimos anos, que priorizam a mulher chefe de família, a mulher com mais filhos e a mulher em situação de violência doméstica”.

 

 

= Veja mais histórias de arquitetas e urbanistas brasileiras

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