#MulherEspecialCAU

Mesmo capacitada, arquiteta é preterida em promoção por não ser homem e não ter filhos para sustentar

 

1982 marcou negativamente o início da vida profissional de Graciete Guerra da Costa, em Manaus. Mesmo capacitada, deixou de receber uma promoção por merecimento pelo simples fato do outro selecionado ser casado, ter mulher e filhos para sustentar. Apesar de triste, a arquiteta e urbanista deu a volta por cima e conquistou inúmeras conquistas na profissão.

 

Atualmente é coordenadora do Doutorado Interinstitucional (Dinter) Tríplice Fronteira Norte PROARQ-UFRJ/UFRR, curso oferecido pelo Programa de Pós-graduação em Arquitetura (PROARQ) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Roraima (UFRR),

 

Pós-doutora pelo Programa de Pós-Graduação do Instituto de Relações Internacionais (IREL), na Universidade de Brasília (UnB) no tema da fronteira Norte do Brasil, 2014.

 

É também mestra e doutora em Arquitetura e Urbanismo pelo Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (PPG/FAU) da UnB, em 2006 e 2011.

 

Arquiteta pela UFPA, 1980, e em Língua Francesa pela Université de Nancy I, 1980, trabalhou como arquiteta e urbanista em diversas cidades brasileiras: Belém, Manaus, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Boa Vista.

 

Líder do Grupo de Pesquisa Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo de Roraima, do CNPq, Graciele Guerra é também conselheira do CAU/RR.

 

Veja, a seguir, trechos da entrevista que encerra, neste domingo, a homenagem do Conselho de Arquitetura do Brasil (CAU/BR) a todas as mulheres arquitetas e urbanistas do país, ação da campanha #MulherEspecialCAU:

 

Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU/BR): Como você vê o papel da mulher na arquitetura hoje em dia?

Graciete Guerra da Costa: Ainda são raros os projetos assinados por mulheres. Não vejo melhoria neste tema. Nos ambientes de trabalho tipicamente masculinos é nítido a mulher não ter espaço para exercer suas muitas habilidades projetuais. Na pesquisa, elas são mais comprometidas.

 

CAU/BR: Quais são os maiores desafios que você enfrentou como arquiteta mulher em sua carreira?

Graciete Guerra da Costa: Os maiores desafios enfrentados por mulheres são conciliar os três expedientes: no trabalho; educação dos filhos/marido e da casa. Quando assumem funções de chefia enfrentam toda sorte de assédio moral, insultos e falta de respeito. No meu primeiro emprego como arquiteta, em Manaus, 1982, devido a minha capacidade de entregar projetos antes do prazo, fui selecionada para uma promoção por merecimento. Na hora da votação no Comitê, a promoção ficou com um engenheiro, e a justificativa para promovê-lo foi a de que ele era casado, tinha mulher e filhos para sustentar, e que eu não tinha filhos, que era muito bem-casada e que não precisava nem estar trabalhando. Aquilo me marcou muito. Fiquei muito triste na época.

 

CAU/BR: Quais foram suas maiores inspirações na arquitetura?

Graciete Guerra da Costa: Na área do Urbanismo foi Carmen Velasco Portinho, engenheira, urbanista e feminista brasileira que lutou pelo direito do voto, em 1919. Ela teve grande influência no Plano Piloto de Brasília e introduziu o conceito de Habitação Popular no Brasil. No paisagismo Rosa Grena Kliass sempre foi de excelência em grandes projetos paisagísticos e um exemplo para nós.

 

CAU/BR: Qual é a sua abordagem para projetos de arquitetura sustentável?

Graciete Guerra da Costa: Os projetos de arquitetura sustentável, na minha opinião, devem estar relacionados com a aspiração da população/instituição/cliente a ser atendida, o ambiente onde serão implantados, uso de materiais locais e as condições climáticas a que serão submetidos. Além da beleza, devem ter funcionalidade e facilidade/custo de manutenção.

 

CAU/BR: Quais são suas estratégias para se manter atualizada com as tendências e novas tecnologias na arquitetura?

Graciete Guerra da Costa: Não são muitas: nunca parar de estudar, no momento estou fazendo um curso de IA; ler sempre as novidades; manter suas amizades e seu network sempre atualizado; nunca desperdiçar oportunidades e, por último a mais importante, manter o foco.

 

CAU/BR – Como você vê a representatividade das mulheres na arquitetura e o que pode ser feito para aumentá-la?

Graciete Guerra da Costa – A representatividade das mulheres na arquitetura é fraca. Elas são sempre ajudantes e coadjuvantes como força de trabalho. As mulheres precisam estudar mais e avançar na capacitação tecnológica, fazer cursos de gestão e empreendedorismo para assumirem grandes projetos e planos de cidades.

 

CAU/BR – Quais conselhos você daria para jovens arquitetas que estão começando suas carreiras?

Graciete Guerra da Costa – Nunca parar de estudar, mantendo o vínculo com a sua universidade para continuar seus estudos de pós-graduação ou tentar um curso no exterior (Itália, França, Espanha, Alemanha, Holanda, México, EUA e outros.

 

Em suas salas de pós, estabelecer network com os colegas e se relacionar profissionalmente com os melhores.

 

Escolher empresas grandes para trabalhar, e arquitetos sêniores, que possam lhes transmitir confiança e experiência.

 

Nunca atrasar projetos e ser generosos com seus clientes, entregar sempre um algo mais, além do contrato, pois muitas vezes esse vai ser o diferencial para o próximo projeto.

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