ARQUITETOS EM DESTAQUE

Nota de Pesar e memória: Demetre Anastassakis (1948-2019)

O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) manifesta seu pesar com a morte do arquiteto e urbanista Demetre Anastassakis em 27 de julho. Seu extenso trabalho no campo da Habitação Social seguirá como referência na Arquitetura e Urbanismo no Brasil e no mundo. Sempre criativo, inovador e empreendedor.

 

Nosso colega deixou um legado que inclui o Conjunto São Francisco, em São Paulo, o projeto Novos Alagados, em Salvador, o Moradas da Saúde e a reurbanização do Conjunto da Maré, no Rio de Janeiro, como parte do programa Favela-Bairro – do qual foi um dos idealizadores. Este último trabalho foi exposto na Bienal de Arquitetura de Veneza.

 

Reurbanização do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro

 

Demetre Anastassakis nasceu em Atenas, na Grécia, e veio para o Brasil aos oito anos de idade. Formou-se pela Universidade federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com pós-graduação em Planejamento Urbano e Regional. Fundou seu escritório próprio, liderou o coletivo Co.Opera.Ativa, participou de inúmeros concursos e foi um dos criadores do bloco cerâmico estrutural, espécie de tijolo que substitui o cimento e fácil montar – ideal para mutirões de construção. 

 

Demetre em frente ao Conjunto Residencial Moradas da Saúde / Rodrigo Bertamé.

 

Participou ativamente da política profissional. Atuou como ex-presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) e do IAB-RJ, e também como vice-presidente do Sindicato Nacional de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco) no Rio de Janeiro. Representou o IAB no Conselho das Cidades.  Em 2006 recebeu o Prêmio de Arquiteto do Ano da Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA). 

 

Como presidente do IAB-RJ,  ajudou a elaborar com o secretário municipal de Urbanismo, Luiz Paulo Conde, o Programa Favela-Bairro, que completa agora 25 anos desde seu início. Era secretário de Habitação, na época, o arquiteto Sérgio Magalhães,  Como presidente do IAB Nacional, ajudou na construção do Conselho de Arquitetura e Urbanismo. Também promoveu os Concursos do Rio-Cidade. 

 

Demetre Anastassakis era um exemplo de vanguardismo, talento e coragem em nossa profissão. Sentiremos sua falta e nos apoiaremos sempre em suas lições.  Oferecemos nossos sentimentos e solidariedade à companheira, colega Cláudia Pires, aos filhos, demais familiares e aos amigos. 

 

 

Mutirão do Conjunto São Francisco, em São Paulo

 

ALGUNS PROJETOS

 

O Complexo da Nova Maré (1993) destinou-se a abrigar moradores de antigas palafitas da região da baia da Guanabara. O projeto de Novos Alagados (2003), em Salvador buscou  soluções diferentes à remoção compulsória das ocupações inadequadas em  assentamentos precários, onde vivem milhares de famílias, mas a sua integração urbanística como suporte para o desenvolvimento social e para a melhoria das condições de habitabilidade destas comunidades.

 

O conjunto habitacional Jardim São Francisco (Setor VIII) foi resultado de um concurso nacional destinado à construção de habitação de interesse social no município de São Paulo no ano de 1989.  A equipe vencedora, coordenada pelo arquiteto Demetre Anastassakis, buscou soluções inovadoras para os espaços internos da unidade habitacional, bem como na configuração dos espaços públicos.  O conjunto foi erguido por mutirão.

 

O arquiteto  também atuou em planejamento urbano, consultoria imobiliária e planos diretores para prefeituras, entre elas Nova Iguaçu, Paracambi, Nilópolis, Magé e São João de Meriti. Foi professor na USU e na UFJF.  Ele estava internado no Hospital Português, no Rio Comprido.

 

ARQUITETURA INCLUSIVA

 

Demetre, muitas vezes citado como “arquiteto dos pobres”,  por causa de seu foco permanente na  problemática da habitação para a população de baixa renda, defendia maior espaço para os arquitetos e urbanistas atuarem nesse campo. “O Rio de Janeiro é uma cidade com grandes áreas de aterramento, Manguinhos, Flamengo e Vigário Geral são alguns exemplos disso. Os governantes deixaram as pessoas construírem moradias nessas ‘não cidades’. E sempre tem gente querendo culpar a população por morar nesses locais. O que se precisa é fortalecer a implementação de programas de assistência técnica popular. As pessoas fazem seus ‘puxadinhos’ sem critério. Essa assistência auxilia para a construção com o mínino de segurança. Essa é uma forma de prevenir a construção insegura e em áreas de grande risco. Assim podemos prevenir grandes tragédias.”

 

 O arquiteto em comunidade da zona Leste de São Paulo

 

Demetre  Anastassakis também criou seus próprios trabalhos, sem esperar encomendas. Esse lado “incorporador” levou ao surgimento do Condomínio Vila Valverde, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, concluida em 2018, e anteriormente o Moradas da Saude (onde morava), que antecipou a regeneração da região vizinha ao porto do Rio de Janeiro. Durante a II Conferência Nacional de Arquitetura e Urbanismo, promovida pelo CAU/BR em 2017,  ele convocou arquitetos de todo o Brasil a buscarem terrenos disponíveis, movimentos sociais e empreiteiras para fazer as habitações de interesse social. “Arquitetos podem fazer um prédio sem esperar governo nenhum. O governo não empreende, só cria as condições. Neste caso, as condições estão postas. Tem  bilhões disponíveis do FGTS, e a gente não pega. Vamos começar”.

 

O arquiteto fazia a mesma proposta em relação às ações de Assistência Técnica em Habitação Social. “As pessoas ficam esperando regulamentar a Lei de Assistência Técnica no estado, no município. Aloca recurso e vamos em frente. Não tem que esperar uma lei estadual para cumprir uma lei federal, isso é uma burrice”, disse.

 

Em 2015, às vésperas do lançamento da terceira fase do programa Minha Casa Minha Vida, Demetre defendeu uma flexibilidade na tipologia das habitações para atender as diferenes necessidades das famílias.  “Poderia ser mais maleável. Se o sujeito quer pagar por mais um quarto, por que não? Se outro prefere um quitinete no centro, por que não?”. Também dizia que as  construções deveriam  ficar o mais próximo possível dos centros urbanos, com mais facilidade de acesso a transporte, educação, saúde e outros serviços públicos.

 

Demetre defendia com vigor suas ideias e princípios. “Nasci na Grécia e tenho orgulho da dialética. O importante é o diálogo. Tenho opiniões fortes. Dialogo até com o capeta. Fui preso e dialoguei com o torturador. […] Não é vergonha ter opiniões fortes que podem mudar, eu não posso é ter opiniões fracas.”, disse em 2004 em entrevista à revista Projeto.

 

REPERCUSSÃO

 

O arquiteto faleceu no Rio de Janeiro, no Hospital Português do Rio Comprido, onde estava internado, lutando contra uma isquemia no aparelho digestivo. A despedida ocorrerá em velório a ser realizado no dia 1º de agosto, de 8 às 12hs, na sede do IAB (Beco do Pinheiro, 10, Flamengo, Rio de Janeiro).  A cerimônia de cremação acontecerá no mesmo dia, reservada aos familiares.

 

“Foi com profundo sentimento de vazio que recebi a notícia da partida do colega Demetre Anastassakis”, aifrma o presidente do CAU/BR, Luciano Guimarães. “Conheci-o ainda no início da década de 1990 já tendo dele uma excelente imagem por suas atividades como arquiteto ligado à habitação popular e ao IAB RJ. Em 1994 quando da eleição que resultou o Ceará assumindo a Direção do IAB, tendo sido eleito para cargo de presidente nacional o colega Romeu Duarte para a gestão 1994/96, nos aproximamos mais ainda. Destaco, como lembrança da época, o trabalho que desempenhou com brilhantismo quando foi designado para Chefe da representação brasileira na reunião do HABITAT, em Istambul, Turquia, em 1996”.

 

O presidente do CAU/BR lembra também que “com muito vigor, espírito inovador  e um admirável talento, Demetre soube enfrentar os obstáculos da injustiça com os mais carentes e deixa legados emblemáticos para a  Arquitetura Social no país. Sua atuação frente ao IAB/DN foi um importante passo para a construção do CAU, que contou com sua colaboração permanente em conferências e seminários dos quais resultaram importantes posicionamentos sobre políticas públicas. Seus trabalhos e ideais sobreviverão e servirão de exemplo para a nossa e as futuras gerações de arquitetos e urbanistas preocupados com a inclusão”.

 

Em nota, o presidente nacional do IAB, Nivaldo Andrade, lembrou que “em diversas reuniões do Conselho Superior do IAB, assim como em audiências e debates públicos, Demetre se emocionava ao defender, com energia e vigor, seus valores e ideias. Contudo, Demetre era, ao mesmo tempo, doçura e abraços com aqueles com quem, poucos minutos antes, discutia fervorosamente. O “Grego” era puro coração, sem que isso fosse contraditório com a lucidez dos seus argumentos”.

 

“As opiniões fortes, a sagacidade, a generosidade e o otimismo de Demetre farão muita falta ao IAB, à arquitetura brasileira e a bandeiras como o Direito à Cidade e à Moradia Digna, especialmente na delicada conjuntura política e econômica na qual se encontra o nosso país”, completa outro trecho da nota.

 

“Arquiteto e urbanista de projeção nacional, Demetre apresentava uma grande coerência entre o que ele falava, o que ele acreditava, e o que praticava no dia a dia”, afirmou o presidente do CAU/RJ, Jeferson Salazar.

 

Para Lana Jubé, primeira vice-presidente do CAU/BR, “a partida de Demetre é daquelas coisas que nos deixa órfãos. Nossa classe perde um profissional estudioso, batalhador, genial, sensível e muito humano”.

 

Para o arquiteto e urbanista Wilson Andrade, segundo vice-presidente do CAU/BR, o falecimento de Demetre Anastassakis foi uma grande perda para a sociedade. “Demetre deixa marca no ofício do arquiteto e urbanista, preocupado com o bem estar das populações mais pobres perseguiu com garra propostas de ocupação de áreas centrais para habitação social. Um olhar humano para as cidades e seu povo”.

 

“Era famoso pelo discurso em prol do ‘Direito à Cidade’ e gostava de propor soluções para, no dizer dele, viabilizar habitação para o pobre nas áreas com infraestrutura. Perdemos um arquiteto talentoso, mas sobretudo um vigoroso militante do urbanismo inclusivo. Fará muita falta e deixa saudades”, escreveu o conselheiro federal pelo Rio de Janeiro, Carlos Fernando Andrade.

 

Demetre e sua companheira, arquiteta Cláudia Pires

 

Também ex-presidente do IAB nacional, e dedicado à Arquitetura Social, o arquiteto e urbanista Gilson Paranhos lamenta a morte do colega: “Enorme, briguento, defensor radical de suas convicções e inteligente, muito inteligente. Assim, num primeiro momento, Demetre assustava quem chegasse na hora do embate de idéias no IAB. Até que daí a um minuto ele começasse a chorar, chorar mesmo, assim como os humanos, falando dos amigos ou com os amigos. Pronto, essa interrogação leva a uma pesquisa sobre sua trajetória e você assusta novamente com sua obra e a dimensão de seu profissionalismo. Defensor dos direitos dos mais pobres, o “Grego” é querido, fraterno, enorme e chorão, é e não vai deixar de ser pra nós”.

 

Ex-presidente do CAU/BR, Haroldo Pinheiro diz que a perda inesperada do amigo foi muito triste “Demetre Anastassakis era um arquiteto talentoso e combativo na defesa do direito de todos à boa arquitetura. Ele foi atuante até o fim: na prancheta, nas palestras, nos debates; sempre otimista, firme e propositivo, fazendo jovens amigos e mantendo antigos admiradores. Isso é o que conta. Merece todas as nossas homenagens”.

 

Cicero Alvarez, presidente da FNA (Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas) afirma que a morte de Demetre Anastassakis representa “uma grande perda para a arquitetura e urbanismo no país e para a luta por moradia digna para todos. Ele fará muita falta”.

 

 

DESPEDIDA DE BETE FRANÇA

 

Querido amigo Demetre, 

 

E agora, com quem debater sobre as questões de habitação social nesse nosso país de incertezas? Em décadas de amizade, às vezes concordávamos, em outras discordávamos. Como é comum entre amigos que se respeitam.

 

Mas sempre e em primeiro lugar estava a admiração pela tua garra e pela crença que sim era possível fazer bons projetos de habitação social mesmo nas condições mais adversas.  Nossa amizade de décadas, principalmente nos caminhos do IAB, se estendiam pela admiração pelo teu trabalho desde os tempos da CoOpertiva.  Daí o convite para apresentar o projeto dos Novos Alagados em Salvador, na exposição que organizamos no Pavilhão Brasileiro durante a 8. Bienal de Arquitetura de Veneza. Tempos em que a urbanização de favelas ganhava escala no Brasil e os arquitetos mostravam ao mundo como a profissão se destacava na busca de tornar as cidades mais inclusivas e igualitárias.

 

Depois, em 2012,  veio a publicação São Francisco: novos bairros de São Paulo. Lembro a emoção que sentiu aos ser convidado para relatar a experiência do mutirão e mais ainda de revisitar a obra e encontrar os moradores felizes com suas moradias construídas há mais de uma década. Dessa visita resultou um belo texto publicado no livro que você assinou com o Pedro Cascon: ‘Nos causou grande impressão, 20 anos depois, a pequena quantidade de modificações, mesmo assim feitas com respeito, grande respeito, na maioria dos casos. O pedaço do novo bairro terá deixado uma lição, um legado?’…..’Com emoção e orgulho: talvez ainda não tenhamos a dimensão real do que foi ali proposto e realizado…’

 

E é com muita emoção e orgulho que tenho a certeza que o legado que você deixa para as futuras gerações será o de acreditar que a boa arquitetura deve sempre prevalecer e que através dela podemos sim mudar as cidades, podemos romper a barreira da desigualdade e trazer dignidade aos bairros mais precários.

 

Meu caro amigo, essa tua partida prematura  vai nos deixar um pouco órfãos. Mas seguiremos buscando fazer jus ao teu legado. Saudades!

 

Bete França, arquiteta e urbanista, atua em habitação social

 

HOMENAGEM DO COMITÊ EXECUTIVO DO UIA2020RIO

 

O Comitê Executivo do UIA2020RIO prestou um tributo à memória de Demetre Basile Anastassakis em sua página oficial. Pedro da Luz Moreira, Diretor Vice-Presidente do UIA2020RIO e presidente do IAB-RJ, destacou o aspecto da obra social de Demetre:

 

“O Demetre sempre se preocupou com o fato de que as cidades brasileiras são como máquinas de exclusão. Expulsam a população mais pobre das áreas mais urbanizadas e enviam a periferias precárias estruturalmente. Ele era apaixonado por essa questão e projetos importantes dele refletem a luta a favor da inclusão”.

 

Ele acredita, ainda, que o UIA 2020 RIO é a oportunidade perfeita para se inspirar nos propósitos de Demetre no debate por cidades mais justas e dinâmicas:

 

“Do ponto de vista do Congresso Mundial de Arquitetos e também no âmbito da Capital Mundial da Arquitetura, é um momento importante para se refletir sobre a obra do Demetre. Incita um engajamento para solucionar o problema da não-inclusão nas cidades brasileiras”.

 

Pedro da Luz analisou quatro das mais importantes obras da carreira de Demetre. Confira abaixo:

 

Conjunto Habitacional Jardim São Francisco, Setor VIII (São Paulo, SP) – 1992

 

Portfólio CoOperaAtiva

 

“Foi no começo da década de 90, quando a Luiza Erundina era prefeita de São Paulo. O Demetre ganhou o concurso para esse projeto na Zona Leste da cidade, periferia. Ele usou uma tecnologia nova de otimização de um tijolo estrutural. O mais interessante é que foi um projeto executado por mutirão; ele não fez no escritório e mandou alguém executar. Foi de ordem participativa, as comunidades precisavam aprovar. Esse método gera um processo importante de conscientização da população sobre o direito à cidade e à moradia.”

 

Conjunto Bento Ribeiro Dantas, na Favela da Maré (Rio de Janeiro, RJ) – 1993

 

Luiz Fernando Freitas

 

“O propósito era construir uma série de quadras para abrigar realocados das palafitas da favela Roquete Pinto. Ali, começou a surgir um Demetre diferente como arquiteto, que mostrava um controle maior da forma como um todo, mais preocupado com o conjunto. Dá para perceber jogadas de simetria bem interessantes, uma composição mais articulada. Diferentemente do Jardim São Francisco, em São Paulo, essa obra não foi feita por mutirão, mas por empreiteiras, mas seguindo a mesma lógica de valorização do ponto de vista dos moradores, o que produz autoestima na comunidade e dá a sensação de pertencimento a suas casas.”

 

Intervenção na comunidade de Novos Alagados (Salvador, BA) – 2003

 

Intervenção urbana Novos Alagados, em Salvador. Imagem retirada do catálogo da exposição “Favelas Upgrading”, conjunto de trabalhos da representação brasileira na 8ª Bienal de Arquitetura de Veneza, em 2002

 

“O Demetre ficou emocionado por fazer parte da intervenção, porque grandes nomes da arquitetura já haviam trabalhado lá, como irmãos Roberto, Lúcio Costa e Lelé. Já havia um expertise do Demetre em relação à urbanização de favelas, mas esse foi o projeto mais maduro. Era preciso configurar o espaço como um todo, conformar o espaço aberto também. Não era só o desenho da moradia, casa, teto. Era também o desenho da rua, da praça.”

 

Adaptação de imóveis históricos arruinados em Habitação de Interesse Social pelo PAR (Centro Histórico de Salvador, BA)

“Esse projeto reforçou uma defesa antiga do IAB de que o tema da habitação não deve ser um raciocínio simplificado, de garantir “só” moradia e fim. Tem que garantir também o acesso à cidade, à urbanidade. O Demetre entendia que habitação não é só construir o novo, também é reocupar antigos conjuntos já construídos – imóveis históricos, que eram casarões e áreas de comércio, e foram abandonados por causa do crescimento da cidade. Nesse projeto, ele propôs o uso habitacional para antigas construções do Centro Histórico.”

 

O arquiteto Sérgio Magalhães, presidente do Comitê UIA 2020 RIO, destacou uma quinta obra importante de Demetre:

 

Conjunto Residencial Moradas da Saúde, na área portuária do Rio de Janeiro (RJ)

 

IAB

 

“Nos anos 1990, por encomenda da Prefeitura do Rio, Demetre e equipe fizeram um interessante levantamento de oportunidades para implantação de moradias em terrenos vagos ou ociosos da Região Portuária. Dentre eles, se encontrava um no alto do morro da Saúde. A Secretaria Municipal de Habitação encomendou, então, à equipe a elaboração de um projeto que exemplificasse o seu Programa Novas Alternativas. Demetre se empolgou, fez o projeto, que veio a ser construído por encomenda da SMH, e resolveu morar em um apartamento do Conjunto, que contém cerca de 150 unidades habitacionais.

 

Por certo, é um exemplo magnífico de inserção de uma construção em um contexto construído, onde há, inclusive, um bem tombado, a Igreja de N. S. da Saúde. A escala e a volumetria adotadas são absolutamente compatíveis com o existente, ademais da criação de um espaço comum muito qualificado. É uma obra importante no elenco de boas obras de habitação contemporânea do Rio.”

 

E mais: 

 

Clique no vídeo abaixo para rever, a partir do minuto 56, a participação de Demetre Anastassakis na II Conferência Nacional de Arquitetura e Urbanismo “Todos dos Mundos” promovida pelo CAU/BR, no Rio de Janeiro, em 2017, preparatória do 27o. Congresso Internacional de Arquitetos UIA2020RIO.

 

 

Clique no vídeo abaixo para rever, a partir do minuto 32, a participação de Demetre Anastassakis no Seminario Nacional de Política Urbana promovido pelo CAU/BR e pelo IAB, em São Paulo, em 2018, origem da Carta Aberta aos Candidatos nas Eleições de 2018, “Nossas Cidades pedem Socorro”. 

 

 

Veja também:

TV Brasil exige reportagem sobre “A arquitetura que nos une” (inclui entrevista com Demetre Anastassakis sobre o projeto Novo Alagados hoje)

A luta pela criação do CAU está em primeiro lugar” (entrevista de Demetre Anastassakis de 2004 para a revista Projeto)

Demetre Anastassakis: empreendedorismo do centro do Rio de Janeiro até Nova Iguaçu (entrevista para a revista Projeto, dezembro de 2018)

11 respostas

  1. Demetre foi nosso mestre, nos ensinou através da coerência e generosidade da sua prática que ter acesso à cidade é um direito de todos, e com sua inteligência e humanidade nos mostrou que habitação de interesse social é possível ser feita com qualidade.
    Demetre nos deixou, mas sua esperança vive em nós, continuaremos sua luta.

  2. AOS FAMILIARES E AMIGOS DE DEMETRE

    LAMENTAMOS PROFUNDAMENTE .
    A FALTA QUE FARA AO IAB E AOS AMIGOS SERÁ INCOMENSURÁVEL.

    SEGUE A CLÁSSICA POESIA COMO ALENTO AOS FAMILIARES E A AMIGOS.

    CORDIAIS SAUDAÇÕES

    VANIA AVELAR
    Arquiteta Urbanista /PE
    AMIGA DE DEMETRE

    De tudo, ficaram três coisas:

    A certeza de que estamos sempre começando…
    A certeza de que precisamos continuar…
    A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar…
    Portanto devemos:
    Fazer da interrupção, um caminho novo…
    Da queda, um passo de dança…
    Do medo, uma escada…
    Do sonho, uma ponte…
    Da procura, um encontro…
    (Fernando Sabino)

  3. Não só como profissional mas e principalmente como colega, amigo e a essência de pessoa que foi, deixa saudades. Saudades quando compartilhávamos opiniões em nossos encontros na Comissão de Habitação do IAB. Interessante, na época, o título de seu escritório: “Invento Espaço”. Demetre não só inventou espaço como conquistou amigos e admiradores. Ele não nos deixa, pelo contrário, estará sempre presente em nossas lembranças e na expressão da arquitetura.

  4. Muito além do profissionalismo, da criatividade, da visão ampla dos problemas das Cidades, está a formidável pessoa que, com a energia das suas idéias, tanto nos contagiava.
    Sem dúvida parte mas, com certeza, para elaborar projetos muito maiores.

  5. Estagiei no Escritório de Nova Iguaçú. O contato era pouco, mas gratificante. Depois trabalhamos na Prefeitura do Rio,onde Eu estava no IplanRio, depois Instituto Pereira Passos. Vai o Homem, fica o Arquiteto e Urbanista.
    Perde a Arquitetura, ganha o Celeste.
    Meus Pêsames a Família.

  6. Trabalhei com Demetre em Sao Joao de Meriti-Baixada Fluminense- nos idos do governo de Caó-Brizola. O entusiasmo com que defendeu -sempre- suas idéias está hoje mais raro entre os colegas arquitetos e urbanistas. Ele esteve entre os pioneiros em defesa da busca (e no encontro) de soluções da habitação para os mais pobres. E, é necessário sublinhar- este é um tema que até hoje encontra enorme resistência nas elites do Brasil. Fica -para todos nós- seu exemplo de entrega aos temas sociais da Arquitetura e do Urbanismo.

  7. Meus mais sinceros votos de pesar e condolhanças aos familiares de Demetre, em especial à colega e companheira dele Arqª e Urbª Claudia Pires. Tive a grata satisfação de conhecer o Demetre, em um encontro da FNA em Campo Grande, ano de 2005, quando apresentou seus projetos de Arquitetura e Urbanismo de Interesse Social. Mais tarde em encontro sobre o mesmo tema em São Paulo, quando defendeu que seria perfeitamente possível e desejável que empreendimentos verticalizados pudessem incorporar havitações de interesse social, mesmo com elevadores, pois a industria poderia perfeitamente atender produzindo elevadores acessíveis às camadas mais populares com toda a técnica e tecnologia aceitáveis. Os Movimentos de Moradias Populares de todo o Pais, perdem um grande incentivador que sempre buscou superar barreiras sócio-econômicas para o atendimento de suas necessidades.

  8. Nossos pesares… A arquitetura sentirá a tua falta, um colega que sempre usou a criatividade, a técnica e a preocupação com o mais carente. Pra mim Arquitetura é somente isso.

  9. Conheci Demetre ainda estudante no que ficou conhecido como o 2º ENEA – Encontro Nacional de Escolas de Arquitetura, 1972, mas que na verdade foi o 1º ENEA, realizado em Salvador. Demetre era liderança na delegação do Fundão (FAU/UFRJ). Nosso anfitrião, Presidente do DA da FAU/UFBA, era o Zezéu Ribeiro, ex-deputado federal, já falecido. Eu era o Presidente do DA da FABP – faculdade de Arquitetura de Barra do Pirai, hoje UGB – Centro Universitário Geraldo DiBIasi, em Volta Redonda-RJ. Os ENEA’s continuam até hoje. Na época era uma tentativa de reestruturação da Executiva de Arquitetura da UNE, que se encontrava proscrita.
    Na vida profissional sempre nos encontramos! Não era pra menos, Demetre sempre foi muito ativo e presente! Uma perda muito grande, sobretudo para os movimentos de organização da nossa profissão. A gente fica sem a generosidade que marcou a vida dele! Adeus, companheirão!

  10. Demetre mostrou com sua simplicidade toda sua bagagem sobre arquitetura e urbanismo, que pode ser traduzida como uma lição de vida para os que convivem com esta profissão.

  11. Demetre, amor da minha vida, meu amigo, meu mestre, meu tudo.
    Muitas saudades, muita falta.
    Agradeço emocionada às manifestações de pesar.
    A todos, meu muito obrigada.

Deixe um comentário para Anônimo Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

NOTÍCIAS EM DESTAQUE

ARQUITETURA SOCIAL

Representantes do CAU Brasil e do CEAU se reúnem com Secretário Nacional de Habitação

ARQUITETURA SOCIAL

CAU Brasil apresenta projetos de ATHIS ao Ministério do Desenvolvimento Regional

ARQUITETOS EM DESTAQUE

Arquiteto surdo conclui graduação com projeto de clínica especializada para PcDs

ARQUITETURA E SAÚDE

Projeto de palafitas destaca arquiteta brasileira na lista Under 30 da revista Forbes

Skip to content