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Patrimônio e paisagem locais são instrumentos essenciais para o desenvolvimento

A importância de integrar a paisagem aos programas de mobilidade urbana, de habitação nos centros das cidades a partir de políticas ambientais robustas e de preservação do patrimônio cultural local foi uma das sugestões apresentada na quarta “live” do ciclo Novas Cidades 2021, dia 21, sobre Paisagem e Patrimônio.

 

 

 

O debate virtual é uma iniciativa do CAU/BR, em parceria com o Colegiado de Entidades de Arquitetura: IAB, FNA, AsBEA, ABEA, ABAP e FeNEA, com apoio do portal UOL (canal ECOA – Por um mundo melhor). Com amplas discussões, o objetivo é apresentar à sociedade e aos candidatos nas eleições municipais deste ano soluções para as políticas públicas sobre o planejamento e desenvolvimento das cidades no pós-pandemia.

 

 

“A questão particular da paisagem é um tema que, a partir dos anos 2000, ganhou espaço em função da necessidade da mudança de escala”, explica o arquiteto urbanista e ex-diretor do IPHAN Andrey Schlee. Isso significa que “a escala de preservação da igreja, do palácio, da residência, do monumento isolado” foram ampliadas para “a necessidade da preservação em uma escala maior, a da paisagem”. A paisagem, dentro desse conceito, é uma construção cultural, social, multidimensional feita na interação entre o homem e o ambiente.

 

 

A “live” também debateu algumas formas para incorporar nas cidades o uso dos seus centros, desprovidos de políticas de habitação, segundo Andrey Schlee. “O centro histórico é mais uma das paisagens que devemos cuidar, sem esquecer que uma cidade é composta de um mosaico de paisagens, assim como é composta a sociedade”, definiu.

 

 

Para o também arquiteto e urbanista e deputado federal Edmilson Rodrigues é importante ressignificar e conservar os centros e incorporá-los ao uso da cidade.

 

 

Tudo isso deve ser realizado a partir de um “esforço transdisciplinar para pensar o território urbano e seu uso e um desenvolvimento que contemple a paisagem, o substrato social na sua totalidade, e sensível às diferenças urbanas”, defende.

 

 

No “mosaico” das cidades, a educadora, codeputada estadual e indígena Chirley Pankará defende a incorporação de territórios dos povos tradicionais, para que usufruam dos benefícios que existem em outros bairros, pois precisam ter o direito de viver nesses espaços. Mas tudo isso considerando o respeito à cultura indígena.

 

 

 

Chirley defende políticas públicas para que os povos indígenas possam ter espaço para suas manifestações culturais, “para olhar uma árvore e uma nascente sem ter sido prejudicada pelos não indígenas”.

 

 

Essa antiga reivindicação da codeputada estadual foi endereça especialmente ao futuro prefeito de São Paulo, onde Chirley reside. “Pedimos um centro de referência construído com os povos indígenas”, ressaltou.

 

 

Uma das sugestões para integrar todas essas proposições, considerando os cenários político e social atual do Brasil, é a construção de uma agenda pública por uma Arquitetura e Urbanismo da paisagem, defende a arquiteta e urbanista Luciana Saboia. “O projeto da paisagem é a peça chave na luta pela igualdade. É justamente o projeto e o planejamento que vão trazer uma noção de política pública de Estado e de país que supera uma questão imediata e fortalece as nossas instituições”.

 

 

“Não tem mais como fazer planos diretores, código de obra e outras questões dentro do nosso metiê pensando simplesmente em perímetros a serem demarcados – claro que territórios precisam ser reconhecidos. Temos que pensar numa dinâmica territorial que inclua o meio ambiente”, defende Luciana.

 

 

A importância do saneamento também foi enfatizada pela arquiteta, como uma questão que perpassa a paisagem e o patrimônio. Para Luciana Saboia é fundamental pensar a água como um movimento de reestruturação da “infraestrutura verde”; das conexões ambientais e dos biomas.

 

 

“Sabemos que a recarga de aquíferos é cada vez menor, tem uma impermeabilização do solo gigantesca e uma canalização dos nossos rios que acabam virando verdadeiros esgotos, e que esses rios deixam de fazer parte do cotidiano e da paisagem da cidade, com grandes problemas ambientais, que precarizam a população mais carente da periferia”.

 

 

No dia 23, às 18h30, o ciclo Novas Cidades 2021 discutirá a Mobilidade e Inclusão: Circulando pela Cidade: Novas Dimensões da Mobilidade Urbana, com a arquiteta e urbanista Letícia Bortolon; a advogada colombiana Martha Gutierrez; o geógrafo e líder comunitário Henrique Silveira e o deputado federal e ex-prefeito de Curitiba Gustavo Fruet.

 

 

A “live” pode ser acessada pelo canal do CAU/BR no Facebook ou no YouTube e pelo UOL (canal Ecoa ou YouTube).

 

 

Clique aqui para acessar as íntegras dos vídeos das “lives” do ciclo, bem como textos com resumos.

 

 

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