ENTREVISTAS

Gabriela Tenorio sonha com o dia das “primeiras mulheres” terem assumido tudo  

Destaque na área de urbanismo na Academia, com especialidade em espaços públicos, Gabriela de Souza Tenorio é mineira de Juiz de Fora (MG), mas desde 1974 adotou a capital federal como local para viver. Dentre seus maiores desejos, o de que “vai chegar o dia em que ‘as primeiras mulheres’ terão assumido tudo e feito de tudo na arquitetura e em todas as áreas”.

 

Em entrevista exclusiva ao Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR), dentro da campanha #MulherEspecialCAU, Tenorio destacou que seus principais interesses estão vinculados à morfologia urbana: uso, apropriação e desenho de espaços públicos e intervenções urbanas em áreas consolidadas principais “Gosto de fazer levantamento de campo e de contar gente”, completa a arquiteta e urbanista, mestre e doutora pela FAU/UnB, desde 1996.

 

Conselheira do CAU/DF na gestão 2018/2020, atuou principalmente na Comissão Ordinária de Ensino e Formação (CEF). Atualmente, é professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (FAU/UnB).

 

Soma-se às suas ações profissionais a criação e coordenação do Centro de Estudo de Espaços Públicos (CEEP) da FAU/UnB. Além disso, é colunista do site Caos Planejado e diretora do Centro de Planejamento Oscar Niemeyer, da UnB.

 

Conheça um pouco mais desta importante mulher e profissional da arquitetura e urbanismo:

 

Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR): Você já enfrentou discriminação de gênero no campo da arquitetura?

Gabriela de Souza Tenorio: Sou professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (FAU/UnB), desde 1995, e sempre tive a sorte de estar num ambiente de respeito e nunca ter sofrido qualquer tipo de discriminação de gênero. Sempre me deparei com colaboração, respeito e trocas.

 

(CAU/BR): Como você equilibra sua vida pessoal e profissional como arquiteta mulher?

Gabriela de Souza Tenorio: Ao longo desses anos, assumi cargos, representações e desenvolvi atividades que me exigiram muita dedicação. Penso que consegui encontrar um equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal sendo organizada, antecipando demandas, aprimorando processos, e ensinando todo mundo a colaborar em casa. Sempre deixei claro para meus filhos Pablo e Geórgia meu amor pelo que faço e minha certeza de que isso me fazia uma mãe melhor. Eles cresceram me vendo assumir responsabilidades e dizendo sim para oportunidades dentro e fora do ambiente acadêmico, como na experiência enriquecedora de ser conselheira do CAU/DF, onde aprendi muito e me vi trabalhando com mulheres inspiradoras, comprometidas com nossa profissão. Acho que também é um bom legado para as gerações futuras: que nossos filhos nos vejam como protagonistas e que isso seja muito natural para eles.

 

(CAU/BR): Como você vê a representatividade das mulheres no seu campo de atuação?

Gabriela de Souza Tenorio: Já há algum tempo as mulheres são maioria na FAU/UnB, seja no corpo docente, seja no discente, e acho que isso também ocorre em quase todo as escolas de arquitetura e urbanismo do país. Na minha faculdade tem sido um privilégio acompanhá-las. É fascinante ver, entre minhas estudantes, a diversidade de interesses que têm e vê-las lançarem-se corajosamente às suas carreiras, desempenhando a profissão em diferentes vertentes como arquitetas conscientes e dedicadas. Estou certa de que elas irão, pouco a pouco, mudar o cenário da arquitetura e urbanismo no país. Dentre minhas colegas, vejo mulheres admiráveis que encabeçam iniciativas, desbravam áreas de conhecimento, destacam-se dentro e fora da sala de aula, dispõem-se a assumir cargos, tudo isso administrando com competência as várias esferas da vida, para poderem-se dedicar à educação e à construção de conhecimento na arquitetura e urbanismo. O Brasil precisa muito dessas mulheres.

 

(CAU/BR): Como você vê o papel da mulher na arquitetura hoje em dia?

Gabriela de Souza Tenorio: Vejo-a, ainda, no papel de inaugurar lugares. Recentemente fui convidada para dirigir o Centro de Planejamento Oscar Niemeyer (CEPLAN)), órgão responsável pelo projeto e planejamento dos campos da UnB, e foi durante esse processo que me dei conta de que esse cargo nunca esteve nas mãos de uma mulher. É muito sintomático isso, de a gente ainda não perceber de imediato, em algumas situações, a ausência das mulheres ocupando certos lugares. Ver a primeira mulher a assumir isso ou a fazer aquilo ainda é algo que nos vai chamar a atenção por algum tempo. Mas vai chegar o dia em que “as primeiras mulheres” terão assumido tudo e feito de tudo, na arquitetura e em todas as áreas, em todos os cantos do planeta. Eu quero muito viver para ver isso acontecer.

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