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Em defesa do Censo – artigo do conselheiro federal Nilton Lima

Conhecer-nos é preciso para traçarmos planos de uma viagem fabulosa rumo ao desenvolvimento sustentável, econômico e ambiental de que o país precisa. Portanto, precisamos de dados confiáveis sobre uma série de temas e, fundamentalmente, sobre nós mesmos e sobre nossas interrelações. Esses dados devem representar o conjunto da sociedade, baseados em modelos estatísticos e metodologia técnico-científica.

 

A ferramenta disponível para atingirmos esses objetivos, com a realização de diagnósticos com excelente nível de acuidade e confiabilidade é, precisamente, o Censo Demográfico do IBGE – um enorme esforço de visitação a mais de 70 milhões de domicílios, com a aplicação de um questionário simples. Em 10% das moradias, é aplicado também um questionário completo, em busca de aferir estatisticamente a realidade brasileira.

 

Esse trabalho, valioso e abrangente, fornece os dados imprescindíveis ao planejamento e à aplicação adequada de investimentos, a partir do conhecimento e da técnica social, econômica, urbanística e ambiental. Trata-se de um instrumento básico e essencial à formulação de uma série de planos e encaminhamentos, tanto governamentais quanto privados. Ele apontará para um conjunto de medidas que devem substanciar uma gestão de curto, médio e longo prazo.

 

Qual é a nossa realidade atual, visto que o último Censo foi realizado há mais de 10 anos? Somos um país rico, pobre, industrial ou agrícola? Somos quantos em uma família, precisamos de quantas escolas e de quantos postos de saúde? De que tipo de segurança necessitamos? Como planejar a quantidade de vacinas para cada cidade? Essas perguntas podem ser facilmente respondidas a partir dos dados apresentados pelo Censo. A partir das informações, é possível resolver uma série de questões que poderiam atravancar o desenvolvimento de nosso país.

 

Numa escala um pouco maior, podemos verificar se o bairro é de fato necessário para a cidade. Se existe uma curva positiva de crescimento populacional. Se a região comporta o incremento habitacional previsto. Se é possível incrementar a infraestrutura para a região. Se a economia aponta para o desenvolvimento do local. Se é mais válido investir em regiões de vazios urbanos, a fim de melhor aproveitar a infraestrutura já implantada.

 

Nossa atual realidade pandêmica é mais um fator de preocupação à elaboração do Censo. Porém, deve-se ter em mente que todos os cuidados devem ser tomados para que o levantamento seja realizado com segurança irrestrita, mas realizado – seja por modo eletrônico, telefônico, pessoal. Vemos um país que se perde ano a ano por falta de metas a serem alcançadas, por falta de autoconhecimento e, principalmente, por falta de apoio à pesquisa e educação, infraestrutura e desenvolvimento.

 

A realização do Censo de forma constante e rotineira é fundamental a nossa jornada de conhecimento e fundamental para definirmos para onde iremos e como chegaremos lá. Isso é planejar, traçar metas, conhecer-se para planejar o que seremos. Em uma crise, faz-se ainda mais necessário conhecer-se para desenvolver novas soluções. Essa é a verdadeira jornada.

 

*Nilton Lima, arquiteto e urbanista, é conselheiro federal do CAU/BR por Goiás

Publicado originalmente no jornal O Popular, em 27/07/21

 

Fonte: CAU/GO

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