ENTREVISTAS

#MulherEspecialCAU: Liza Andrade tem forte atuação na defesa da sustentabilidade dos habitats urbanos e rurais do DF

 

Na semana da celebração do Dia Mundial da Água (22/03), o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) ouviu a professora Liza Andrade, especialista na temática das cidades sensíveis à água, como uma das convidadas para a campanha #MulherEspecialCAU.

 

Graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mestre e doutora em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de Brasília (UnB), Liza Andrade é professora e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da UnB – mestrado e doutorado –, do Curso de Especialização Reabilitação Ambiental Sustentável Arquitetônica e Urbanística (REABILITA).

 

A especialista é também coordenadora do Curso Lato Sensu e Programa de Residência Multiprofissional CTS – Habitat, Agroecologia, Economia Solidária e Saúde Ecossistêmica da FAU/UnB, integrado ao Núcleo de Política de Ciência, Tecnologia e Sociedade (NPCTS/CEAM/UnB).

 

Com estudos voltados para a sustentabilidade dos habitats urbanos e rurais, essa grande mulher é ainda líder do Grupo de Pesquisa e Extensão “Periférico, trabalhos emergentes” e do Laboratório Periférico nos trabalhos de assessorias sociotécnicas nos territórios populares e comunidades tradicionais. Além disso, é vice-líder do Grupo de Pesquisa “Água e Ambiente Construído”, com o projeto “Brasília Sensível à Água”.

 

Atuou no Conselho de Saneamento Básico do Distrito Federal (CONSAB/DF), no período da pandemia (2020/2022), representando o Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento do Distrito Federal (IAB/DF), quando ajudou a criar o GT Populações Vulneráveis. Foi coordenadora de Extensão (2018/2020), membro da Câmara de Extensão da UnB (2016/2020) e do EMAU/CASAS (2013/2020 Proext 2015 Ecoagrovila Renascer).

 

Atualmente, participa das Redes: BrCidades (Núcleo DF Metropolitano); Moradia-Assessoria no Brasil (USP); Convergência Socioecológica e Nucleação das Residência em Arquitetura e Urbanismo (LabHabitar/UFBA).

 

Além disso, desenvolve pesquisa sobre A produção do habitat no território do Distrito Federal e entorno, os ecossistemas urbanos e rurais e a assessoria sociotécnica: tipologias e padrões espaciais, informalidade, redes solidárias, tecnologia social, agroecologia e lugares saudáveis e sensíveis à água.

 

Confira, a seguir, trechos da entrevista exclusiva ao CAU/BR:

 

Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR): Como você acha que a arquitetura pode contribuir para a igualdade de gênero na sociedade?

Liza Andrade: A arquitetura social tem forte ligação com as mulheres nas comunidades. São elas que se envolvem nos processos de projeto e planejamento, fato que pode contribuir para o crescimento pessoal e o fortalecimento da igualdade de gênero nos territórios.

 

CAU/BR: Qual é a sua abordagem para projetos de arquitetura sustentável?

Liza Andrade: Na verdade, a minha preocupação e estudos sempre foram voltados para a sustentabilidade dos habitats urbanos e rurais, desde a escala do edifício à escala da cidade, integrando as estratégias de sobrevivência, passando pela construção das moradias com terra, a questão da água, a produção dos alimentos agroecológicos, o tratamento de resíduos, o ecosamento e a questão energética. Procuro sempre conectar a cidade e o campo na bacia hidrográfica, pensar em territórios sensíveis à água, lutar contra a injustiça e racismo ambiental, pensar na convergência socioecológica que envolve os ecossistemas urbanos e rurais e o design social, envolvendo as comunidades nos processos de projeto e planejamento.

 

CAU/BR: Como você equilibra sua vida pessoal e profissional como arquiteta mulher?

Liza Andrade: Não é muito fácil, porque o trabalho do cuidado da mulher com a casa e a família exige tempo e disposição, assim como o trabalho profissional. Portanto, sempre há uma sobrecarga, principalmente para a gente que trabalha com a extensão universitária nos territórios nos finais de semana. Quando posso ficar em casa, gosto de cozinhar para a família e amigos.

 

CAU/BR: Você já enfrentou discriminação de gênero no campo da arquitetura? Como lidou com isso?

Liza Andrade: Sim. Por trabalhar com a temática das cidades sensíveis à água, participo de muitos eventos de saneamento, onde há predominância de engenheiros sanitários, que não têm uma visão mais abrangente e sistêmica da questão da água. As mulheres conseguem dialogar melhor com outras áreas do conhecimento, necessárias para avançar na visão transdisciplinar da água.

 

CAU/BR: Quais são suas estratégias para se manter atualizada com as tendências e novas tecnologias na arquitetura?

Liza Andrade: No nosso grupo e laboratório Periférico da FAU/UnB, trabalhamos com tecnologia social e ambiental ou socioecológica, portanto, a inovação acontece naturalmente nos processos que envolvem adequação sociotécnica nos territórios onde trabalhamos. Existe uma diversidade de temas e comunidades, seja nas periferias, nas áreas rurais, nos territórios quilombolas e indígenas que demandam estudos constantes por novas tecnologias

 

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