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Falece Leonardo Benevolo, um dos mais importantes historiadores da Arquitetura

 

O arquiteto e urbanista italiano Leonardo Benevolo, um dos mais importantes historiadores e críticos da Arquitetura do mundo Ocidental, faleceu no dia 05/01/17,  em sua casa na província de Bréscia (Itália). Ele é autor do livro “História da Arquitetura Moderna”, leitura obrigatória em quase todas as faculdades de Arquitetura e Urbanismo no mundo, e de outras obras clássicas como “História da Cidade” (a mais conhecida), “A Arquitetura do Novo Milênio”, “Origens do Urbanismo Moderno” e “A Cidade Europeia”. Foi professor das Faculdades de Arquitetura e Urbanismo das Universidade de Florença, Veneza, Palermo e Roma, na Itália.  Benevolo obteve reconhecimento internacional, nas últimas décadas do século passado, por defender de forma pioneira uma visão integrada entre a Arquitetura e o Planejamento Urbano: o espaço, a sua utilização e quem o ocupa forma um todo só e não pode ser dissociado. 

 

Além da proposição inovadora de seus trabalhos, “uma das maiores qualidades, aquela que talvez tivesse garantido o sucesso entre os jovens estudantes, foi o caráter didático e discursivo dos seus textos, de fácil e apaixonante leitura”, nas palavras do arquiteto e historiador Roberto Segres, também italiano, ex-professor da UFRJ, já falecido, em 2008, em resenha do livro “Arquitetura do Novo Milênio” publicada pelo Vitruvius.

 

Além da atividade acadêmica, Leonardo Benevolo desenvolveu uma intensa atividade profissional, como a construção da nova sede da Feira de Bolonha e os planos diretores de Ascoli Piceno, de Monza e do centro histórico de Bolonha e o plano regulatório de Monza, entre outros. Em Bréscia, tinha um escritório onde trabalhava com os seus filhos Alessandro e Luigi.

 

Em 2012, publicou seu último livro: “O Colapso do Urbanismo na Itália”. Benevolo nasceu em Orta San Giulio (na província de Novara) em 25 de setembro de 1923. Leia aqui um artigo escrito por Benevolo para o jornal “El País”, sobre centros históricos (em espanhol). 

 

Reportagem do Jornal da Tarde mostra visita de Leonardo Benevolo a São Paulo

 

VISITA AO BRASIL – Leonardo Benevolo esteve no Brasil na década de 1980, a convite da FAU-USP, onde ministrou um curso três semanas no Departamento de História da Arquitetura e Estética do Projeto. “As salas do prédio da FAU, ainda na rua Maranhão, ficavam lotadas”, recorda o arquiteto e professor Benedito Lima de Toledo, responsável pelo convite ao italiano,  juntamente com os arquitetos e professores Nestor Goulart Reis Filho e Dácio Ottoni. 

 

“A convivência com Leonardo Benevolo foi interessantíssima. Era um tipico italiano, mas não daqueles pitorescos, com muita curiosidade sobre tudo. Queria saber da história dos prédios, dos bairros, da geografia da cidade, como se deu seu adensamento…Eu cheguei a fazer um sobrevoo de monomotor por parte da Grande São Paulo e da Baixada Santista com ele, que ainda me deu a honra de redigir o prefácio de meu livro São Paulo, três cidades em um século“,  conta Lima de Toledo, lamentando a morte do amigo.

 

Na maior parte do sobrevoo sobre a maior cidade brasileira, Leonardo Benevolo evitou emitir opiniões, mas à medida em que o avião avançava a expressão do dele ia ficando grave. Até que, ao final de um passeio de quase duas horas, ele não se conteve: “É um problema difícil de resolver” – como revela reportagem do Jornal da Tarde de 29/10/1980. Ele ficou impressionado com a escala monstruosa das duas regiões metropolitanas ao verificar que entre elas “o único lugar onde o homem ainda não construiu casas” era na Serra do Mar (o que já não é verdadeiro hoje). Também lhe causou impacto  a invasão de bairros de residências baixas por edifícios enormes, o que também só se agravou nas últimas décadas. Clique aqui para ler a reportagem completa. 

 

Leia também artigo “Leonardo Benevolo, o grande mestre autor de obras de referência da Arquitetura”,  de Benedito Lima de Toledo, escrito especialmente para o CAU/BR

 

 

Nestor Goulart Reis Filho afirma que a passagem de Leonardo Benevolo pela FAU-USP foi muito importante pois coincidiu com um período de consolidação do Departamento de História. “Ficamos muito contentes com sua disposição de vir ao Brasil e aprendemos muito com ele. Tinha um conhecimento e uma didática de excelente qualidade”. Para Nestor Goulart, Benevolo “foi fundamental para nossa geração, pois foi o primeiro a relacionar a história da Arquitetura com a história do Urbanismo, indo além do que Sigfried Giedion já caminhara nessa direção com seu clássico ‘Espaço, Tempo e Arquitetura”.  Tinha também um olhar especial para os programas de habitação de interesse social. Enfim, deixa uma obra que respaldou muitas pesquisas e a estruturação do campo do conhecimento sobre a história de nosso fazer”. 

 

Ele esteve também em Salvador, Recife, Brasília e no Rio de Janeiro. 

 

 

Referências bibliográficas:
BENEVOLO, L. História da Cidade. São Psulo: Editora Perspectiva, 1993.
BENEVOLO, L. As origens da urbanística moderna. Tradução de Conceição Jardim e Eduardo L. Nogueira. Lisboa: Provença, 1981.
BENEVOLO, L. A cidade e o arquiteto: método e história na arquitetura. Tradução de Attilio Cancian. São Paulo: Perspectiva, 1984.
BENEVOLO, L. O ultimo capitulo da arquitetura moderna. Tradução de José Eduardo Rodil. São Paulo; Lisboa: Martins Fontes: Edições 70, 1985.
BENEVOLO, L. Historia da arquitetura moderna. Tradução de Ana M. Goldberger. São Paulo: Perspectiva, 1989.
BENEVOLO, L. Introdução à arquitectura. Tradução de Maria Manuela Ribeiro; revisão de tradução de Artur Lopes Cardoso. Lisboa: Ed.70, 1991.
BENEVOLO, L. A cidade na história da Europa. Tradução de Maria Jorge Vilar de Figueiredo. Lisboa: Presença, 1995.
BENEVOLO, L. A arquitetura no novo milenio. Tradução de Leticia Martins de Andrade. São Paulo: Estação Liberdade, 2007.

 

(Fonte: Endici-Enciclopédia Discursiva da Cidade)

 

Leia também:

 

Morre Leonardo Benevolo, o urbanista que redesenhou a periferia (reportagem, em italiano, do jornal Corriere de la Sera)

 

Adeus a Leonardo Benevolo, historiador da Arquitetura (reportagem, em italiano, do jornal La Repubblica)

 

 

Publicado em 06/01/2017, atualizado em 07/01/2017

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