ASSESSORIA PARLAMENTAR

Haroldo Pinheiro defende criação de Institutos de Planejamento metropolitanos

A criação de Institutos de Planejamento nas regiões metropolitanas do país foi defendida pelo presidente do CAU/BR, Haroldo Pinheiro, em audiência pública  promovida pela Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara dos Deputados em 19/08/15.

 

Presidente do CAU/BR, Sr. Haroldo Pinheiro, em audiência sobre Estatuto das Metrópoles na Câmara dos Deputados

 

A audiência foi proposta e presidida pelo deputado Toninho Wandscheer (PT-PR). Debatedores apontaram os principais desafios de estados e municípios para adequarem suas regiões metropolitanas às diretrizes do Estatuto da Metrópole (Lei13.089/15) até o final de 2017 – prazo final previsto na lei. O descumprimento do prazo implica crime de responsabilidade de governadores e prefeitos.

 

Para que o Estatuto se torne realidade, estados e municípios terão que elaborar nos próximos três anos um plano de desenvolvimento urbano integrado para suas metrópoles, semelhante ao plano diretor das cidades com mais de 20 mil habitantes. Um dos obstáculos para a elaboração do plano integrado, porém, é a ausência de uma estrutura de governança interfederativa, responsável pela gestão compartilhada de funções públicas, como o transporte coletivo urbano, o saneamento básico, a habitação e serviços de destinação final de lixo, entre outras.

 

Haroldo Pinheiro lembrou que, ao serem instituídas as principais regiões metropolitanas, na década de 1970, foram criados órgãos técnicos que orientaram o planejamento e a organização territorial dessas áreas. Essa estrutura, contudo, foi desmontada ou minimizada ao longo do tempo, por serem consideradas resquícios da ditadura, com impacto na autonomia dos municípios consagrada pela Constituição de 1988.

 

“Essa descapitalização técnica do Estado, especialmente nas áreas de Arquitetura, Urbanismo e Engenharia, mas igualmente de sociólogos, economistas, advogados e outros importantes agentes que se interagem no planejamento territorial, foi prejudicial para as regiões metropolitanas e igualmente para as cidades que as compõem”, disse o presidente do CAU/BR.

 

“Hoje, na falta dessas estruturas técnicas, o papel dos planejadores urbanos foi entregue aos empreiteiros. Essa infeliz rendição levou à construção, por exemplo, de núcleos habitacionais do Minha Casa Minha Vida sem infraestrutura, longe do tecido urbano. Nunca antes no país investimos tanto, de forma concentrada, em habitação. Mas investimos errado, pois esse dinheiro poderia ser empregado também na criação de melhores condições para nossas cidades”, completou.

 

GOVERNANÇA INTERFEDERATIVA – “O governo federal tem disponibilizado muitos recursos para regiões metropolitanas e esse tem sido um grande atrativo para muitas cidades. Mas falta uma instância de governo nessas regiões que nos permita pactuar esses investimentos”, observou a assessora de Assuntos Federativos da Presidência da República Paula Lousada, durante audiência pública Conforme o Estatuto da Metrópole, a governança interfederativa precisa contar com uma instância executiva, com representantes do Poder Executivo; uma instância colegiada deliberativa, com representação da sociedade civil; uma entidade pública com funções técnico-consultivas; e um sistema integrado de alocação de recursos e de prestação de contas.

 

Segundo Lousada, o estatuto esbarra também na falta de critérios nacionais para a criação de regiões metropolitanas. “Isso acaba atrapalhando o planejamento de politicas públicas federais voltadas para regiões metropolitanas, uma vez que essas regiões têm características muito diferentes. Seria muito bom definir nacionalmente os critérios para a criação dessas regiões”, disse Lousada.

 

70 REGIÕES METROPOLITANAS – Diretor de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marco Aurélio Costa apresentou um retrato recente das regiões metropolitanas do País.

 

Segundo ele, nos últimos anos muitos estados criaram suas regiões metropolitanas privilegiando características geográficas e de desenvolvimento regional, e não legais. “Em 2010, eram 36 regiões metropolitanas no País. Atualmente, existem 70. Houve um descolamento do conceito previsto em lei para a criação de região metropolitana”, ressaltou Costa.

 

Ele entende que os estados têm o direito de criar ou não regiões metropolitanas, mas, por outro lado, a União também pode não reconhecer algumas regiões metropolitanas como tais se elas não estiverem respeitando os critérios formais.

 

CONCEITO – Pelo estatuto, metrópole ou região metropolitana é o espaço urbano com continuidade territorial que, em razão de sua população e relevância política e socioeconômica, tem influência nacional ou, no mínimo, sobre uma capital regional, nos moldes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Hoje o País tem 12 capitais que são consideradas metrópoles porque exercem influência sobre vários municípios vizinhos.

 

“É preciso construir uma nova institucionalidade para regiões metropolitanas. A ideia é que esse espaço se prepare para atender aos critérios legais das regiões metropolitanas, para, só assim, contar com recursos federais”, completou Costa.

 

SEM ESTRUTURA – O vice-presidente da Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano (Emplasa), Luiz Jose Pedretti, destacou que pouquíssimas regiões metropolitanas do País possuem hoje uma estrutura de governança interfederativa.

 

“Hoje, muitas regiões metropolitanas ainda não estão habilitadas para executar um plano metropolitano porque o Estatuto da Metrópole exige essa estrutura interfederativa”, disse Pedretti, ressaltando que o território da Macrometrópole Paulista já conta com essas estruturas.

 

 

Com informações da Agência Câmara.

Publicada em 20/08/2015.

3 respostas

  1. EXISTE MUITA COERÊNCIA NA EXPLANAÇÃO,SINTO QUE MINHA CIDADE REÚNE TODAS CONDIÇÕES PARA SER A SEDE DE NOVA REGIÃO METROPOLITANA
    TEMOS OS TÉCNICOS DAS VÁRIAS ÁREAS PARA FAZER O NECESSÁRIO PLANEJAMENTO E OS RECURSOS QUE ADVIRÃO MERECEM O DEVIDO RIGOR EM SUA IMPLEMENTAÇÃO, SEJA NO TRATAMENTO COLETIVO DO LIXO,PLANEJAMENTO DO USO DO SOLO E DEMAIS ITENS.
    MINHA OBSERVAÇÃO É QUE AS PESSOAS QUE VENHAM Á COLABORAR, NÃO RECEBAM SALÁRIOS POR ISTO,FATO QUE EM SÍ JÁ É SUFICIENTEMENTE HONROSO PARA O CIDADÃO !
    EU COMO ENG AGRÔNOMO , GOSTARIA DE FAZÊ-LO.

  2. Sou Ipeana e trabalhei em 1979 na formação das primeiras regiões metropolitanas no Brasil. Creio que os técnicos e governantes ignoram os critérios básicos que norteiam a definição de RM. Estou aposentada e sem vinculação a nenhum estudo sinto muita tristeza de ter participado tanto, estudado tanto e ter este conhecimento armazenado e não utilizado em estudos sérios desta área que em constante mutação e vida, pois a cidade é viva e em crescente mudanças….

  3. O Presidente da CAU/BR, Arq. Haroldo Pinheiro, disse o que realmente é essencial: necessidade de se ter estrutura e técnicos capacitados para fazer o planejamento das Regiões Metropolitana. Aliás, a falta de técnicos (arq., eng., geógrafos, etc), a falta estrutura adequadas e o relacionamento técnico dentro da unidade federativa e o relacionamento destes com outras unidades federativas foi desaparecendo nas últimas 4 décadas. Em qualquer cidade brasileira ou qualquer unidade da federação é fácil demonstrar tais carências. Todos nós perdemos: habitantes, autoridades e empreendedores – não há sustentabilidade adequada às políticas públicas. Um exemplo simples: o PAC é uma lista de obras, regra geral sem qualquer planejamento integrado, perdendo ótima oportunidade de ampliar fundamentos e sinergia, visando melhor aproveitar os recursos financeiros em prol de todos. Outro exemplo simples de observar: o caos na mobilidade urbana. Mais outro exemplo simples: as cidades não viabilizaram cumprir a remoção dos lixões (e adiaram o cumprimento de lei especifica). Mais: o saneamento básico, problema resolvido na Europa no séc. XIX,no Brasil ainda não chegou para mais de 40% da população, ou seja, para mais de 80 milhões de brasileiros… Precisamos de enxergar a realidade como ela é… O empreiteiro amigo do governante não foi solução nas últimas décadas e não será.

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