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Projeto Arquitetura e Movimento reaviva obra de João Filgueiras Lima, o Lelé

O projeto foi lançado em 10 de agosto no Teatro Vila Velha, em Salvador. na programação do evento “Palco aberto direito à cidade”

 

A obra do arquiteto João Filgueiras Lima, o Lelé, acaba de ganhar interpretação a partir de diferentes linguagens artísticas. Lançado no dia 10 de agosto no Teatro Vila Velha, em Salvador, o projeto Arquitetura e Movimento #01: Lelé convocou profissionais ligados à arte e à arquitetura para criarem conteúdos inspirados na obra do arquiteto, que completaria 90 anos em 2022. O resultado foi a produção de um audiovisual, em que dialogam dança, música e arquitetura; e do site “Ele Lelé”, com artigos, fotografias e outros acervos, incluindo uma entrevista concedida ao coordenador do projeto, José Fernando Minho. A iniciativa contou com apoio do Edital de Chamada Pública de Apoio Institucional nº 06/2021 – Patrocínio Cultural do CAU Brasil.

 

Entrelaçar a arquitetura com a dança era um sonho antigo da coreógrafa Cristina Castro. Coordenadora geral do Projeto, ela dividiu com o amigo e arquiteto Sérgio Cerviño Rivero a concepção de coreografias inspiradas no pensamento e na obra de arquitetos brasileiros. Para ela, a arquitetura e a dança compartilham de dois elementos fundamentais: o espaço e o público.  “Acredito que arquitetos e artistas trabalham para que as pessoas ‘atravessem’ suas obras. Eles inspiram o movimento físico e mental em teatros, prédios, hospitais, plataformas virtuais, ou em jardins e passarelas. Abrem possibilidades de entradas e saídas mas, sobretudo, um caminho a ser percorrido, habitado, ocupado pela sociedade. E é isso que esse projeto propõe: inspirar, provocar, criar, ocupar”, conta Cristina.

 

O videodança tem trilha sonora de Jarbas Bittencourt e mostra a interação cênica dos bailarinos e coreógrafos Claudio Machado e Clara Espada com diversas obras de Lelé, como passarelas e edificações que oferecem circulação, movimento e ritmo para a cidade de Salvador. Para Cristina, provocar os artistas a pensar a interagir com a cidade desperta para a presença da arquitetura em todos os lugares. “Com este projeto, cumprimos uma missão importantes, inspirada no que Lelé nos ensina com maestria, que é servir a sociedade e apontar novos caminhos possíveis”, afirmou a coreógrafa, que além de reconhecer o pensamento inovador por trás das obras do arquiteto, também foi sua vizinha em Salvador, cidade que Lelé escolheu para viver.

 

VISITE O SITE

https://www.ele-lele.com.br

 

ASSISTA AO AUDIOVISUAL

 

O projeto foi lançado dentro da programação do evento “Palco aberto direito à cidade”, projetando a figura de Lelé como pensador do espaço urbano enquanto bem coletivo. “A trajetória e a conduta profissional de Lelé demonstraram, de forma paradigmática, o papel do arquiteto em agregar civilidade e urbanidade às nossas cidades, tornando-as mais humanas.  Em um momento em que a arquitetura do star system internacional privilegia a estética em detrimento da ética, a obra de Lelé honrou e dignificou a profissão do arquiteto, ao conciliar ambas”, escreveu o professor Nivaldo Andrade no texto que abre a exposição virtual disponível no sítio.

 

O professor José Fernando Minho foi parceiro de trabalho de Lelé desde o início da sua carreira, em 1980, e assina a curadoria dos conteúdos do site. Para compor o conteúdo, contou com o suporte do grupo de pesquisa FABER (Arquitetura, Construção, Tecnologia e Patrimônio), da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia. Cada texto trata de uma dimensão da contribuição de Lelé para a arquitetura. Também está disponível no espaço virtual uma linha do tempo da vida e obra de Lelé. “A gente se pautou por um conceito que ele sempre usou muito: a integração. Integração das artes plásticas com a arquitetura e também das equipes”, conta o professor.

 

Para José Fernando Minho, o espaço virtual é um instrumento importante para a preservação da memória arquitetônica. “Como profissionais e professores, nos cabe manter viva a obra de Lelé e chamar a atenção sobre sua importância para a cultura do país. Ele provou que existem caminhos possíveis para fazer escolas, passarelas, hospitais e mobiliários urbanos mais baratos, capazes de dar mais dignidade para as pessoas. É um legado factível de ser reproduzido para que as demandas sociais sejam minoradas, se não resolvidas”, afirmou.

 

“O site já é considerado por especialistas como o mais importante sobre a obra do renomado arquiteto. Será uma importante fonte de pesquisa para profissionais e estudantes de arquitetura e urbanismo. Fico feliz pelos resultados alcançados e com a certeza de termos o legado da produção arquitetônica de Lelé destinado à eternidade”, afirmou o conselheiro federal pelo estado da Bahia, Guivaldo D´Alexandria Baptista, que representou o CAU Brasil no lançamento do projeto. 

 

 

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