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IV Conferência de Arquitetura e Urbanismo: Diversidade, equidade e transformação em debate no último dia do evento

Mesa-redonda “Para Onde Vamos?” foi coordenada pela conselheira do CAU Brasil Cláudia Sales

 

No último dia da IV Conferência de Arquitetura e Urbanismo, arquitetos e urbanistas e convidados especiais debateram o tema “Para Onde Vamos?”, com foco na inclusão e transformação. Destacou-se a importância da Arquitetura e do Urbanismo no envolvimento comunitário, a melhoria da qualidade de vida e os desafios enfrentados pelos ambientes urbanos. 

 

No mês da Consciência Negra, a conselheira do CAU Brasil Cláudia Sales relembrou o trabalho da Comissão Temporária de Ações Afirmativas. “Conseguimos avançar na política de diversidade e equidade. São avanços pontuais, esperamos que o CAU consiga dar continuidade à luta por mais justiça e mais diversidade”, afirmou. “Vamos lutar não apenas pelo direito de existir, mas pelo direito de ocupar.” 

 

Para a arquiteta e urbanista Joice Berth, autora do livro “Se a cidade fosse nossa” (Paz e Terra/2023), a profissão precisa se adaptar às mudanças sociais. “Nós arquitetos e urbanistas temos que ocupar o nosso lugar no debate público sobre as cidades e sobre outras questões. Nosso conhecimento técnico vem acompanhado de uma bagagem intelectual”, disse. 

 

Arquiteta e urbanista Joice Berth falou das ttransformações sociais

 

Segundo ela, a sociedade brasileira é estruturada sobre três alicerces: machismo, racismo e hierarquia de classes. “Precisamos desafiar essas estruturas e combater os seus efeitos. O abandono do povo negro após a abolição da escravidão é o lastro histórico dos desabamentos de terra que acontecem todos os anos”, afirmou. 

 

“Cidades são desiguais porque as estruturas sociais marcam as fronteiras da exclusão. A atuação do arquiteto e urbanista também é política. Quem vai propor políticas públicas de urbanismo senão quem estudou esse tema na faculdade?”

 

Promover a transformação é o papel principal do CAU, ressaltou o ministro-substituto do Tribunal de Contas União (TCU), André Luís de Carvalho. “O CAU deve ser como a ANATEL da Arquitetura e Urbanismo, definindo normas técnicas para guiar decisões sobre o meio ambiente urbano”, disse. “A responsabilidade técnica do CAU é crucial para evitar soluções leigas na administração pública.”

 

Ministro-substituto do Tribunal de Contas União (TCU), André Luís de Carvalho

 

Segundo André, inclusive as políticas de meio ambiente das cidades também deveriam ser feitas por arquitetos(as) e urbanistas. Como por exemplo a decisão de onde será localizado um parque urbano. “São decisões que precisam de uma consciência técnica”, afirmou. “Por isso cabe ao CAU estudar soluções técnicas que rompam as limitações.” 

 

O terceiro participante convidado, o jornalista e ativista Arthur Bugre, levantou a questão do “Direito à Cidade” para indivíduos trans e negros como ele. Ele relatou como o espaço público é hostil para corpos não normativos. “Meu deslocamento da cidade é uma tensão. Eu só quero chegar em casa. E isso é exaustivo”, contou. “Para uma pessoa trans, ir ao banheiro é um dilema, todos os dias. Retiram o nosso direito de ir e vir.”

 

Ativista e jornalista Arthur Bugre

 

Segundo Arthur, a inclusão e diversidade nos cursos de Arquitetura e Urbanismo são fundamentais para uma transformação efetiva. “Precisamos antes trabalhar nossos vieses inconscientes, rever esses conceitos, senão será uma transformação arrastada, amarrada”, disse.  

 

Confira a íntegra da Mesa-Redonda: 

 

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