Crisa Santos: Memorial Parque das Cerejeiras – 1ª fase

CRISA SANTOS: Memorial Parque das Cerejeiras - 1ª fase (2010 / 2018)

São Paulo, SP
Fotos: Lucas Fonseca, Isis de Oliveira e Marcelo Oséas

Após uma renovação conduzida por Crisa Santos, o Parque das Cerejeiras, localizado no Jardim Ângela, Zona Sul de São Paulo, converteu-se em um memorial inédito – referência para outros projetos de cemitérios. Com a obra, o espaço de 300 mil metros quadrados recebeu edificações de traços orgânicos, envolvidas pela natureza – a fim de reconectar o ser humano com suas sensações mais instintivas, atenuando a dor do luto. Além disso, o lugar com extensa área verde ainda se abriu à comunidade de residentes do entorno.

Ao descrever a demanda do cliente para que reformulasse um antigo cemitério campal na zona sul paulistana, a arquiteta Crisa Santos refere-se ao evento como uma oportunidade. De fato, o convite motivou a profissional a estudar a fundo o tema, com o auxílio da neuroarquitetura – “que se vale da ciência para conceber projetos que criam sensações, provocando emoções nos usuários”, explica a arquiteta.

Nesse sentido, os equipamentos planejados por ela (alguns já finalizados, os demais previstos até 2025), exibem características marcantes. Primeiro a ser implantado, o mirante foi pensado para a comunidade: instalado em um barranco, com livre acesso para todos, respeitou o fato de que a população do Jardim Ângela já tinha por hábito acompanhar o pôr do sol dali. Afinal, o conceito da arquiteta para o Parque das Cerejeiras prevê o bem-estar de todos os visitantes, inclusive aqueles que o frequentam para caminhar, meditar ou apenas descansar.

A ideia de que o cemitério pertence a todos permeou também o desenho da portaria (antes havia um portão fechado), fluida e transparente, conectada agora a uma nova via para pedestres que facilita a circulação dos habitantes da região. 

O design paramétrico prevaleceu em alguns itens, visando levar às pessoas em luto um sentido de aconchego, fluidez, transformação – materializado por meio de formas orgânicas, sinuosas, que parecem se elevar rumo ao céu.

Além disso, o novo cemitério surgiu como uma galeria ao ar livre, com esculturas, obras de arte e instalações criadas exclusivamente para o local. A presença da natureza também foi garantida sempre que possível, com a preservação de um bosque existente e o replantio de árvores.

Ainda estão previstas outras construções de infraestrutura, como mais um mirante, um anfiteatro, o borboletário, além de um novo complexo de velório, sempre alinhado com a busca da reconexão com a natureza promovida pela biofilia, tendo como objetivo dar mais fluidez nas etapas do luto.

Texto resumido a partir de matéria publicada no Anuário 2020 da revista PROJETO

Arquitetura: Crisa Santos Arquitetos – Crisa Santos, Dayane Cardoso, Michelle Resende e Vera Ligia (autores); Maria Beatriz Monteiro, Ana Paula Ribeiro, Rodrigo Shuttleton, Ignez Souza (equipe)

Área de intervenção: 5.731 m2

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