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Neila Janes Viana Vieira: o papel da arquitetura na segurança para as mulheres

A coordenadora da Comissão de Ensino e Formação do CAU/MS, Neila Janes Viana Vieira, em palestra para aproximadamente 150 acadêmicos de todas as faculdades de arquitetura e urbanismo de Campo Grande, no dia 21 de fevereiro, destacou o papel da profissão na construção de cidades seguras para as mulheres. O encontro teve como tema: “O Arquiteto e Urbanista do Século XXI: a formação e a responsabilidade” e foi realizado no Auditório multiuso da UFMS, com participação também da Uniderp, UCDB, Unigran Capital e Facsul.

 

Depois de muita pesquisa, análises e debates sobre o tema, a Mestra em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional concluiu que as mulheres são as que mais sofrem com a forma como as cidades são planejadas. “A maior parte das cidades brasileiras ainda pratica um planejamento urbano conservador, elitista e clientelista, o processo de especulação imobiliária é muito forte e dominante, e a presença de áreas ociosas, os famosos vazios urbanos, acabam gerando muita especulação”.

 

Arquiteta e urbanista Neila Janes Viana Vieira apresentando o resultado de sua pesquisa, “O papel da arquitetura na segurança para as mulheres”, para as Faculdades de Arquitetura de Campo Grande. Foto: Acervo pessoal.

 

Com depoimentos de mulheres e adolescentes sobre suas dificuldades em ocupar os espaços onde vivem, colhidos pela campanha do ActionAid, Neila destacou algumas situações vividas em diferentes cidades brasileiras. “As cidades são desiguais com poucas áreas que possuem toda a infraestrutura – onde mora a menor parte da população, que é rica – e grandes áreas com pouca infraestrutura – onde mora a maior parte da população, que é pobre. Além disso, a cidade é construída por todos, mas apenas uma parcela da população pode usufruir totalmente a cidade”.

 

A arquiteta mostrou também que a pesquisa realizada pelo movimento ActionAid aponta uma grande proximidade entre a segurança das mulheres e a valorização do direito à cidade, através de políticas públicas urbanas, como transporte, moradia, educação, lazer, iluminação pública e coleta de lixo. “O cenário de precariedade no oferecimento nos serviços públicos urbanos de qualidade tem tornado a vida das mulheres nas cidades, em especial as pobres, um enorme desafio”.

 

Na palestra, mais de 150 acadêmicos de todas as faculdades de arquitetura de Campo Grande. Foto: Acervo pessoal.

 

O levantamento do ActionAid foi realizado em 2013, em quatro estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Norte e Pernambuco. Um dos serviços avaliados foi a iluminação pública, considerada regular para 40% das 306 mulheres ouvidas, e ruim ou péssimo para 51%. 73,9% das mulheres entrevistadas relataram já ter mudado o trajeto para desviar da escuridão.

 

Outro número que chama atenção é que 70,6% das entrevistadas já deixou de sair de casa em determinado horário com receio de sofrer algum tipo de assédio ou violência. Ao serem perguntadas sobre em qual ambiente se sentiam mais seguras, a maior parte das mulheres respondeu que era a própria casa, reforçando os dados de que os espaços públicos não oferecem segurança para as mulheres. A arquiteta afirma, ainda, que uma cidade mais segura para as mulheres certamente é uma cidade mais segura para todos.

 

 

Por Stephanie Ribas, Analista de Comunicação do CAU/MS

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