ARQUITETURA SOCIAL

Live ressalta valor da ATHIS para realizar sonhos e valorizar potencialidades. Veja.

A história das famílias que batalham durante gerações para ter acesso a moradia digna é, acima de tudo, uma história de sonho e esperança. “Se tem tanto causo de construção inadequada é porque o povo de baixa renda é sonhador. Mas na hora de realizar, encontra os empecilhos que são a falta de acesso, de igualdade econômica e oportunidades”, definiu a jornalista Amanda Dias durante a live promovida pelo CAU Brasil no dia 10 de junho. Além de Amanda, que é empreendedora especializada em educação financeira para pessoas de baixa renda, o CAU Brasil também recebeu a arquiteta e urbanista Riva Feitoza, pioneira em arquitetura popular no estado de Sergipe. A conselheira Camila Leal Costa foi a mediadora da conversa que segue disponível para acesso no canal do CAU Brasil no Youtube e também abaixo.

 


 

 

 

Riva Feitoza fala sobre a arquitetura social com a autoridade de quem viveu as dores da falta de acesso à moradia e direitos básicos na própria pele. Quinta filha da família, cresceu numa casa de apenas um cômodo e não esquece a primeira vez que viu um banheiro, aos 14 anos, quando limpava a casa da patroa. Estimulada pela mãe, conseguiu estudar e escolheu o curso técnico de edificações. “Decidi que era este o cenário que eu queria mudar: desenhar casa e fazer o melhor”. Com muito esforço, concluiu também a graduação em Arquitetura e Urbanismo e desde 2004 já realizou diversos projetos de ATHIS no seu estado e pela região. 

 

Para Riva, a moradia precisa contemplar a identidade dos seus moradores. “A moradia traz um contexto social de dentro de um ser humano”, destacou. Idealizadora do coletivo CANES (Coletivo de Arquitetes Negres de Sergipe), a arquiteta é uma defensora da ATHIS como potencialidade dentro da arquitetura, para além de uma ferramenta de solução de problemas.“Estas comunidades não tem só problemas, mas tem potencialidades e é isso que precisamos considerar: a identidade, a história, o pertencimento. Temos que levar essas potencialidades para o poder público”, aponta.

 

Representatividade

 

A baiana Amanda Dias, que mantém o perfil @granapretaoficial nas redes sociais, acredita que a percepção da arquitetura como direito passa pelo enfrentamento das desigualdades estruturais. “A pandemia escancarou que a arquitetura é uma questão de saúde pública. É uma dívida do estado com a maioria da população brasileira”, disse, evocando a necessidade de ampliar a representatividade política. “Nós já temos uma lei federal aplicada. Então, por que isso não está acontecendo nos estados, nos municípios?”, perguntou a jornalista.

 

No Brasil, mais de 70% da população pobre é classificada como negra ou parda, conforme a mais recente pesquisa Sínteses dos Indicadores Sociais (SIS), do IBGE. A pesquisa Déficit Habitacional e Inadequação de Moradias no Brasil, realizada pela Fundação João Pinheiro (FJP) para o Ministério do Desenvolvimento Regional, aprofunda o perfil de quem mais demanda por serviços básicos, como a ATHIS. 60% das 5.876 milhões de moradias com déficit habitacional tem mulheres são responsáveis e mais de 42% do total das habitações precárias brasileiras estão no nordeste.

 

Diante deste contexto, a primeira live da campanha Mais Arquitetos oportunizou um feito histórico: o encontro de três mulheres pretas nordestinas que se dedicam ao tema da habitação popular . “É muito significativo a gente estar aqui hoje, todas nós nordestinas, falando da realidade que não é só nossa”, disse a conselheira Camila Leal Costa, ao receber as convidadas.

Sobre a série

 

Durante todo o mês de junho, o CAU Brasil promoverá encontros virtuais para colocar em conexão arquitetos e arquitetas experientes em projetos de ATHIS e produtores de conteúdo dirigido à população de baixa renda. A próxima edição, no dia 17, das 19  às 20 horas, e reunirá o conselheiro federal Matozalém Santana, de Tocantins; o influenciador digital Paulo Vieira; e o arquiteto e urbanista Paulo Jordão, da Prefeitura de Porto Nacional (TO). 

 

Sobre a Campanha Mais Arquitetos

 

A Campanha Mais Arquitetos entende a defesa da implementação da  Assistência Técnica em Habitação de Interesse Social como prioridade absoluta em tempos de pandemia.​ Para promover esta cultura, procura abranger tanto arquitetos e urbanistas quanto gestores públicos e moradores de comunidades que necessitam de melhorias em suas habitações.​ Saiba mais no hotsite https://caubr.gov.br/moradiadigna/

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