PATRIMÔNIO HISTÓRICO

Imóveis públicos podem resolver problemas urbanos do Rio de Janeiro

(crédito: Arquivo UFRJ)

Em audiência pública promovida pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro, a vice-presidente do CAU/RJ, Noemia Barradas, defendeu que a carteira imobiliária da União esteja à serviço de política pública focada nos desafios da cidade. A reunião, que ocorreu na manhã desta segunda-feira, 23 de agosto, contou com a presença de diversos representantes da sociedade civil e de entidades públicas, tendo como pauta a intenção de venda do Palácio Gustavo Capanema.

 

Noemia destacou que a discussão sobre a venda do Capanema ocorre a nível internacional, pois o edifício é considerado joia da arquitetura mundial. A arquiteta e urbanista criticou ainda a iniciativa do Governo Federal de relacionar imóveis públicos tombados e em pleno uso no “feirão de imóveis”. Na visão da vice-presidente do CAU/RJ, os imóveis públicos devem ser utilizados para solucionar os problemas presentes nas cidades brasileiras, em ações com foco na transformação social do espaço urbano.

 

De acordo com Noemia, vários imóveis que integram a lista do leilão da União são símbolos da história da cidade do Rio de Janeiro e do Brasil. “Temos um conjunto grande de edifícios com potencial de transformação social”, afirmou. “Esses bens são representantes de um momento, de um período importante da nossa história, memória e da nossa própria identidade. Precisamos rever o que está sendo feito. O Capanema sempre funcionou com instituição referência da nossa memória. Não podemos simplesmente esvaziar o edifício e dar um novo uso. Ele tem uma vocação e sempre teve uso pleno”, continuou. A arquiteta e urbanista lembrou também do edifício A Noite, na Praça Mauá, que abrigou a Rádio Nacional. O prédio já foi à leilão por duas ocasiões, ambas sem sucesso. Citou ainda com preocupação o Anexo da Biblioteca Nacional, na Zona Portuária. “O edifício passa por reformas. O Governo Federal investiu R$ 21 milhões através do Fundo de Direito Difuso, e a avaliação imobiliária é de R$ 12 milhões. Quais os critérios que estão sendo utilizados? Vão desalojar esse acervo?”, questionou.

 

Capanema é patrimônio sociocultural do país

 

As demais falas presentes na audiência pública, mediada pelo presidente da Comissão de Cultura da Câmara Municipal do Rio, o vereador Reimont, reforçaram a importância do Palácio Gustavo Capanema como o patrimônio histórico sociocultural do país, apresentando a incoerência presente em uma possível privatização do mesmo. Maria Eduarda Guerra, neta de Gustavo Capanema, defendeu que o legado deixado pelo avô seja preservado: “Este prédio é o grande legado que meu avô deixou, não só para a cidade do Rio, mas para todo o Brasil. Além do valor arquitetônico, existe ali um projeto de construção de nação e de memória. Mesmo que ele não seja leiloado, foi importante ter entrado nesta lista para discutir todos os outros prédios que não são tão conhecidos.”

 

A comunidade arquitetônica brasileira e internacional se posicionou contra a possível privatização do Palácio Capanema, considerado um marco da Arquitetura Moderna mundial.  CAU/RJ, CAU Brasil e outras 20 entidades, lançaram a nota “O MEC não pode ser vendido!”. Divulgada em 13 de agosto, o documento foi uma das primeiras manifestações pública contra a potencial venda do prédio do Palácio Capanema. Na sexta-feira, 20 de agosto, representantes da sociedade civil organizada realizou ato de repúdio em frente ao Capanema. O “Trincheira Capenama” reuniu dezena de artistas e profissionais ligados ao campo da Cultura em frente do Palácio Gustavo Capanema.

 

Palácio Gustavo Capanema

 

O Palácio Gustavo Capanema é resultado do encontro de nomes como Lucio Costa, Oscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, Carlos Leão, Ernany de Vasconcelos e Jorge Machado Moreira, com a consultoria de Le Corbusier. O bem, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1948, representa o marco da arquitetura moderna em nosso país. A área ocupada pelo prédio de 16 pavimentos e seus jardins é de 27.536 metros quadrados.

 

O edifício sobre pilotis pousa elegantemente na esplanada com jardins de Roberto Burle Marx e a escultura Juventude de Bruno Giorgio. No térreo, revestido com painéis de azulejos de Candido Portinari, encontram-se as obras de Prometeu e o Abutre de Jacques Lipchitz.

 

Em 1943, o Palácio Capanema foi considerado, pelo Museu de Arte Moderna de Nova York, o edifício mais avançado em construção no mundo: “o Rio de Janeiro possui o mais belo edifício governamental no hemisfério ocidental – o novo Ministério da Educação e Saúde”, como destacou, à época, o jornal The New York Sun. Ele é a obra brasileira mais citada em livros de arquitetura, mundo afora, como o primeiro edifício monumental do mundo a aplicar diretamente os conceitos da Arquitetura Moderna de Le Corbusier. As grandes obras que consagraram a geração de Lucio Costa e Oscar Niemeyer tiveram ali sua inspiração: Pampulha, Cidade Universitária da UFRJ e Brasília.

 

Fonte: CAU/RJ

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