EQUIDADE DE GÊNERO

Neide Mota de Azevedo e Guilah Naslavsky

Liana de Barros Mesquita e Neide Mota de Azevedo, agosto de 2009. Fonte: MESQUITA; MOTA, 2017

 

Neide Mota de Azevedo nasceu em 1932, na cidade de São Bento do Una, interior do Estado de Pernambuco. Filha de agricultores, aos nove anos foi morar no Recife para dar continuidade aos estudos.

 

Iniciou o curso de Arquitetura em 1953, se formando na Escola de Belas Artes de Pernambuco em 1957.

 

Como estudante, integrou a equipe do escritório técnico da cidade universitária e foi contratada como arquiteta durante o período de 1958 a 1964, por indicação do professor Evaldo Bezerra Coutinho.

 

Durante o curso, foi marcada pelos ensinamentos do professor Acácio Gil Borsoi, que tinha o hábito de levar seus alunos para as obras que desenvolvia nesse período e que foi o responsável por despertá-la para o gosto pelos detalhes arquitetônicos da edificação.

 

Em sua trajetória, a arquiteta auxiliou as pesquisas para Cajueiro Seco de Acácio Gil Borsoi e Gildo Guerra, desenvolvidas na Universidade, sob coordenação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), entre 1962 e 1963. A experiência favoreceu a fundação do Centro de Habitação da Universidade do Recife.

 

Orientou a sua carreira para o campo da investigação, em particular, sobre as técnicas construtivas tradicionais do Nordeste no Centro de Habitação, criado em 1963. A partir de 1964, Neide passou a coordenar o centro que foi renomeado para Centro de Estudos e Programação em Moradia (CEPHAB), em 1967.

 

O CEPHAB permitia que Neide mantivesse a ligação institucional com a FAUR, onde a arquiteta teve uma bem sucedida carreira de pesquisadora, combinando dois tipos de vocações: a do técnico e a do pesquisador.

 

Realizou pós-graduações em outros países da América Latina, entre eles: Colômbia (1963), no Centro Interamericano de Habitação e Planejamento (CINVA); e em Lima, no Curso Regular de Planejamento Urbano e Regional do Programa Interamericano de Planejamento Geral da OEA (1972).

 

Atuou com profissionais como sociólogos, economistas, assistentes sociais, planejadores urbanos e engenheiros. As atividades do Centro eram subsidiadas pelas agências estaduais de planejamento, SUDENE e FIDEM (criada em 1972).

 

Desenvolveu projetos para o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e para a SUDENE pesquisando alternativas no campo de habitação popular com a utilização de técnicas construtivas tradicionais. Coordenou o convênio da Universidade do Recife com a SUDENE em estreita colaboração com a Escola de Serviço Social onde participou de atividades didáticas.

 

Neide ainda colaborou com o treinamento das assistentes sociais para o projeto de auto ajuda empreendido pelo Mosteiro de São Bento de Olinda.

 

Em seus projetos, a arquiteta buscava uma experiência abrangendo diversos aspectos. Além do uso de materiais e técnicas construtivas, buscava também soluções de abastecimento d´água para a guarda e cocção de alimentos, assim como o tratamento dos espaços interno e externo das edificações. Buscou materiais não industrializados resultantes da simples extração em fontes naturais como, por exemplo, o barro, a madeira, a palha, entre outros, tão comuns na região Nordeste.

 

Neide, justamente com as arquitetas Liana Mesquita e Ivone da Silva Salsa, desbravou o Nordeste documentando suas construções e buscando subsídios para o trabalho com habitação popular, tendo elaborado a pesquisa Métodos Construtivos Tradicionais, em 1978.

 

Suas pesquisas sobre as técnicas construtivas abriram uma nova perspectiva de atuação profissional e possibilitaram a criação de um núcleo de pesquisas de habitação. Além disso, protagonizou a descoberta e desenvolvimento, com Liana Mesquita de um novo campo profissional: a ecologia urbana e a paisagem cultural.

 

Neide Mota de Azevedo uniu em sua trajetória profissional a familiaridade com as construções populares de seu passado vivido em meio rural ao gosto e sensibilidade pelos detalhes construtivos implícitos nas técnicas tradicionais do Nordeste. Faleceu em 2015.

 

 

Guilah Naslavsky

 

Arquiteta formada pela UFPE Guilah Naslavsky concluiu seu mestrado em 1998 e o doutorado em 2004 pela FAUUSP. É professora associada III no DAU/UFPE, do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Urbano MDU/UFPE e coordenadora do Laboratório da Imagem de Arquitetura e Urbanismo

 

Arquiteta formada pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em 1992, Guilah Naslavsky concluiu seu mestrado em 1998 e o doutorado em 2004, pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP). É professora associada III no DAU/UFPE, desde 2010. É professora do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Urbano MDU/UFPE desde 2011 e coordenadora do Laboratório da Imagem de Arquitetura e Urbanismo desde 2013.

 

Foi professora visitante, entre 2015-2016, na Escola de Arquitetura da Universidade do Texas (SOA/UT), com bolsa CAPES. Publicou Arquitetura Moderna em Recife, 1949-1972, no ano de 2012 e organizou Brasil, Nordeste, Mulheres arquitetas, em 2021. Atualmente é bolsista Fulbright (2021/2022).

 

 

Entrevista com a pesquisadora

 

  1. Explique a sua pesquisa resumidamente (metodologia, variável e unidade de análise, recorte temporal).

Pesquisa em acervos da Escola de Belas Artes de Pernambuco, registrando as arquitetas formadas pela escola, o ano de ingresso e de formatura, e depois pesquisando suas trajetórias profissionais por meio de entrevistas e pesquisas em periódicos e acervos pessoais com um recorte temporal de 1948 até 1976.

 

Essa pesquisa foi elaborada em conjunto com minhas alunas de iniciação científica do PIBIC UFPE. Maria Luiza Rocha, Rafaela Lins e Letícia Toscano.

 

 

  1. O que te motivou a pesquisar sobre o tema?

A percepção da invisibilidade das arquitetas.

 

 

  1. Qual a relevância da(s) arquiteta(s) pesquisada(s) para a historiografia da Arquitetura e do Urbanismo?

Grande relevância. As arquitetas pesquisadas atuaram em diversas áreas e muitas delas chefiaram escritórios. Continuam a despeito do talento, sendo discriminadas e não têm até hoje o mesmo reconhecimento que seus pares masculinos.

 

 

  1. Comente os dificuldades e/ou especificidades enfrentadas pela(s) arquiteta(s) pesquisada(s) no exercício profissional relacionadas ao fato de ser(em) mulher(es)?

O machismo e misoginia presentes em nossa sociedade até hoje. Sobretudo na área de construção civil.

 

 

  1. Indique link(s) ou arquivo(s) para demais informações sobre a sua pesquisa, ou artigos publicados relacionados ao tema (podendo incluir referências bibliográficas de outras autorias).

 

Trabalhos completos publicados em anais de congressos:

 

NASLAVSKY, Guilah; VALENCA, M. L. R. M. . As ‘outras’do ‘outro’:Pioneiras arquitetas no Nordeste Brasileiro: migrações, gênero e regionalismo.. In: 13o. Seminário DOCOMOMO Brasil, 2019, Salvador. Arquitetura moderna brasileira. 25 anos do Docomomo Brasil. Todos os mundos, um só mundo. Salvador-BA: Instituto dos Arquitetos do Brasil. Departamento da Bahia., 2019. p. 1-14. Disponível AQUI.

 

Artigos completos publicados em periódicos:

 

NASLAVSKY, Guilah; VALENCA, M. L. R. M. ; LINS, R. S. . Os Saberes Localizados da Prática das Arquitetas no Nordeste Brasileiro. CADERNOS DE PÓS GRADUAÇÃO EM ARQUITETURA E URBANISMO (MACKENZIE. ONLINE), v. 21, p. 107-127, 2021.

 

NASLAVSKY, Guilah. Tradição do Nordeste brasileiro na obra de três arquitetas: Lina Bo Bardi, Janete Costa, e Neide Mota Azevedo-Financiamento CAPES. In: 7 Docomomo Norte Nordeste, 2018, Manaus. 7 Docomomo Norte Nordeste. Manaus: UFAM. Disponível AQUI.

 

Livros publicados/organizados ou edições:

 

NASLAVSKY, Guilah; GATI, A. H. (Org.) . Brasil, Nordeste, mulheres arquitetas: migrações, gênero e regionalismo. 720. ed. Recife: Editoria Universitária da UFPE, 2021. 176p .

 

Capítulos de livros publicados:

 

NASLAVSKY, Guilah; VALENCA, M. L. R. M. ; GATI, A. H. Pioneiras arquitetas em Pernambuco? migrações, gênero e regonalismo. In: Guilah Naslavsky; Andréa Gáti. (Org.). Brasil, Nordeste, Mulheres Arquitetas: migrações, regionalismo, gênero. 1ed.Recife: Editora UFPE, 2021, v. , p. 40-64.

 

NASLAVSKY, Guilah; CARNEIRO, Ana Rita Sá . Da habtação popular à paisagem do Nordeste: Uma reflexão sobre regionalismo e gênero. In: Guilah Naslavsky e Andréa Gáti. (Org.). Brasil, Nordeste, mulheres arquitetas: migrações, regionalismo, gênero. 1ed.Recife: Editoria UFPE, 2021, v. 1, p. 104-125.

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