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Podcast Mais Arquitetura destaca acessibilidade como diferencial no projeto

Mais do que um desafio, produzir espaços inclusivos é também uma oportunidade para os arquitetos e urbanistas. A necessidade de uma arquitetura que pense os ambientes e cidades para uso universal foi assunto do quarto episódio do podcast Mais Arquitetura, que foi ao ar no dia 14 de setembro, a uma semana da passagem no dia 22 do Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência . A conselheira federal pelo estado do Rio de Janeiro, Maíra Rocha, recebeu a criadora de conteúdo Lorena Eltz e a estudante de arquitetura e urbanismo, Kamila do Rocio.

 

Acessibilidade nos espaços não é investimento para poucos usuários, como afirma o senso comum. Segundo o IBGE, cerca de 24% da população têm algum grau de dificuldades para enxergar, ouvir, caminhar ou subir degraus ou então deficiência intelectual. Mas espaços inclusivos atendem muito mais do que estes cerca de 46 milhões de cidadãos e cidadãs. Primeiro, porque os números são subestimados, já que os dados são do Censo de 2010. Segundo, porque equipamentos inclusivos nas residências, espaços públicos e ruas da cidade beneficiam outros públicos, como crianças, pessoas gordas, gestantes e idosas. Quando a gente fala de pessoas com deficiência, estamos falando de todos nós, amanhã ou hoje, ou em algum momento que precisamos de mais cuidado, de uma qualificação maior dos espaços”, afirmou Maíra.

 

A invisibilidade da população com deficiência nas cidades é também uma consequência da falta de espaços adequados, aponta Lorena Eltz, que tem 22 anos e convive com a doença de Chron desde os 12. Ela conta que por muito tempo escondeu a deficiência e deixou de frequentar lugares. “Grande parte da população ostomizada não se declara pessoa com deficiência. Muitas vezes elas nem sabem os seus direitos e que está tendo falta de acessibilidade”, afirmou.

 

 Kamila do Rocio é aluna do sétimo semestre de Arquitetura e Urbanismo na Universidade do Estado de Santa Catarina, onde integra um programa de extensão sobre acessibilidade. Para ela, o tema precisa integrar o ensino da Arquitetura e Urbanismo desde o início da formação. “Quando a gente começa a fazer um projeto, normalmente faz um programa de necessidades. Vê o que precisa ter no espaço, vai indo passo a passo e por último pensa ‘aí precisa de um lugar acessível, uma rampa, mas não sei se vai caber’”, conta. “O mais importante é ser frisado desde o começo, começar a pensar na acessibilidade como um todo, não como uma exceção”, acredita.

 

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Lorena também defendeu a participação das pessoas com deficiência na produção dos projetos. “Ninguém melhor para falar do que a pessoa que vive aquilo”, afirmou.Falta talvez buscar pelas pessoas com deficiência para que elas façam ali um teste para ver se realmente aquilo está adequado, e eu acho que tem que procurar diversos tipos de deficiência”, completou. “

 

Para Maíra, a arquitetura e urbanismo precisam pensar as cidades e os espaços para além do usuário “modulor”. “A cidade que funciona para as pessoas com deficiência, funciona ainda melhor para as pessoas que não tem. Ganha todo mundo”, afirmou. Professora em graduação de Arquitetura e Urbanismo, ela acredita que os estudantes e profissionais precisam compreender a acessibilidade como uma oportunidade de destaque para os projetos.  “A gente trabalha com criatividade, nossa ferramenta é transformar a demanda numa forma. Então, eu falo para eles (os alunos): ‘tirem partido disso’. Vai ter uma rampa, faça uma bela rampa, e isso vai ser o diferencial do seu projeto. Faça banheiros que sejam referência, que as pessoas falem ‘esse lugar tem banheiro maravilhoso’. Então, você inverte o jogo, torna as coisas que você tava encarando como problema o grande lance do seu projeto”, disse.

 

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