PROJETO AMAZÔNIA 2040

Projeto Amazônia 2040: Arquitetos debatem legado da Arquitetura Moderna na floresta

 

Na última mesa de debates do evento Projeto Amazônia 2040, realizado em Manaus (AM) no dia 8 de fevereiro, os mais de 200 participantes puderam conhecer os trabalhos do Núcleo Arquitetura Moderna na Amazônia (NAMA). Trata-se de um grupo de pesquisas surgido na Universidade Federal do Amazonas (UFAM), mas que hoje congrega diversas universidades, artistas e arquitetos. “O grupo busca o reconhecimento, documentação, preservação e divulgação da modernidade amazônica”, informou a conselheira do CAU Brasil Ana Cristina Barreiros (RO).

 

Quatro conselheiros do CAU Brasil integram o grupo: Ana Cristina, Josélia Alves (AC), Grete Pflueger (MA) e José Afonso Portocarrero (MT). Este último, inclusive, venceu o prêmio BREEAM Awards 2018 com o Centro Sebrae de Sustentabilidade (CSS) de Cuiabá, eleito o melhor edifício sustentável das Américas.

 

A conselheira do CAU Brasil Ana Cristina Barreiros (RO)

 

ACESSE A APRESENTAÇÃO DA CONSELHEIRA FEDERAL ANA CRISTINA LIMA BARREIROS

 

Entre outras ações, o NAMA guarda e pesquisa o acervo do arquiteto e urbanista Severiano Mario Porto, falecido em 2020. Conhecido como “Arquiteto da Amazônia”, ele foi responsável por conceber um modelo único de Arquitetura sustentável, que une técnicas desenvolvidas por ribeirinhos e caboclos com as mais modernas e inovadoras técnicas arquitetônicas.

 

“O imaginário da Amazônia intocada está superada, conforme pesquisas recentes. Nos interessa mostrar a Amazônia urbana”, afirmou o professor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Marcos Cereto. “Severiano Porto nos ensinou a integrar o artesanal e o industrial na Arquitetura, nos aproximando dos povos originários na construção da floresta.”

 

O professor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) Marcos Cereto

 

Cereto destacou que os  arquitetos e urbanistas devem se envolver de forma prática e trabalhar com comunidades inteiras. “É possível realizar ações que pareçam improváveis”, afirmou. E deu exemplos de estruturas tradicionais que podem ser usadas para resolver problemas urbanos.

 

Como no caso das palafitas. “É uma Arquitetura Anfíbia, uma alternativa ribeirinha em contrapontos à atual legislação. Palafitas representam muitas possibilidades frente às mudanças climáticas”, disse. No Amazonas, todos os anos governo edtadual gasta mais de R$ 20 milhões em ações de calamidade pública, para combater os efeitos das cheias dos rios. Geralmente, esse valor é gasto para comprar madeira e fazer pontes sobre as águas.

 

“Palafitas já consideram em sua estrutura o regime das cheias, permite o uso do imóvel durante todo o ano e também facilita a mobilidade dos usuários por meio de barcos”, afirmou o professor. Outro exemplo são pontes flutuantes, com estrututas de garrafas pet que boiam sobre as águas. “Tratam-se de soluções arquitetônicas para problemas recorrentes”.

 

ACESSE A APRESENTAÇÃO DE MARCOS CERETO

 

A conselheira suplente do CAU Brasil Grete Pflueger (MA)

 

A conselheira do CAU Brasil Grete Pflueger, também professora da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), discutiu qual é a imagem que a Amazônia quer projetar para o Brasil e para o mundo. Da mesma forma que o professor estadunidense Edward Sahid discutiu o “Orientalismo” (como o Oriente é visto pelo Ocidente), Grete questionou como a Amazônia é vista por quem não mora lá.

 

“Chamamos esse fenômeno de Amazonismo. A Amazônia está em debate no mundo e precisamos discutir qual a imagem que queremos projetar,  contemplando a diversidade de cada estado”, disse, especificando o exemplo do Maranhão. “Segundo mapas antigos, os nossos rios seriam o caminho mítico para as riquezas da Amazônia, o Eldorado”, disse. “Hoje, nós do Maranhão nos entendemos como um limite da Amazônia Legal, um estado de transição entre a floresta e o Nordeste.”

 

A capital São Luís, inclusive, vive uma situação especial por ser uma cidade portuária e, ao mesmo tempo, Patrimônio Cultural da Humanidade, reconhecido pela Unesco em 1998. O que traz visões únicas para o urbanismo. “Questão é como podemos visibilizar os saberes tradicionais da Amazônia dentro da contemporaneidade”, afirmou Grete.

 

ACESSE A APRESENTAÇÃO DE GRETE PFLUEGER

 

Mesa de Encerramento do Seminário Projeto Amazônia 2040

 

No fim do evento, a presidente do IAB, Maria Elisa Baptista, a qualidade das apresentações do Projeto Amazônia 2040. “Ouvi diagnósticos propositivos que vão da escala dos corpos até a escala do continente. Muita coisa nos assusta, mas também nos dá coragem. Há muito a fazer, e isso já é o suficiente para viver”, disse.

 

“Muitas coisas que aprendi hoje precisam ser mais divulgadas. Os brasileiros e o mundo não conhecem a Amazônia”, afirmou o conselheiro do CAU Brasil José Gerardo Fonseca, coordenador da Comissão de Relações Institucionais. “Precisamos dos saberes ancestrais.”

 

Coordenador da Comissão de Política Urbana e Ambiental (CPUA) do CAU Brasil, Ricardo Mascarello

 

O coordenador da Comissão de Política Urbana e Ambiental do CAU Brasil, conselheiro Ricardo Mascarello, fez questão de lembrar que o Projeto Amazônia 2040 está sendo construído a várias mãos. “Saímos daqui com desafios, mas criamos um caminho e temos perspectivas futuras a partir das contribuições que recebemos hoje”, disse.

 

O presidente do CAU/PA, José Akel propôs que os temas debatidos no evento gerassem uma proposta política. “Nós precisamos levar essas informações para quem pode ajudar no desenvolvimento desse processo, que são nossos representantes eleitos”, afirmou.

 

Jean Faria, presidente do CAU/AM

 

Jean Faria, presidente do CAU/AM, acredita que o evento trouxe um pacote pronto para ser levado ao 28° Congresso Mundial de Arquitetos (UIA2023CPH), em julho. “Mostramos aqui projetos, soluções e conhecimento. Demos uma aula do que é a Amazônia”, disse. “A Amazônia se transforma, ela muda e se reconstrói. Isso se mostra em cada projeto apresentado aqui.”

 

A presidente do CAU Brasil, Nadia Somekh, concordou que os conteúdos apresentados serão muito importantes para a participação dos arquitetos e urbanistas brasileiros no UIA2023CPH. “Sintam-se todos a caminho de Copenhague, com tudo que propuseram aqui hoje”, afirmou.

 

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