ENTREVISTAS

Em entrevista ao CAU/BR, Giselle Moll reforça importância do apoio às arquitetas e urbanistas que transformam o país

 

A entrevistada do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) desta terça-feira (19), dentro da campanha #MulherEspecialCAU, é a arquiteta e urbanista Giselle Moll Mascarenha, mãe de três filhos e há 40 anos no mercado de trabalho.

 

Especialista em planejamento urbano e patrimônio, com ênfase em Desenho Urbano, gestão, habitação de interesse social e preservação do patrimônio cultural com enfoque em sítios urbanos, Moll tem como suas maiores referências femininas as professoras Maria Elaine Kohlsdorf e Suely Gonzales, grandes pensadoras do espaço urbano e do patrimônio.

 

Por duas vezes conselheira do CAU/DF, gestões 2018-2020 e 2021-2023, Giselle Moll é, desde 2018, conselheira do Conselho de Desenvolvimento Econômico do Distrito Federal (Codese-DF).

 

Auditora de atividades urbanas, aposentada do Governo do Distrito Federal em 2017, assumiu a secretaria adjunta da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação do DF de 2019 a 2022.

 

Em seu currículo, Giselle Moll soma ainda mestrado em Arquitetura e Urbanismo, pela Universidade de Brasília (2013); graduação em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de Brasília (1982); especialização em Gestão da Conservação do Patrimônio Cultural (CECI / UFPE, 2004) e em Planejamento Urbano Integrado (JICA, 2001).

 

Veja, a seguir, trechos da entrevista:

 

Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR):  Como você vê o papel da mulher na arquitetura hoje em dia?

Giselle Moll Mascarenhas: Embora o número de mulheres arquitetas atualmente seja bem superior ao dos homens, ainda vejo poucos escritórios dirigidos por mulheres. Certamente, no entanto, há muito mais do que quando me formei, há 40 anos. Hoje, já temos boas referências femininas na profissão. Vejo também que a mulher atua fortemente em cargos executivos e de gestão, sem ser reconhecida. Sempre tive muito mais mulheres colegas de trabalho do que homens, a maioria muito competentes e atuantes. Poucos homens eram páreo para nós no equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho, mas fazíamos sacrifícios enormes! Atualmente, os companheiros compartilham mais os cuidados com a casa e os filhos, e as arquitetas podem se dedicar melhor à profissão. Porém, quando se trata de cargos de comando na área de arquitetura e urbanismo, dificilmente você vê uma mulher. Ainda há muito chão a percorrer.

 

CAU/BR: Quais foram suas maiores inspirações na arquitetura?

Giselle Moll Mascarenhas: Como urbanista e especialista em planejamento urbano e patrimônio, minhas maiores referencias femininas foram minhas professoras Maria Elaine Kohlsdorf e Suely Gonzales, grandes pensadoras do espaço urbano e do patrimônio. Lucio Costa é, sem dúvida, minha maior inspiração masculina.

 

CAU/BR: Como você acha que a arquitetura pode contribuir para a igualdade de gênero na sociedade?

Giselle Moll Mascarenhas: A arquitetura é tão plural, tão naturalmente acolhedora e universal, tudo o que acontece na vida, acontece em cidades ou edifícios: nascer num hospital, estudar em uma escola, percorrer uma praça ou uma ciclovia, caminhar em um parque urbano. A arquitetura é um campo vasto, no qual as mulheres podem atuar e se destacar em várias áreas: urbanismo, arquitetura de interiores, preservação do patrimônio, paisagismo e outros. Podem ser a expressão da sensibilidade feminina e da força da mulher. Trazer a atuação da mulher para o centro do debate de gênero, como o CAU e o IAB estão realizando, é fazer justiça às mulheres arquitetas e reduzir a desigualdade.

 

CAU/BR: Como você equilibra sua vida pessoal e profissional como arquiteta mulher?

Giselle Moll Mascarenhas: Como arquiteta e servidora pública, não tive muitas dificuldades nesse aspecto, meus chefes sempre foram compreensivos. Na época em que meus três filhos eram pequenos e quando eu precisava me dedicar mais ao trabalho, inclusive em viagens mais longas, tive uma rede de apoio familiar que facilitou muito. Nunca deixei de fazer o que era necessário e importante. Creio que demonstrar amor ao seu trabalho é a melhor forma de transmitir aos filhos a cidadania responsável, mas nunca deixei de estar ao lado deles no dia a dia e tenho certeza de que hoje se orgulham de mim.

 

CAU/BR: Como você vê a representatividade das mulheres na arquitetura e o que pode ser feito para aumentá-la?

Giselle Moll Mascarenhas: Primeiramente, temos que acreditar mais em nós mesmas e na capacidade de sobressair no cenário profissional, mas creio que essa nova geração não tem muitos problemas de autoestima como a minha tinha! Depois, as mulheres precisam apoiar outras mulheres. A sororidade é um sentimento novo em alguns meios. Uma das maiores dificuldades que encontrei na minha carreira foi a desconfiança de outras mulheres, por incrível que pareça. Por isso, é fundamental que apoiemos a mulher arquiteta e joguemos holofotes na sua atividade profissional, de modo que um dia possamos listar uma centena, um milhão de arquitetas e urbanistas que fazem do nosso país um lugar melhor para se viver.

 

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