CAU/BR

Entidades Nacionais de Arquitetos e Urbanistas debatem desafios da formação

 

No terceiro dia do Seminário de Formação, Atribuições e Atuação Profissional do CAU, arquitetos e urbanitas continuaram os debates sobre o que se espera dos profissionais que são formados todos os anos pelas faculdades brasileiras. Dirigentes das organizações que compõem o Colegiado das Entidades Nacionais de Arquitetos e Urbanistas (CEAU) apresentaram seus posicionamentos sobre o tema.

 

“Desde a pandemia tivemos mudanças drásticas nas nossas e vidas e precisamos ter uma nova visão. Vamos entregar uma atualização das Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de Arquitetura e Urbanismo que incorporem sustentabilidade, tecnologia e qualidade”, afirmou a presidente do CAU Brasil, Nadia Somekh. “Precisamos atingir aqueles que querem estudar para melhorar o país”.

 

Para a presidente da Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA), Eleonora Mascia, a estratégia dos Institutos Federais de interiorização do ensino superior conseguiu assegurar a qualidade na formação ao mesmo tempo em que ampliou a oferta de vagas. “Ampliar o acesso a que custo? O que vemos muitas vezes é o não-ensino, é a exploração dos alunos. Não podemos coadunar com esse tipo de prática”, disse.

 

Garantir a melhor estrutura possível seria um papel do poder público, segundo Eleonora. “Não só como definidor de uma política educacional, mas implementando nos municípios estruturas condizentes com as necessidades de ensino”, afirmou.

 

A presidente da Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo (ABEA), Ana Goes, criticou o Ministério da Educação (MEC) por autorizar um “número absurdo” de vagas para ingressantes. “Hoje são mais de 100.000 vagas autorizadas por ano”, disse. “Se eu tenho 1.000 vagas autorizadas, mas apenas 50 alunos matriculados, como eu administro essa infraestrutura? Não tem estrutura, é simples assim.”

 

Segundo ela, existem hoje 754 cursos de Arquitetura e Urbanismo em atividade no Brasil. Destes, 57% instituições privadas com fins lucrativos; 33% são de instituições privadas sem fins lucrativos e apenas 7% públicas. Maioria dos cursos recebeu notas 2 e 3 nas avaliações do MEC (numa escala de um a cinco).

 

O estudante Luccas Brito, diretor da Federação Nacional dos Estudantes de Arquitetura e Urbanismo (FeNEA), ressaltou os pontos principais que a formação de arquitetos e urbanistas deve alcançar. “A interdisciplinaridade, por exemplo, envolve a teoria e a prática não só dentro do curso, mas também com outros cursos, para trazer o exercício da ação coletiva”, disse.

 

Lucas também destacou que a formação profissional deve extrapolar a instrução técnica e abordar outros pontos de vista filosóficos, sociais, econômicos, etc. Outros pontos são a prática da extensão universitária e o estudo da história do Brasil, com os povos originários. “Temos um estudo eurocêntrico e acabamos deixando de lado o nosso país”, afirmou.

 

Para a presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), Maria Elisa Baptista, o aspecto mais importante na formação de arquitetos e urbanistas é o inconformismo. “É a vontade de mudar. Nunca se projeta para, mas sempre contra. Contra o que está para que mude. O ethos da nossa profissão tem uma clara função social de transformação”, disse.

 

“Se Arquitetura é a expressão cultural mais marcante de um povo, como educar os jovens para que eles se responsabilizem também por essa formação social?”, questionou Maria Elisa. “O projeto de Arquitetura é um processo intelectual e criativo cuja finalidade é melhorar a vida individual, coletiva e pública.”

 

A vice-presidente da Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas (ABAP), Doriane Azevedo, afirmou que a entidade apoia a formação generalista dos arquitetos e urbanistas. Promove ainda o Encontro Nacional de Ensino de Paisagismo em Escolas de Arquitetura e Urbanismo no Brasil (Enepea), cuja última edição em 2022 recebeu 80 trabalhos.

 

“Precisamos tornar a extensão obrigatória para aliar teoria e prática de forma crítica e propositiva. A pesquisa deve realimentar o ensino e a extensão. Nossa profissão tem um olhar multiescalar”, disse. “Arquitetura e Urbanismo se aprende no percurso.”

 

Danilo Batista, presidente da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA), acredita que os egressos têm que adquirir uma visão mais ampla do exercício profissional. “Não somos apenas profissionais de projeto. Atuamos de várias formas, seja em obras ou consultoria. Existe um leque de oportunidades”, afirmou.

 

Sobre a experiência dos escritórios de Arquitetura e Urbanismo com profissionais recém-formados, ele afirmou que falta mais atenção aos fundamentos do trabalho. “Existe uma preocupação demasiada com a imagem, com a apresentação, o visual. Precisamos trabalhar na essência, na concepção”, disse.

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