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Arquitetas Invisíveis: “Consegue citar três arquitetas reconhecidas mundialmente?”

Por Emerson Fonseca Fraga, Jornalista do CAU/BR

 

 

Lara Pita, Luiza Coelho, Gabriela Farinasso, Júlia Mazzutti e Hana Andrade, fundadoras do “Arquitetas Invisíveis” (Foto: AI/Divulgação)

 

“Você consegue citar o nome de três arquitetas reconhecidas internacionalmente?”, perguntou Júlia Mazzuti, estudante da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (FAU-UnB), ao auditório lotado de uma palestra no câmpus. “Todos nós aqui, profissionais da área ou não, a gente se lembra do Oscar Niemeyer, do Lucio Costa ou do famoso ‘menos é mais’ do Mies van der Rohe – mas quantos aqui se lembram das arquitetas?” (clique aqui para assistir à íntegra da conferência).

 

Fazer com que mais pessoas consigam responder positivamente a essas perguntas é uma das missões do grupo do qual Júlia faz parte, o “Arquitetas Invisíveis”. O coletivo foi fundado em 8 de março de 2014 por cinco então alunas de graduação em Arquitetura e Urbanismo que não se viam representadas nos livros, na imprensa e no imaginário coletivo sobre os grandes feitos da profissão.

 

“O coletivo Arquitetas Invisíveis surgiu da necessidade de mostrar a produção feminina no âmbito da Arquitetura e do Urbanismo”, explica a hoje arquiteta e urbanista Gabriela Cascelli, co-fundadora do grupo. “A gente percebeu que a falta de produção feminina não tinha nada a ver com a ‘falta da produção feminina’, era na verdade a falta de dar visibilidade para essa produção que já existia”, completa a profissional. Veja o vídeo de apresentação divulgado pelo coletivo, que faz pesquisas, estudos e divulga o papel da mulher na área:

 

 

“Por que a gente não estuda arquitetas durante a graduação? Tem uma inquietação dos estudantes e, em cima dessa inquietação a gente começou um trabalho de pesquisa”, conta Lara Pita, também co-fundadora do “Arquitetas Invisíveis”. O primeiro resultado foi a página no Facebook “Arquitetas Invisíveis” e uma exposição em Brasília que apresentou uma cronologia com 26 arquitetas e urbanistas de renome, em 2014. As estudantes lançaram ainda uma revista (clique aqui para saber mais) e uma página na internet (clique aqui para acessar).

 

Em 2015, em parceria com o portal ArchDaily, o coletivo ampliou o estudo e publicou uma série de matérias apresentando 48 arquitetas com produção relevante, dividas em sete categorias: pioneiras“nas sombras”arquiteturapaisagismoarquitetura socialurbanismo e arquitetura sustentável (clique na categoria para acessar o texto correspondente).

 

Em maio de 2017 o coletivo participou da primeira edição do seminário internacional “Onde estão as mulheres Arquitetas?”, realizado em São Paulo. Na ocasião profissionais nacional e internacionais, professores e professoras de diversas universidades, além de estudantes se reuniram para falar sobre a representatividade da mulher na profissão. Segundo Luiza Coelho, integrante do projeto Arquitetas Invisíveis, o evento “foi uma iniciativa extremamente importante. Reconhecemos que está é uma pauta atual, necessária e revelante dentro do universo brasileiro e que há diversas mulheres discutindo a questão pelo país. Assim unimos várias dessas mulheres e foi dado um salto na discussão de gênero dentro da arquitetura”.

 

A segunda edição da revista Arquitetas Invisíveis será lançada no dia 8 de março de 2018 no site oficial do projeto. Com o tema “Nas sombras”, a publicação será em inglês e português e trará mais de 30 artigos, já selecionados por chamada pública, com mulheres com produção significativa, mas pouco divulgada na Arquitetura, no Urbanismo, na Arte e em áreas fins.

 

 

As integrantes do coletivo fazem ainda palestras em todo o país. “A gente até pensa que a Arquitetura é uma profissão feminina, mas a representatividade não reflete esse dado. Queremos trazer o debate sobre essa falta representatividade. Isso tem consequências no mercado de trabalho. Ao longo da graduação, estagiei em escritórios de Arquitetura e Urbanismo, empresas de construção civil e órgãos públicos. E ainda é muito clara a distinção, especialmente no ambiente de obra, de forma quantitativa e hierárquica, entre homens e mulheres. Quando você tem mulheres, geralmente não estão em posições de chefia. Ficamos mais restritas à pesquisa e à Arquitetura de Interiores”.

 

“As ‘Arquitetas Invisíveis’ são, na verdade, todas as arquitetas mulheres, são todas as arquitetas que diariamente passam por dificuldades que os homens não passam e automaticamente têm seu trabalho invisibilizado pela sociedade”, explica outra das co-fundadoras do grupo, a arquiteta e urbanista Gabriela Cascelli. Atualmente, 62% do total de registros no CAU em todo o país é de arquitetas e urbanistas mulheres.

 

Visitantes na exposição “Arquitetas Invisíveis”, em 2014 (Foto: AI/Divulgação)

 

 

 

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= Veja mais histórias de arquitetas e urbanistas brasileiras

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