HOMENAGEM

Falece José Celso Martinez Corrêa, diretor de teatro e defensor do patrimônio brasileiro

Foto: Paulo Pinto/Agencia PT

O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU Brasil) lamenta o falecimento do dramaturgo, diretor e ator José Celso Martinez Corrêa (1937-2023), conhecido como Zé Celso, nesta quinta-feira, dia 06 de julho, em São Paulo.

 

Zé Celso, além de sua importância histórica para o teatro brasileiro, foi um persistente defensor do patrimônio arquitetônico e da preservação do Teat(r)o Oficina. O edifício onde ele liderou e fundou a companhia homônima é um projeto da arquiteta modernista Lina Bo Bardi e Edson Elito e foi revolucionário por suas apresentações e manifestações artísticas e culturais.

 

Nomeado como melhor teatro do mundo na categoria “projeto arquitetônico” pelo jornal The Guardian em 2015, o projeto se destaca por “promover uma relação direta entre público e artistas”, além de se tornar, ao longo dos anos, num espaço de manifestações culturais e, ainda, sócio-políticas na cidade de São Paulo.

 

Nos anos 80, foi notória a disputa com o Grupo Sílvio Santos. Após a compra dos terrenos no entorno do edifício, o grupo SS consegue a aprovação para a construção de um shopping center num “vazio urbano”, que afetaria diretamente o teatro. Anos mais tarde, o Condephaat (conselho de defesa do patrimônio) determinou o veto à construção das torres do shopping, após uma longa mobilização por Martinez Corrêa e sua companhia de teatro.

 

A história do teatro

 

Teatro Oficina no bairro da Bela Vista na zona central da cidade de São Paulo. Crédito: Wikimedia Commons.

 

Localizado na Rua Jaceguai, no bairro da Bela Vista, em São Paulo, o prédio era conhecido como “teatro de manifestação” – por meio de suas expressões teatrais, de música e de dança. Partindo desse pressuposto e com o objetivo de aproximar o público dos artistas e tornar o espetáculo mais imersivo para o público, a primeira reforma foi realizada no local.

 

Comandada pelo arquiteto Joaquim Guedes, o teatro tomou um formato de “sanduíche” – ou seja, com o palco no centro e duas plateias ao redor. A ideia desse formato foi dada por Teat(r)o oficina, com foco na incorporação e diversidade de meios artísticos.

 

Foto: Nelson Kon

 

Em 1966, um incêndio tomou conta do lugar e uma nova reforma foi realizada posteriormente. Em 1981, o edifício foi tombado pelo CONDEPHAAT, que levou o teatro brasileiro a uma nova fase – sendo reconhecido como Patrimônio Público Estadual, em 1982.

 

No ano de 1984, a arquiteta Lina Bo Bardi entra em cena em parceria com o arquiteto Edson Elito com um novo projeto para o teatro. A obra foi concluída em 1994 trazendo o conceito de um teatro democrático, em que a rua parecia invadir o espaço cênico.

 

A reforma propôs uma passarela central com 1,5 metros de largura e com 50 metros de comprimento, entre os acessos frontais e dos fundos. Um elemento surpresa nessa construção é a cachoeira, que funciona por um sistema que deságua no espelho d’água. Com capacidade de até 350 lugares, o público é disposto em galerias laterais, distribuídas em quatro níveis diferentes. Essa disposição aproxima os espectadores, que passam a fazer parte da peça. Além disso, a disposição dos assentos permite que o espectador tenha sua própria lógica e diferentes pontos de vista durante a apresentação.

 

Dessa forma, Lina busca recuperar a filosofia do papel do homem no espaço. Seu projeto une a cultura e o simbolismo à arquitetura. No Teatro Oficina, um dos objetivos é conectar o edifício à cidade, por meio dos eixos demarcados.

 

O conforto térmico também é crucial, já que existem aberturas no nível do térreo e exaustores eólicos na cobertura. A circulação do ar também é feita pelo efeito “chaminé”, além dos materiais necessários para a qualidade acústica e luminotécnica.

 

Foto: Reprodução/Facebook/Teatro Oficina

 

Após as reformas feitas, os arcos foram mantidos – um simbolismo histórico do tempo da construção. As paredes laterais são feitas de concreto, que auxiliam na estabilidade das paredes de tijolos que abrigam as áreas da plateia, banheiros e camarins. Já as novas estruturas metálicas foram instaladas para suportar a cobertura e os mezaninos laterais.

 

Para reafirmar a ideia de Lina, de que a Rua deve invadir o teatro, há panos de vidro que permitem essa aproximação do externo e interno. Além disso, a arquiteta e Edson implementaram vegetais sobre o espaço interno, que ressaltam a ideia de tropicalidade brasileira e de elementos naturais. Assim, a vegetação o espaço e ressalta a história do local com as peças antigas que ainda estão presentes.

 

(Com informações do CAU/SP e Casa Vogue)

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