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Pavilhão brasileiro na Bienal de Veneza em meio a críticas e elogios

O pavilhão brasileiro na Bienal de Arquitetura de Veneza 2016, sob o tema “Juntos”, está no meio de uma polêmica. O estopim foi um artigo do arquiteto e urbanista Gabriel Kogan, publicado no site ArchDaily, com críticas ao pavilhão, que tem a curadoria de Washington Fajardo, arquiteto e urbanista, Presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade e do Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro. O contraponto foi dado pela arquiteta e urbanista Elisabete França,  relatora do 27º Congresso Mundial de Arquitetura (UIA 2020 RIO), ex-superintendente da Secretaria Municipal de Habitação de São Paulo e coordenadoa do Programa de Saneamento Ambiental da Bacia do Guarapiranga, respondendo pela urbanização de mais de 100 favelas.

 

“Reporting from the front” é o tema da mostra, que tem a curadoria do arquiteto Alejandro Aravena. A proposta é mostrar ‘novos campos de ação da arquitetura, através de exemplos de intervenções práticas que revelem ousadia, e criatividade, além do senso comum da arquitetura’, ressaltando contribuições dadas por arquitetos para melhorar a qualidade de vida nos ambientes urbanos mais carentes. O curador do pavilhão brasileiro, escolhido pela Bienal de São Paulo, responsável pela presença do país na mostra, selecionou quinze projetos de diferentes regiões do país e variados tipos, escalas e abordagem, incluindo desde um conjunto residencial até escolas.

 

Para Gabriel Kogan, o pavilhão não tem um pensamento político crítico e  transmite uma falsa imagem do pais, retratando o  Brasil “como uma feliz amalgama resplendente de povos, raças e culturas”.   E lança a pergunta: “trata-se de uma zombaria da situação social brasileira ou de uma reflexão ingênua e até em certa medida alienada do contexto e das ciências sociais?”. Salvo alguns projetos, ele diz que a representação do Brasil tem uma “toada positivista e se furtou a discutir a arquitetura a fundo, as contradições da prática contemporânea”.

 

Em seu texto, Bete França discorda da alegada visão positivista. “ O ‘Juntos’ que dá nome à exposição no Pavilhão Brasileiro sintetiza o que os quinze projetos apresentados têm em comum: a proximidade entre as construções coletivas do imaginário popular e a arquitetura. Não pretende sustentar ‘olhares sociológicos sobre um projeto de país e etc’.”. E segue: “Vou além, entendo que o conjunto de trabalhos escolhidos pela curadoria buscam mostrar que existe uma produção de arquitetura no país que vai além daquela que é um lugar comum, produzida apenas para as camadas mais ricas da sociedade, que é o que tem caracterizado nossa produção desde sempre”.  Ela também criticou o viés ideológico do artigo que contestou.

 

Acesse os artigos:

 

Brasil em Veneza 2016: Juntos ou divididos ?  (artigo de Gabriel Kogan)

 

Sobre o artigo “Brasil em Veneza 2016: Juntos ou dividos ? (por Elisabete França)

 

 

Publicado em 17/06/2016

 

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