ARQUITETURA SOCIAL

Pesquisadoras da UnB falam sobre Cartografia Urbana da Covid 19 sob recorte de gênero

Cidades pós pandemia: Cartografia Urbana da Covid 19 sob recorte de Gênero. Este foi o tema do último painel do I Seminário Nacional de Urbanismo realizado na terça-feira (10) pelo CAU/BR.

 

As pesquisadoras da Universidade de Brasília (UnB) Maribel Aliaga e Carolina Pescatori apresentaram o trabalho realizado por meio do Observatório Amar. É. Linha, centro de estudos feministas em Arquitetura e Urbanismo da UnB (FAU-UnB), composto por uma equipe majoritariamente feminina de docentes e discentes da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e do Instituto de Física.

Os trabalhos do Observatório Amar. É. Linha estão disponíveis no Instagram @amarelinhaobservatorio

 

 

Para compreender como a Covid-19 impacta a vida das mulheres no Distrito Federal, a professora da FAU-UnB, Maribel Aliaga, explicou que a pesquisa está sendo realizada por meio do cruzamento de dados oficiais divulgados pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal, pela Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) e pela Secretaria de Segurança Pública. Com isso, as pesquisadoras passaram a mapear o percurso da Covid-19 e como ela atinge de forma desigual homens e mulheres, traçando um panorama dos impactos da pandemia sob os aspectos de gênero, raça, faixa etária, geolocalização e infraestrutura urbana.

 

A pesquisa envolve vários aspectos relativos às mulheres, conforme detalhou a professora Maribel Aliaga, como trabalho, reprodução social, lazer e autocuidado, apropriação dos espaços públicos, acesso aos serviços de saúde e mobilidade. No caso do DF, o vírus logo chegou às periferias e passou a atingir majoritariamente as mulheres das classes trabalhadores (54,7%), que se deslocam por meio do transporte público, sofrem com a falta de infraestrutura das casas e das cidades. “As mulheres são partes das cidades. Se algo acontece em suas casas, é problema da Arquitetura. Se não é possível ter acesso à saúde, é problema da Arquitetura. Se não há acesso à infraestrutura, é problema da Arquitetura”, destacou Aliaga.

 

Carolina Pescatori (à esquerda) e Maribel Aliaga, pesquisadoras da UnB, apresentam como o estudo foi elaborado

 

Em seguida, a arquiteta e urbanista Carolina Pescatori mostrou como as desigualdades econômicas e sociais impactam de formas distintas conforme o recorte de gênero. Pescatori explicou que as mulheres na pandemia precisaram conciliar o trabalho e as tarefas domésticas, lidar com trabalhos mal remunerados e com o aumento da violência doméstica. “O trabalho remoto é a realidade de uma minoria das mulheres”, ressaltou. De acordo com Pescatori, muitas vezes as trabalhadoras nem mesmo conseguem ter acesso ou seguir protocolos de saúde como trocar de máscara a cada duas horas, conforme estabelece a OMS, ou mesmo ter acesso à infraestrutura mínima em suas casas.

 

No caso do DF, Carolina Pescatori apresentou mapas das cidades da capital para mostrar que o aumento do número de casos tem relação direta com a concentração populacional e por onde essas mulheres se descolocam por meio de transporte público. Segundo Pescatori, objetivo é fazer uma cartografia do comportamento de transmissão do vírus no DF entre as mulheres, especialmente as de menor renda familiar e com maior precariedade de infraestrutura.

 

Para encerrar o Seminário, a conselheira do CAU/BR, Josemee Gomes de Lima, agradeceu a participação de todos e enfatizou a necessidade de debates como esse. “Discussões como essa são necessárias e incentivadoras de mudanças. Precisamos ressignificar e redescobrir nesse novo formato de viver”, finalizou a conselheira.

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