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Lina Bo Bardi: o desenho na carreira multidisciplinar da arquiteta

Quando se fala em grandes arquitetas brasileiras, o primeiro nome que surge é o de Lina Bo Bardi. Apesar de nascida na Itália em 1914, a arquiteta se naturalizou como brasileira em 1951, onde se consolidou como referência na arquitetura moderna.

 

No mesmo ano, Lina projetou sua própria casa, a Casa de Vidro, no bairro Morumbi, em São Paulo. A casa, que foi tombada como patrimônio histórico em 1987, virou referência de racionalismo artístico no Brasil e hoje abriga o Instituto Lina Bo e P. M. Bardi, que promove o estudo e a pesquisa nas áreas de arquitetura, design, urbanismo e arte popular brasileira.

 

Abertura da exposição “Lina Bo Bardi Drawing”, na na Fundació Joan Miró, em Barcelona. Foto: Pep Herrero.

 

Neste ano, em que Lina Bo Bardi completaria 105 anos, a artista está em evidência no exterior com a exposição “Lina Bo Bardi Drawing”, na Fundació Joan Miró, em Barcelona, até o dia 26 de maio. A mostra é a primeira exposição a focar no papel do desenho na vida e na obra de Lina. A exibição conta com 100 desenhos cuidadosamente selecionados do acervo de mais de 6 mil ilustrações do Instituto Lina Bo e P. M. Bardi.

 

Lina formou-se em Arquitetura na Universidade de Roma, em 1940. Logo após se graduar, a arquiteta mudo

u-se para Milão, onde abriu o estúdio “Bo e Pagani”, em parceria com o arquiteto Carlo Pagani, e colaborou para várias revistas de arquitetura e arte. Em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial, a sede do seu escritório foi bombardeada. Lina integrou, então, o Partido Comunista Italiano, onde conheceu seu marido, o crítico de arte Pietro Maria Bardi, e mudaram-se definitivamente para o Brasil.

 

Convidados pelo Assis Chateaubriand, Pietro Bardi fundou e dirigiu o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP) e Lina projetou, em 1957, a nova sede do Museu de Arte de São Paulo (MASP), localizado no Parque Trianon, na Avenida Paulista.

 

Em 1958, Lina mudou-se para Salvador por um convite para dirigir o Museu de Arte Moderna da Bahia. Em Salvador, a arquiteta assinou o projeto de restauro, revitalização e adaptação do antigo Solar do Unhão, um conjunto arquitetônico do século XVI catalogado como patrimônio histórico na década de 1940, um espaço vivo, que abrigaria teatro, debates, música e artes plásticas.

 

De volta a São Paulo, onde viveu até sua morte, em 1992, Lina executou outros grandes projetos para a arquitetura nacional, como o edifício do Sesc Pompéia (1977) e o Teatro Oficina (1984). Sua obra engloba também trabalhos de cenografia, artes plásticas, desenhos e design gráfico.

 

 

A exposição “Lina Bo Bardi Drawing”, em Barcelona, tem curadoria de Zeuler Rocha Lima – arquiteto, artista, pesquisador e especialista internacional em Bo Bardi – com apoio da Fundació Banco Sabadell.

 

Mais do que uma ferramenta de trabalho, para Lina, o desenho era um meio de expressão primário guiado por um forte senso de curiosidade e de dúvida. Os desenhos exibidos na exposição serão complementados por imagens de suas obras construídas e de suas demais atividades como artista visual.

 

Ilustrações expostas na mostra Lina Bo Bardi Drawing. Foto: Cortesia Fundación Joan Miró

 

De acordo com o curador Zeuler Rocha Lima, a exposição não busca promover uma interpretação geral dos desenhos de Lina, nem oferecer uma seleção dos trabalhos da arquiteta considerados mais agradáveis visualmente. Em vez disso, a mostra fornece uma genealogia concisa e uma constelação de imagens, convidando o visitante a estar em contato com uma grande variedade de desenhos de Lina e formar associações diante das muitas facetas do trabalho da artista.

 

Ilustrações expostas na mostra Lina Bo Bardi Drawing. Foto: Cortesia Fundación Joan Miró

 

 

Por Beatriz Castro, estagiária, com a supervisão de Júlio Moreno.

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