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Palestra do arquiteto Paulo Mendes da Rocha na reunião do IAB em Vitória

Na última quarta feira, dia 27 de janeiro de 2016, na cidade de Vitória, no contexto da reunião do Conselho Superior do IAB (COSU-IAB), foi feita uma palestra do arquiteto capixaba Paulo Mendes da Rocha, ganhador do Prêmio Pritzker de 2006. A palestra foi a primeira da noite, seguida dos comunicados dos arquitetos Demetre Anastassakis, sobre habitação popular com arquitetura, Alexandre Feu Rosa que abordou o Plano Lucio Costa da Barra da Tijuca e as novas demandas urbanas, e Alexandre Fernandes falando sobre Projetos de edifícios ambientalmente positivos. Todos os palestrantes destacaram o caráter cultural do fenômeno arquitetônico, como capacitado para produzir um vínculo de maior profundidade entre usuários e o espaço construído. Esse vínculo é de extrema importância para a sustentação dos lugares, onde o homem construiu essa outra natureza, que chamamos cidade, um lugar no mundo que é da ordem da cultura, que conceitualmente está muito próximo  do natural.

 

Há na sociedade contemporânea uma pressa desmedida na definição da ocupação desse lugar, fazendo com que grande parte dos empreendimentos fiquem presos numa lógica de resultados imediatos, que não olham para os comprometimentos com as gerações futuras. Grande parte dos impactos ambientais que sentimos hoje no planeta Terra são consequências diretas dessa forma superficial e rápida de conceber a construção do lugar. Na medida que começarmos a compreender a cultura como algo extremamente próximo da ideia de cultivo, portanto muito ligado ao desenvolvimento de processos naturais, enfim uma outra natureza.

 

“Como cultura, a palavra ‘natureza’ significa tanto o que está a nossa volta como o que está dentro de nós, e os impulsos destrutivos internos podem facilmente ser equiparados às forças anárquicas externas. A cultura, assim, é uma questão de auto-superação tanto quanto auto-realização…A natureza humana não é exatamente o mesmo que uma plantação de beterrabas, mas, como uma plantação, precisa ser cultivada – de modo que, assim como a palavra ‘cultura’ nos transfere do natural para o espiritual, também sugere uma afinidade entre eles.” EAGLETON 2005 página15

 

Nesse sentido, a palestra do arquiteto Paulo Mendes da Rocha versou sobre dois conceitos – linguagem e conhecimento – fundamentais para a construção de um mundo da vida mais compromissado com um tempo de mais longo prazo, portanto com as gerações futuras. Segundo o arquiteto, o conhecimento e a linguagem interagem de forma dialética construindo uma experiência, ou módus operandi, que consolida a forma da cultura do construir.

 

Nossas cidades são fruto direto dessa interação, que no passado operava manipulando uma gama restrita de elementos, e que no mundo contemporâneo, com a imensa acessibilidade a diversas linguagens, a forma de construir entra em uma crise de síntese. Atuar de forma estruturada, ou a partir da ideia kantiana de um uso público da razão sobre o desenvolvimento do ambiente construído nacional significa pensar uma política para o campo da arquitetura e do urbanismo, que irá manipular os conceitos de linguagem e conhecimento.

 

A ideia de linguagem envolve o conceito de transmissão, difusão e troca, que está contida nas sociedade modernas pela esfera da comunicação, e que deve partir do pressuposto de que há uma variedade de sistemas construtivos operando. Por outro lado, a ideia de conhecimento envolve o conceito de uma certa estratificação ou cristalização de uma determinada maneira de operar, se comportar, e enfim construir o nosso ambiente humano.

 

Precisamos portanto, catalogar a imensa diversidade de práticas construtivas atuantes no país, avaliando sua adequação ao meio ambiente social, cultural e econômico, e ao mesmo tempo valorar de forma crítica esses conhecimentos de forma a garantir a preservação das futuras gerações sobre o planeta.

 

Publicado em 03/02/2016. Fonte: IAB/RJ

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0 resposta

  1. ..
    Quando eu era recém formado (em 1.989), o Grande Mestre Paulo Mendes da Rocha me disse:
    .
    “Gilberto, o homem não precisa mais do que 100m² para viver bem”.
    .
    Essa foi uma das primeiras lições que eu tive na Carreira e que jamais me esqueci…

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