#MulherEspecialCAU

“Quem para de estudar fica para trás”, alerta Imira de Hollanda ao citar estratégias para se manter no mercado

 

 

Imira de Holanda, arquiteta formada em 2008 pela Universidade de Brasília (UnB), está desde 2011 à frente do StudioM4 Arquitetura, escritório de arquitetura com atuação em todo o Brasil e em Portugal, Canadá e Nova Zelândia.

 

O escritório promove, desde 2016, cursos de capacitação profissional para arquitetos, designers e engenheiros. Ao todo, já treinou mais de 5.000 alunos. O propósito do StudioM4 é levar conteúdo e conhecimento sobre arquitetura e interiores para profissionais e leigos por meio das mídias sociais, YouTube e Instagram.

 

Em entrevista exclusiva ao CAU/BR, como ação da campanha #MulherEspecialCAU, a proprietária da StudioM4 Arquitetura destaca o papel da mulher na arquitetura, os desafios enfrentados na área e suas inspirações, entre outros.

 

Leia, a seguir, trechos da entrevista.

 

Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR): Como você vê o papel da mulher na arquitetura hoje em dia?

Imira de Hollanda: Para mim e para grande parte da sociedade, o papel da mulher na arquitetura é de muita presença e pouco reconhecimento. Ao mesmo tempo, vejo que muitas mulheres têm conseguido ter uma penetração muito maior no imaginário das famílias e das pessoas graças às redes sociais, uma vez que a conseguimos nos posicionar na internet e alcançar um público que antigamente sequer conhecia o trabalho de mulheres na arquitetura.

 

CAU/BR: Quais são os maiores desafios que você enfrentou como arquiteta mulher em sua carreira?

Imira de Hollanda: O desafio de ser mulher na arquitetura permeia a construção civil, a obra. A mulher precisa ter um posicionamento muito forte para alcançar respeito dentro da construção civil. Uma vez que isso é conquistado, o respeito permanece. Alcancei respeito junto aos meus pares e esse respeito permaneceu, porque confiança é construída e a gente consegue mostrar o nosso trabalho e estabelecer parcerias de longo prazo.

 

CAU/BR: Quais foram suas maiores inspirações na arquitetura?

Imira de Hollanda: Preciso falar de grandes mulheres da arquitetura, como Lina Bobardi, mas também acho muito importante posicionar pessoas que trabalham ainda hoje. Bel Lobo é uma arquiteta carioca que me inspirou muito no começo da minha carreira. Ela me fez entender que o trabalho não precisa ser pesado, ainda que a gente trabalhe com uma estrutura de empresa que se ocupe do sonho do cliente, isso tudo pode ser muito leve.

 

CAU/BR: Como você acha que a arquitetura pode contribuir para a igualdade de gênero na sociedade?

Imira de Hollanda: Quando a arquiteta decide que vai empreender e não somente fazer projeto, ela passa a ter controle sobre a sua própria vida, carreira, finanças e objetivos. Quando toma as rédeas da própria carreira, tem muito mais chance de alcançar outros patamares, porque depende muito do seu próprio esforço. Então, ao empreender, ao tocar seu próprio negócio em arquitetura, a mulher tem mais espaço, mais possibilidades, mais oportunidades, contribuindo para a igualdade de gênero.

 

CAU/BR: Qual é a sua abordagem para projetos de arquitetura sustentável?

Imira de Hollanda: Não tenho qualquer especialização em sustentabilidade e respeito isso, porque não acho correto e ético que eu fale de sustentabilidade, uma vez que eu não tenho essa formação. No entanto, no dia a dia dos meus projetos, procuro ter o compromisso de entender sobre os materiais que a aplicamos nos nossos projetos e a forma de trabalhar para que possamos atender às necessidades do cliente com menor impacto possível para o meio ambiente, dentro daquilo que é o nosso conhecimento básico. Então, isso é algo que permeia o nosso trabalho, muito embora não tenhamos essa especialização.

 

CAU/BR: Como você equilibra sua vida pessoal e profissional como arquiteta mulher?

Imira de Hollanda: A melhor forma de equilibrar a vida pessoal e a vida profissional é saber que nenhuma de nós precisa fazer nada sozinha. Não tem que ter essa expectativa e nem impor essa necessidade. Podemos e devemos trabalhar em parceria, seja dentro de casa, com a ajuda de uma rede de apoio na família, seja dentro do próprio escritório, com outros braços para ajudar. Quando tem parcerias, temos mais possibilidade de crescer.

 

CAU/BR: Você já enfrentou discriminação de gênero no campo da arquitetura? Como lidou com isso?

Imira de Hollanda: Não sou regra e nem padrão, porque sou uma mulher alta e isso faz muita diferença na abordagem dentro da construção civil [risos]. Quando se trata de falar com mulheres, as pessoas precisam olhar para todas as características femininas e entender que nem todas são iguais. Portanto, mulheres diferentes têm dificuldades diferentes. Temos que entender isso para melhorar como um todo o ambiente de trabalho.

 

CAU/BR: Quais são suas estratégias para se manter atualizada com as tendências e novas tecnologias na arquitetura?

Imira de Hollanda: Quem para de estudar fica para trás. Eu me mantenho estudando sempre, não só pontos relacionados à tecnologia e tendências da arquitetura, mas estudo muito sobre gestão de negócios. Isso, para mim, é fundamental para o trabalho, uma vez que não faço apenas projetos, tenho uma empresa de projetos que precisa prosperar. Para além de manter-me atualizada nas tendências, indo a feiras e eventos, procuro estudar muito sobre gestão de negócios.

 

CAU/BR: Como você vê a representatividade das mulheres na arquitetura e o que pode ser feito para aumentá-la?

Imira de Hollanda: O escritório tem um trabalho muito forte de marketing nas redes sociais e isso faz muita diferença no meu negócio. Se usarmos a internet a nosso favor, dependeremos menos de outros grandes meios de comunicação. Usando as redes sociais com a estratégia certa, alcançando públicos novos, conseguimos ter uma representatividade correspondente ao número de arquitetas no Brasil, porque nós somos muito mais numerosas do que os homens. Só precisamos fazer a nossa representatividade ser equilibrada ao número de mulheres que atuam no mercado direto, na arquitetura e na construção civil.

 

CAU/BR: Quais conselhos você daria para jovens arquitetas que estão começando suas carreira?

Imira de Hollanda: Você não precisa dar conta de tudo. Busque ajuda em todas as áreas, seja na área pessoal, seja na área profissional.

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