COMISSÕES

Plenário do CAU Brasil cria Comissão Temporária de Raça, Equidade e Diversidade

 

 

Os conselheiros do CAU Brasil aprovaram a criação da Comissão Temporária de Raça, Equidade e Diversidade. Objetivo da nova comissão será o monitoramento contínuo, a operacionalização e a atualização da Política do CAU para a Equidade de Gênero, ampliando a sua abordagem para temas de raça e diversidade. “Trata-se de uma nova perspectiva de nossa missão junto à sociedade”, afirmou a presidente do CAU Brasil, Nadia Somekh.

 

Para 1ª vice-presidente do CAU Brasil, Daniela Sarmento, “é muito importante que esse tema esteja sendo estruturado em rede e de forma horizontal no CAU, com propósito de criar as ações da Política de Equidade”, afirmou. “Neste ano houve um aumento significativo na participação das mulheres no CAU. Hoje somos 51% de mulheres conselheiras no CAU Brasil e nos CAU/UFs”, disse. 

 

A Comissão terá até 31 de dezembro para apresentar uma proposta para a criação de uma Comissão Especial com atuação permanente do CAU Brasil. Também vai atuar na promoção do do II Ciclo de Debates ‘Mulheres na Arquitetura – Cidades Inclusivas para as Mulheres’; na atualização do hotsite: “Mulheres na Arquitetura e Nas Cidades”; e na compilação dos resultados do 2º Censo dos Arquitetos e Urbanistas do Brasil, encerrado em 2020, com recorte de Gênero, Raça e Diversidade.

 

Confira as ações de equidade do CAU Brasil

 

 

RAÇA E DIVERSIDADE

A Política do CAU para a Equidade de Gênero, aprovada em 2020, já previa a criação dessa comissão para “a promoção e a mensuração da Equidade de Gênero e Raça na profissão e em seu relacionamento com a sociedade, buscando a instauração de colegiados semelhantes nos CAU/UFs”.  A conselheira do CAU Brasil Claudia Sales (CE), destacou que, nesse contexto sociológico, é correto aplicar o termo “raça”, ainda que, biologicamente, todos os seres humanos pertençam à mesma raça. “Racismo emerge de uma construção social. Não é uma ação individual, embora pessoas possam ter atitudes racistas”, afirmou .

 

“O racismo surge a partir das relações que estruturam dentro do coletivo, dando privilégios e oportunidades melhores do que outros grupos, por questões como a cor da pele, por exemplo. No Brasil, o racismo é estrutural inclusive dentro das profissões, como no caso da Arquitetura e Urbanismo, nosso campo não é uma exceção”, afirmou a conselheira, que faz parte da Comissão Temporária de Raça, Equidade e Diversidade. O grupo terá a participação de conselheiras do CAU Brasil e presidentes dos CAU/UF. Confira a composição:

 

  • Claudia Sales de Alcântara, Conselheira do CAU Brasil pelo Ceará
  • Camila Leal Costa, Conselheira do CAU Brasil pela Paraíba
  • Alice da Silva Rodrigues Rosas, Conselheira do CAU Brasil pelo Pará
  • Eduardo de Oliveira Nóbrega Filho, presidente do CAU/PB
  • Heloíza Diniz de Rezende, presidente do CAU/SE

 

Não há previsão de recursos financeiros para essa Comissão, que contará com o trabalho honorífico (sem remuneração) de seus membros. Os trabalhos serão realizados em plataforma 100% digital, sem dotação orçamentária específica no Plano de Ação do CAU Brasil.

 

 

 

ENGAJAMENTO E ATUALIDADE
Em relatório apresentado após pedido de vista, o coordenador da Comissão de Ensino e Formação do CAU Brasil, Valter Caldana, fez uma defesa veemente da discussão dos temas de gênero e raça na Arquitetura e Urbanismo. “Esta Comissão é um potente instrumento de comunicação com colegas de todos os cantos deste nosso grande país que esperam encontrar em seu Conselho um pouco de si, encarando-o como uma referência de agilidade, presteza, engajamento nos grandes temas da profissão e da humanidade e, sobretudo, grande atualidade”, afirmou.

 

“A desigualdade, dada sua magnitude e abrangência em nosso país, cria as condições para o surgimento e a retroalimentação de um dos mais abjetos construtos (anti)éticos da humanidade, o PRECONCEITO, que finda por encontrar espaço para prosperar e mesmo se tornar estrutural, transformando-se, deste modo, num doloroso e indesejável instrumento de opressão e exclusão de cidadãos e cidadãs da estruturação e do usufruto dos benefícios e conquistas de nossa sociedade e nossas cidades.”

 

Para Caldana, viabilizar e marcar a presença do CAU e da Arquitetura e Urbanismo no esforço coletivo de superação da desigualdade e do preconceito será o registro indelével do engajamento não apenas deste Plenário, mas de toda a profissão na construção do futuro do Brasil.

 

Veja abaixo a íntegra do Voto-Vista do Conselheiro do CAU Brasil Valter Caldana: 

 

CRIAÇÃO DA COMISSÃO TEMPORÁRIA DE RAÇA, EQUIDADE E DIVERSIDADE (CTRED)
RELATOR DE VISTA: CONSELHEIRO FEDERAL VALTER LUIS CALDANA JUNIOR

RELATÓRIO E VOTO-VISTA

 

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

1. Trata-se de pedido de vista sobre a proposta de criação da Comissão Temporária de Raça, Equidade e Diversidade (CTRED), apresentado pela Presidência do CAU Brasil na Reunião Plenária de Julho, em virtude da comemoração inédita, no dia 31 de julho, do Dia da Mulher Arquiteta, instituído pela instituído pela Resolução CAU/BR nº 194, de 25 de setembro de 2020;
2. Considerando as colocações dos colegas conselheiros na data de hoje, durante a primeira parte da 115ª Reunião Ordinária;
3. Considerando a manifestação deste relator em Plenário no que concerne à importância da existência da referida Comissão e a intenção de registrá-la, bem como este seu posicionamento no processo de criação da mesma;

 

PARECER

Cumpre destacar que entre os graves problemas estruturais que desafiam a sociedade brasileira há muitos anos, décadas, e mesmo séculos, hoje se torna inequívoca e insofismável a percepção de que a DESIGUALDADE se coloca entre os mais prementes.

 

Torna-se não menos candente a percepção de que a mesma, sobejamente contraditória ao espírito aberto, criativo, acolhedor e sobretudo solidário que caracteriza a imagem do brasileiro no ambiente nacional e internacional, se manifesta de várias maneiras e sob várias formas, vitimando diversos grupos e segmentos sociais.

 

Não há grande dificuldade na observação, empírica que seja, desde que feita com a atenção e a sensibilidade que caracterizam nossa profissão, de que esta desigualdade se manifesta de forma veemente e não raro perversa em questões de raça, gênero, idade, origem e inserção socioeconômica, condições físicas e psíquicas com destaque para as pessoas com deficiências, e outras tantas.

 

Trata-se, até mesmo, da desigualdade espacial e territorial, como cumpre destacar com grande ênfase no âmbito de nosso Conselho, visto ser esta, em especial, objeto explícito do trabalho cotidiano de toda nossa categoria, que a enfrenta de peito aberto, de modo incessante.

 

Este problema-desafio, a desigualdade, dada sua magnitude e abrangência em nosso país, cria as condições para o surgimento e a retroalimentação de um dos mais abjetos construtos (anti)éticos da humanidade, o PRECONCEITO, que finda por encontrar espaço para prosperar e mesmo se tornar estrutural, transformando-se, deste modo, num doloroso e indesejável instrumento de opressão e exclusão de cidadãos e cidadãs da estruturação e do usufruto dos benefícios e conquistas de nossa sociedade e nossas cidades.

 

Assim, e dadas a presença e as implicações que estes temas e estes desafios significam hoje em todo o planeta, sobretudo quando associados aos não menos importantes desafios ambientais que todos enfrentam, colocando a própria humanidade diante de si mesma e da necessidade de um esforço coletivo na construção de um novo pacto econômico, político, social e cultural entre os povos e nações, humildemente cabe ao CAU materializar a sua contribuição, como tem feito em tantas ocasiões e sobre tantos temas de grande importância.

 

Se é verdade que as questões acima destacadas, dadas as suas interfaces com os temas estruturais da Arquitetura e Urbanismo devem ser objeto de preocupação e ação permanente indistinta e inabalável do Conselho, e são, e isso poderia levar à percepção da não urgência ou mesmo necessidade da criação da referida comissão, sobretudo com temática tão definida e transversal, por outro lado este relator propõe um conjunto interpretação, abordagem e ação a ela alternativo.

 

Criar a Comissão e lhe dar amplo destaque e grande visibilidade é, certamente, a melhor maneira de se construir vias, canais de conexão vigorosos com a sociedade e com a vastíssima rede de cidadãos e cidadãs espalhadas por todo o planeta, por todo o Brasil, dentro e fora do âmbito da profissão, e que neste momento se ocupam destas questões que são estruturais para a construção do século XXI.

 

É também um potente instrumento de comunicação com colegas de todos os cantos deste nosso grande país que esperam encontrar em seu Conselho um pouco de si, encarando-o como uma referência de agilidade, presteza, engajamento nos grandes temas da profissão e da humanidade e, sobretudo, grande atualidade.

 

Não há, deste modo, a menor possibilidade de sombreamento, sobrecarga funcional, agravamento orçamentário ou sobreposição de funções desta Comissão pretendida e proposta aos trabalhos cotidianos do Conselho, visto que a mesma tem em seu plano de trabalho e em sua agenda de atuação desafios e tarefas bastante claros.

 

São eles, entre outros já sobejamente conhecidos, aproximar, através da abordagem ampla, direta e, naturalmente, sem pré-conceitos ou preconceitos, o Conselho de seus profissionais e da sociedade, através do enfrentamento direto, público e explícito do desafio que significa para nossa sociedade a superação da DESIGUALDADE e a criação dos espaços, lugares e territórios da generosidade, da solidariedade, da fraternidade, da alteridade, do acolhimento, do empreendedorismo, da criatividade, da ética e, certamente, da diversidade.

 

Ao assumir esta postura e publicizá-la de forma eloquente e com veemência inaudita através da criação desta Comissão, estará o Conselho cumprindo indiscutivelmente com seus mais nobres objetivos e funções, herdados do esforço de muitas e muitos que nos precederam nesta e em outras lutas não menos significativas. Estará se fazendo ver, ouvir e reconhecer como legítima instituição que atua incansavelmente na defesa dos interesses difusos da sociedade e na valorização da Arquitetura e Urbanismo e seu exercício profissional como instrumentos de afirmação dos mais valiosos valores éticos de nossa sociedade.

 

Assim, viabilizar e marcar a presença do CAU e da Arquitetura e Urbanismo no esforço coletivo de superação da DESIGUALDADE e do PRECONCEITO será o registro indelével do engajamento não apenas deste Plenário, mas de toda a profissão na construção do porvir deste país chamado Brasil.

 

Por estes motivos este relator submete à vossa apreciação e roga seu apoio para este

 

VOTO-VISTA

que se dá em total acordo com o plano de ação e os termos de criação da Comissão apresentados, pugnando pela aprovação in totum da proposta inicial, consideradas as preliminares acima quanto ao seu escopo e abrangência.

É como voto.

São Paulo, 26 de agosto de 2021.

VALTER LUIS CALDANA JUNIOR
Representante das IES
Conselheiro Relator do voto-vista

 

Uma resposta

  1. Companheir@s, bela iniciativa, principalmente, no momento pandêmico. politico, institucional, econômico e social em que estamos metidos enquanto sociedade brasileira.
    A realidade da desigualdade no Brasil e no mundo aprofundada pela pandemia nos faz ter que avaliar e buscar construir uma outra realidade. Temos que debater esse “novo momento civilizatório” pra já.
    Quero parabenizar @s promotor@s da ideia, o Conselheiro Relator e a nossa Presidenta Nádia Somekh.Claudia Sales de Alcântara, Conselheira do CAU Brasil pelo Ceará
    Camila Leal Costa, Conselheira do CAU Brasil pela Paraíba
    Alice da Silva Rodrigues Rosas, Conselheira do CAU Brasil pela Paraíba
    Eduardo de Oliveira Nóbrega Filho, presidente do CAU/PB
    Heloíza Diniz de Rezende, presidente do CAU/SE
    Olha a bancada nordestina ai!

    Saudações Quilombolas,
    Pedro Cavalcante
    Nota: Estou a disposição para as conversas

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