CAU/UF

Nota oficial do CAU/SP sobre incêndio e desabamento no centro de São Paulo

O Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo se solidariza com as famílias das vítimas do incêndio e desabamento do edifício Wilton Paes de Almeida e lamenta que a tragédia torne explícito mais um exemplo do descaso do Poder Público, em todas as esferas, com o atual quadro urbanístico das nossas cidades e com ausência recorrente de uma Política Habitacional Nacional consistente aliada a preservação do Patrimônio Histórico de São Paulo.

 

O edifício, projetado pelo arquiteto Roger Zmekhol, em 1961, era um dos melhores exemplos da arquitetura moderna na cidade e foi tombado, em 1992, pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo.

 

No entanto, já estava degradado por abandono, falta de manutenção e sucessivas ocupações informais e outras organizadas. Sem se entenderem, o governo, nas diversas esferas e a Justiça permitiram que o cenário fosse se perpetuando, o que adiou sua possível recuperação e nova destinação, com potencial para amenizar a precária situação habitacional do centro e dar melhor uso à infraestrutura da região.

 

Há muitas outras construções em situação idêntica na área. Antes que novas tragédias aconteçam, é hora de uma ação política urbana articulada, séria e eficaz a respeito. Não apenas pelos edifícios icônicos, mas sobretudo por justiça social.

 

Prédio de 26 andares em chamas desabou no centro de São Paulo e vitimou moradores (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

 

Fonte: CAU/SP

29 respostas

  1. Muito bem colocada essa chamada do CAU a respeito da ineficácia dos poderes responsáveis pela cidade de São Paulo.

  2. Parabéns pela Nota muito esclarecedora sobre os dados técnicos do edifício e sobre o que realmente ocorre neste país dominado pela especulação imobiliária.

  3. Como Perito e cidadão deixo aqui minha opinião de que a lista de responsáveis por mais este incidente na cidade é muito longa e passa pelo poder publico federam estadual e municipal com forte participação dos grupos criminosos de movimentos sociais (de sociais muito pouco) e dos proprios moradores que assumiram o onus ddo risco ao invadirem um predio sem nenhuma condição de habitação digna

  4. No dia anterior outra edificação histórica caiu no centro do Recife, vindo a ferir uma família que residia no local. Diversas edificações no centro histórico e Recife e de várias outras cidades estão abandonadas e o poder público não faz nada, mesmo diante de inúmeros instrumentos como a aplicação do Parcelamento, Edificação e Utilização Compulsórios, do IPTU Progressivo e da Desapropriação. Edificações essas que poderiam ser restauradas e servirem de novos usos como habitação, instituições públicas (haja vista as prefeituras precisarem pagar aluguel caro nas mesmas localidades para instalarem suas repartições diante de prédios que foram completamente abandonados pelos proprietários).

  5. A primeira ação é impedir que movimentos ditos sociais, invadam os prédios e cobrem aluguel dos ditos pobres.

  6. trabalho há 33 anos como arquiteto e já cansei de ver esses orgãos públicos que nada fazem para melhorar…..o CAU inclusive!!!
    se o CAU que é uma entidade de classes pronta à punir os profissionais que por muitas vezes lutam pra conseguir sobreviver,muitas vezes vítimas dos órgãos públicos que só servem pra dificultar as coisas.
    cadê a voz ativa para os ”GRANDES ”.
    Patrimônio histórico desde a década de 80 que eu era estudante,foi sinônimo de deixar degradar até o tombamento no sentido da palavra.
    Se o CAU não pode interferir para mudar as leis relacionadas à arquitetura do país……..quem vai fazê-lo????….os vereadores????deputados???senadores???? NUNCA!!!!
    Por isso não adianta colocar notas de pesar !!!! já aconteceu !!!!
    continuem postando aquelas punições à profissionais que pegam RT muitas vezes pra conseguir continuar fazendo arquitetura !!!!!…..porque pra caçar a concorrência desleal junto às prefeituras……é muito difícil né !!!!

  7. Sabemos que a sociedade e poder público foram e são omissos. Nessa omissão os “espertos” se aproveitam da miséria para dar golpes e se beneficiar com esse caos. Sempre em tragédias tiramos lições, certamente uma delas será que a sociedade e principalmente as autoridades não poderão mais ser chantageadas com esses falsos movimentos sociais que não querem a melhoria, somente querem que a miséria seja perpetuada. Boa parte dos grandes centros urbanos tem esse problema com déficit de moradia popular; a sociedade deve cobrar do poder público soluções oficiais, baseadas em projetos sérios cumprindo prazos e reais necessidades; também não podemos esquecer em cobrar responsabilidades dos futuros administradores, pois não basta projetar, construir novas edificações ou até mesmo elaborar excelentes “retrofits”, elas envelhecem e devem ser cuidadas, pois infelizmente não temos a cultura da conservação. Pelo rigor na fiscalização!

  8. Sabemos que a sociedade e poder público foram e são omissos. Nessa omissão os “espertos” se aproveitam da miséria para dar golpes e se beneficiar com esse caos. Sempre em tragédias tiramos lições, certamente uma delas será que a sociedade e principalmente as autoridades não poderão mais ser chantageadas com esses falsos movimentos sociais que não querem a melhoria, somente que a miséria seja perpetuada. Boa parte dos grandes centros urbanos tem esse problema com déficit de moradia popular; a sociedade deve cobrar do poder público soluções oficiais, baseadas em projetos sérios cumprindo prazos e reais necessidades, e sem esquecer em cobrar responsabilidades dos futuros administradores para garantir a manutenção e conservação.

  9. buenas… é revoltante como paginas da nossa historia são apagadas… sejam eles eventos históricos, personalidades, monumentos e edificações.
    existe uma falta de vontade de se manter o nosso passado.
    estamos cada vez mais indo no caminho da perda de identidade.
    por outro lado, essas ocupações incentivadas por movimentos ditos sociais, sao criminosos.
    a “massa de manobra” se instala e providencia os “gatos” eletricos e de água… os desastres são uma questao de tempo.

  10. CAU/SP deveria exigir dos órgão públicos ações urgentes e prioritárias em relação a politica habitacional na cidade de São Paulo. Não acredito que adiante, mencionar que este é um problema crônico, que se arrasta de gestão em gestão e que se agrava a cada dia em decorrência, principalmente, da crise econômica que assola a nossa cidade.
    Mais atitude CAU… envolva os profissionais… envolva a sociedade… este é o momento…
    Por uma cidade mais justa e igualitária para seus cidadãos.
    Como CAU pode explicar que decorrido 10 anos da aprovação da Lei 11.888/08, a Prefeitura de São Paulo ainda não implantou este direito aos seus cidadãos. O que está sendo feito ?

  11. Esta é uma situação existente no País inteiro, o que se observa é o total descaso de proprietários autoridades Federais, Estaduais e Municipais. Encontramos nas cidades especialmente nas capitais, prédios abandonados pelo descaso, negligencia e irresponsabilidade de muitos. E isto acentuou-se nos últimos 30 anos com o advento dos Shopings, que oferecem conforto, comodidade e “segurança”aos clientes facilitando a busca do que procuram em um só lugar. Este é mais um caso para servir de exemplo. O CAU/BR o CREA, como entidades de classe preocupadas com a segurança das edificações nas cidades brasileiras devem se possível catalogar todas as situações existentes oferecendo soluções aos proprietários ou denunciando as autoridades. O IPHAN, é outra instituição que não ajuda muito, pois, ao tombar uma edificação não apresenta nenhuma solução, comunica o tombamento tirando do proprietário o direito de reformar, alterar o projeto inicial ao gosto do proprietário, se o imóvel é de interesse do Patrimônio Histórico, que este ofereça linha de crédito especial para conservação, restauro se for o caso e mantendo a fiscalização atenta.

  12. É uma lástima e revolta ver como a obra e a construção civil virou “brincadeira” de pessoas sem nenhuma responsabilidade e compromisso com a Sociedade. Pior é ver não somente esse caso, de total abandono do Patrimônio Público, bem como, assistir obras novas, sendo fiscalizadas pela Administração Pública, de uma forma totalmente negligente, na maioria das vezes, sendo orquestrada por um esquema de corrupção, onde o canteiro de obras, vira um cenário político, atendendo inescrupulosos e os ajudando a enriquecerem e desviarem a verba do seu real objetivo e direcionar às campanhas eleitoreiras.
    Eu presenciei isso de perto, denunciei, fui perseguida e até hoje, não vi ninguém responder pelo desabamento de uma das creches, com verba e projeto do FNDE, quase matando 150 crianças que lá estavam. Antes que ocorresse, eu passei um dossiê, onde previa e comprovava a forma errada das execuções e os desvios das verbas. Porém, a impunidade venceu mais uma vez e nada aconteceu. Nossa área é o alvo mais visado para esse quadro torpe da corrupção. Muitas tragédias como essa em São Paulo, infelizmente, ainda ocorrerão, porque a vida do Ser Humano, está sendo tratada como descartável!!

    1. Parabéns pelo comentário Sheila! É preciso dar um basta e os conselhos assumirem suas parcelas de responsabilade.

  13. Como sempre o CAU tirando o seu da reta! Claro, nem ele nem o CREA tem a menor responsabilidade sobre a denuncia e a demanda frente às autoridades de ações concretas em relação à edificações instáveis e em processo de ruína que estejam ameaçando a população paulista! Parabéns CAU, por professar o oportunismo condizente com tudo que é de mais irresponsável no cenário político e social deste país!

  14. Já passou da hora de resolver a questão da habitação da população de baixa renda. Nenhum governo, seja da esfera federal, estadual nem municipais trabalham com esse que é o maior problema do país, junto com a desigualdade, atrelada a ela, irmãs siamesas. Ou manda o povo lá pra onde o Judas perdeu as botas, ou afavelam e afavelam irresponsavelmente ou criam essas perigosas favelas verticais em prédios obsoletos. Tanta tecnologia da construção, tanto saber, tanta criatividade, tantos desgovernos pra matar gente e destruir patrimônios culturais e o meio ambiente. O CAU e nenhuma autarquia que congregue profissionais responsáveis não pode ser conivente com isso. Temos que agir enquanto classe profissional. É difícil diante dessa politicagem fisiológica e sem respeito ao cidadão. Se fossem eleitores desses governantes em cargo efetivo, talvez tivessem um pouco mais de respeito.

  15. Eu entendo que o CAU e o CREA deveriam ter uma atitude mais objetiva diante ao que está ocorrendo no centro de São Paulo. Estes conselhos representam as classes profissionais com maior capacitação técnica para avaliar o problema especialmente no que que tange a segurança e habitabilidade. Por que não estarem mais presentes e cobrar das autoridades mais seriedade? Por que não fazer campanhas voltadas ao tema como fizeram tão intensamente quanto à ética na profissão?

  16. Nota fraquinha… todos dão depoimentos dentro dos seus limites, poderes cumpridos… e a vida segue… a população (incluindo também, é claro, os profissionais de classe) deveria dar respostas mais precisas por intermédio do voto.

  17. Precisamos ser um país sério. E para isso, seria fundamental, que logo após esta “provável” tragédia, todos os responsáveis pela política habitacional deste país, agissem de forma firme e radical, para que estes imóveis, que todas sabemos inabitáveis e perigosamente mal dimensionados em seus sistemas de instalações elétricas, fossem IMEDIATAMENTE desocupados e lacrados, e quem sabe, até DEMOLIDOS, para que nunca mais possa se repetir está lamentável tragédia, digna de paises do 5º mundo!

  18. Antes de falar em ‘justiça social’, que tal punir os responsáveis aplicando a boa e velha Justiça?
    Essa real, antiga, verdadeira, exatamente porque sem a palavra “social” acompanhando?

    Tenho certeza que ajudaria para que a tragédia não se repetisse!

    Esquerdista adora enxugar gelo enquanto empurra o mundo para o buraco.

  19. EXISTE LEGISLAÇÃO URBANA E SE NÃO FOI EXECUTADA.. ESTÁ AÍ A CULPA…SAUDAÇÕES AOS INRRESPONSÁVEIS.

  20. COMO UMA FAMÍLIA PODE ORGANIZAR E CUSTEAR SUAS ATIVIDADES DIÁRIAS SE TODOS OS DIAS CHEGA UM PARENTE DO INTERIOR PARA MORAR COM ELA? SE VOCÊ ACHA IMPOSSÍVEL, É O QUE ESTÁ A OCORRER NAS GRANDES CIDADES, UM INCHAÇO CONSTANTE COM A TRANSFERÊNCIA POPULACIONAL CAMPO-CIDADE, INVIABILIZANDO A CRIAÇÃO DA CORRELATA INFRAESTRUTURA A SER GERADA PARA TAL. OCORRE QUE O PODER PÚBLICO, EM PROL DE ABSTER-SE DAS COMPLICAÇÕES DO ENFRENTAMENTO AO “SOCIALMENTE CORRETO”, INCORRE EM OMISSÃO, DEIXANDO TAIS OCUPAÇÕES OCORREREM E REZANDO PARA QUE NADA OCORRA ATÉ QUE TERMINE SEU MANDATO. VEMOS ISSO CLARAMENTE NO EXEMPLO DESTA “FAVELA VERTICAL”, EM PRÉDIO TOMBADO, COM LAUDOS CONTRÁRIOS À SUA OCUPAÇÃO E QUE SUBSISTIRAM A TUDO E A TODOS ATÉ QUE UMA FATALIDADE A TORNOU “HORIZONTAL”, COM PERDAS HUMANAS. TRISTE OMISSÃO POR MEDO DA REPRESSÃO. FALTA DE GOVERNO.

  21. MUitos prédios ocupados por órgão públicos foram abandonados. Mas é preciso ver o que está por trás.
    Uma máfia que atua na LOCAÇÃO DE NOVOS PRÉDIOS PARA O GOVERNO!
    Aqui em Brasília podemos constar o abandono do Setor Bancário Sul, onde o Banco do Brasil, Caixa Econômica abandomaram suas sedes próprias para locarem, SUAS NOVAS SEDES por preços exorbitantes.
    O mesmo aconteceu com a FUNAI, que saiu de uma locação barata para um mega edifício (já saiu de lá)!
    É prática a “desqualificação ” dos antigos edifícios, via relatórios “fajutos” !
    O belo exemplar de arquitetura brasileira que agora È CINZAS, é prova que somos um país “JACU” e “POBRE”
    ignorantes que não perceberam a sua IMPORTÂNCIA HISTÓRICA e POTENCIAL TURÍSTICO”.
    Haja visto que o ex presidente do Banco do Brasil está preso pela Lava Jato – estava na presidência quando o BB trocou de sede! Esta conversa mole de falta de moradia popular JÀ ERA!
    comentario já publicado

  22. SÃO PAULO: A CULPA TAMBÉM É DOS ARQUITETOS

    O edifício Wilton Paes de Almeida em São Paulo, que desabou no Dia do Trabalho após incêndio causado por ocupação irregular para moradias precárias, foi projetado pelo arquiteto Roger Zmekhol, que nasceu em Paris, França, pois seus pais eram fugitivos da perseguição aos cristãos na Síria.

    Ironicamente a tragédia ocorrida com seu trabalho mais emblemático arruinou também a sede centenária da Igreja Martin Luther – igualmente patrimônio histórico e arquitetônico da cidade.

    O momento é para se preocupar com vítimas humanas, em primeiro lugar. Ninguém questiona isso.

    Porém, recebo correspondência eletrônica do CAU – Conselho de Arquitetura e Urbanismo – aglutinando artigos sobre o desastre.

    Procuro as notas oficiais do próprio CAU e também do IAB-SP (Instituto dos Arquitetos do Brasil em São Paulo) e do SASP (Sindicato dos Arquitetos de São Paulo).

    Zero menção para o patrimônio arquitetônico tombado da Igreja Luterana. Alguma coisa sobre o edifício projetado por Zmekhol e muita politicagem, com ataques camuflados às “esferas do poder que não se entendem”, como se os arquitetos e urbanistas fossem completamente isentos das coisas erradas que acontecem nas cidades.

    Os moradores desabrigados seguem desamparados. Provavelmente seguirão para outras ocupações organizadas por movimentos ditos sociais que afrontam as autoridades públicas e debocham dos pagadores de impostos ao cobrarem alugueis clandestinos dos miseráveis.

    Estas organizações não deixam sequer a filha do arquiteto Roger Zmekhol entrar no prédio que o pai projetou para registrar imagens para um documentário, mas gozam da simpatia das entidades que teoricamente representam os arquitetos.

    Nós, arquitetos, estamos falhando mais uma vez. Éramos para discutir soluções para as cidades, e mais do que isso: apresentar propostas concretas.

    Eu, por exemplo, defendo o êxodo urbano. São Paulo e Rio de Janeiro são megalópoles que precisam parar de crescer e, de certo modo, serem esvaziadas. A discussão é séria, mas infelizmente não está no foco de quem deveria conduzi-la.

    1. Apóio seu comentário. Chega de discursso politicamente correto. A lei e os impostos é para todos. Vistoria e interdição também. Cadê os representantes do “Movimento dos Sem Teto”, que cobravam 500 contos das famílias para lá morar e teoricamente fazer a manutenção mínima, já detidos e com fotinho com data da polícia. Se fosse qualquer outro estava lá a mídia pedindo a cabeça!!

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