PLENÁRIAS

Pronunciamento do presidente do CAU/BR sobre a histórica centésima Plenária

Em pronunciamento sobre a 100ª. Plenária Ordinária do CAU/BR, o presidente Luciano Guimarães, destacou que sua realização continha dois marcos históricos. O primeiro, o fato de ser a centésima  e, o segundo, o fato de ter sido a primeira realizada online, em razão da pandemia do COVID-19. 

 

Além disso, ele destacou que se a Plenária dos dias 23 e 24 de abril tivesse ocorrido presencialmente, os conselheiros federais estariam em Brasília e poderiam reverenciar a cidade, referência maior da Arquitetura e do Urbanismo brasileiro e Patrimônio da Humanidade, pela passagem de seus 60 anos de fundação. “Hoje, em linguagem figurada, podemos dizer que, nas horas dedicadas à 100ª. Plenária, cada um de nossos lares é Brasília”, afirmou o presidente do CAU/BR.   

 

Ele lembrou como Lucio Costa, com uma proposta simples e clara, concebeu um projeto urbanístico excepcional. E, ao lembrar que Oscar Niemeyer tinha esperança de que a cidade fosse de “homens que compreendam o valor das coisas simples e puras um gesto, uma palavra de afeto e solidariedade”, Luciano Guimarães acentuou que “a expressão “afeto e solidariedade”, mais do que nunca, hoje nos impulsiona na luta conta a terrível pandemia causada pelo novo coronavirus”.  

 

Veja a íntegra do pronunciamento: 

 

Colegas conselheiras e conselheiros federais do CAU/BR: 

 

Dispensável ressaltar aqui o grave momento vivido pela Humanidade nesses tempos em que a pandemia do COVID-19 ceifa vidas, destrói famílias e desarticula a economia em todo mundo. Ninguém está livre do alcance do novo coronavírus, são muitos os cuidados a serem tomados, inclusive o distanciamento social que nos obriga a realizar virtualmente essa 100ª. Plenária Ordinária do CAU/BR 

 

O fato de ser a centésima de nossa caminhada já bastaria para marcá-la como histórica. Sua realização online, pela primeira vez na existência do CAU/BR, acrescenta mais um componente nesse marco. É evidente que gostaríamos que as circunstâncias fossem outras, mas é preciso destacar que não nos curvamos às dificuldades e, graças ao empenho de todos, conselheiros e funcionários, os trabalhos do CAU/BR, assim como dos CAU dos Estados e do Distrito Federal, não sofreram descontinuidade.  

 

Seguimos com nossa missão de servir a sociedade orientando, disciplinando e fiscalizando o exercício da Arquitetura e Urbanismo, zelando pela fiel observância dos princípios da ética e disciplina da classe, bem como pugnando pelo aperfeiçoamento do exercício e do ensino da profissão.   

 

Fosse realizada presencialmente, essa Plenária teria uma agenda especial, inclusive com homenagens a colegas que ajudaram a colocar, dez anos atrás, o CAU em funcionamento. Temos esperança de que nova oportunidade surgirá em breve. 

 

Fosse realizada presencialmente estaríamos todos em Brasília e poderíamos reverenciá-la na passagem de seus 60 anos de fundação. Ao materializar o sonho de levar para o centro do território nacional sua sede administrativa, Brasília sintetizou o ideal que nós, arquitetos e urbanistas, sonhamos para cidades saudáveis, dignas e democráticas.  

 

Hoje, em linguagem figurada, podemos dizer que, nas horas dedicadas à 100ª. Plenária, cada um de nossos lares é Brasília  

 

A concepção urbanística da nova capital federal nasceu de um concurso público de projetos, do qual saiu-se vencedora a proposta 22, de Lucio Costa, contendo apenas 25 rabiscos sustentados por uma apresentação simples e clara.  

 

“Compareço, não como técnico devidamente aparelhado, pois nem sequer disponho de escritório, mas como simples maquis do urbanismo”, disse ele com sua conhecida humildade. Se a solução é valida, continuou ele em seu relatório, conquanto os dados fossem sumários na sua aparência, “já serão suficientes, pois revelarão que, apesar da espontaneidade original, ela foi, depois, inteiramente pensada e resolvida”.  

 

Era um rabisco e pulsava”, disse o poeta Carlos Drummond de Andrade.  

 

Brasília seria, na sua concepção, uma cidade planejada para o trabalho ordenado e eficiente, mas ao mesmo tempo “cidade viva e aprazível, própria ao devaneio e à especulação intelectual. “Sendo monumental é também cômoda, eficiente, acolhedora e íntima”, resumiu ele. “É ao mesmo tempo derramada e concisa, bucólica e urbana, lírica e funcional”.  

 

Pensada e resolvida” é mais do que uma expressão, é uma lição para o exercício profissional de todos os arquitetos e urbanistasMais ainda: uma lição para o mundo, como reconhecido pela UNESCO ao consagrar Brasília, em 1987, como Patrimônio Cultural da Humanidade.  

 

Nossa capital federal é única cidade no mundo a receber tal título no próprio século de sua fundação, para o que foi fundamental o trabalho de Oscar Niemeyer, autor dos projetos de seus edifícios públicos mais significativos.  

 

Oscar dizia que Brasília é “uma cidade que desperta sentimentos de surpresa e emoção” e as formas das edificações que concebeu corporificam bem isso. “Lembro, com prazer, que desenhei as colunas do Palácio da Alvorada, e com prazer maior ainda as vi depois repetidas por toda parte. Era a surpresa arquitetural contrastando com a monotonia existente”, declarou ele em certa ocasião.  

 

“Espero que Brasília seja uma cidade de homens felizes: homens que sintam a vida em toda sua plenitude, em toda sua fragilidade; homens que compreendam o valor das coisas simples e puras um gesto, uma palavra de afeto e solidariedade”, disse Oscar. 

 

Afeto e solidariedade” – eis outra expressão que, mais do que nunca, hoje nos impulsiona na luta contra a terrível pandemia causada pelo novo coronavírus.  

 

Com a dedicação de nossas equipes médicas, bem como a colaboração de outros profissionais em suas respectivas áreas de formação, inclusive arquitetos e urbanistas, acreditamos que logo lutaremos não pelo isolamento social, mas para a construção de um novo mundo. Um mundo de habitações e cidade saudáveis.  

 

Que essa centésima Plenária Ordinária do CAU/BR carregue também esse marco de esperança.  

 

Obrigado a todas e todos.  

 

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