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Raissa, Thais, Letícia, Djuly e Marina: Talentos emergentes na FAU da PUC-Campinas

Raissa Begiato, Thais de Freitas, Leticia Sitta, Djuly Valdo e Marina Violin (Foto: Arquivo Pessoal)

 

Raissa Gattera e Djuly Duarte Valdo, ambas com 23 anos de idade, são de Jundiaí, no Estado de São Paulo. Letícia Sitta (23) e Marina Violin (24) são de Valinhos. E Thais de Freitas, 22 anos, nasceu em Jaboticabal.  Cinco garotas que se aproximaram na vida em razão de um sonho comum: ajudar a melhorar a vida das pessoas e a qualidade das cidades através do lápis. Elas estudam na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Campinas e, em pouco tempo, já demonstraram que têm competência para darem essa contribuição. E com reconhecimento internacional.

 

Em 2016,  o projeto das jovens venceu o concurso para a Escola Flutuante de Artesãos do distrito de Cannaregio em Veneza, promovido pelo programa Start for Talents do Archicontest, que tem por objetivo a promoção e divulgação da cultura arquitetônica. A Floating Artisan School tem como proposta o uso dos canais de Veneza como um meio de conexão. “É através da água, principal elemento da cidade, que o artesanato é disseminado. Com a função de expandir a importância desse sistema de ensino, a escola é projetada para que as salas naveguem pela cidade, providenciando aos alunos experiências únicas. Além da base principal, com todos os ateliês e espaços de suporte, salas de aula flutuantes estão localizada no porto da escola, onde irão partir e se conectar com outras bases menores em diferentes pontos da cidade, contribuindo para a troca de conhecimentos entre estudantes e artesãos locais. O artesanato precisa ser visto e sentido”, diz o descritivo do projeto delas.

 

Já em 2017, o grupo levou menção honrosa no concurso “Human Trafficking – Tenancingo Square Mediascape” para a requalificação de uma praça em Tenancingo, no México. A cidade sofre com tráfico humano e, principalmente, de mulheres. Para combater o problema, a proposta das jovens foi apoiada em três eixos: denúncia, visibilidade e empoderamento.

“A arquitetura não se constrói somente com pedra e aço. Seus vazios entre tantas toneladas de peso sempre estão ancorados em uma história. Nem sempre uma boa história. Essa baseia-se na injustiça enraizada na trajetória desta cidade, mas que busca mudar o lugar e a vida de quem mora ali. Uma história sobre flores duras e doces. Fortes e sobreviventes. Essa é a que queremos contar. Para nunca esquece-la”, conta o memorial do projeto.

 

“Dar luz ao problema. Fornecer voz ao invisível”. Projeto das estudantes de arquitetura e urbanismo da PUC-Campinas (Imagens: Divulgação)

 

A equipe participa de concursos desde 2015, no ano passado se apresentaram em pelo menos três, inclusive como integrantes de equipe profissional que fez um projeto habitação social para Brasília (CODHAB), e vêem neles uma oportunidade para se discutir assuntos que vão além da sala de aula. “Nesse caminho tivemos professores importantes que para nós representam o verdadeiro “homem debaixo da árvore”, mestres que algumas vezes tivemos a honra de dividir a prancheta, sempre nos incentivando em cada traço. Um deles costumava dizer que “novas coisas sempre vamos aprender, mas nos mesmos centímetros continuaremos a acreditar”. Para nós , reflete o que pensamos: a importância de continuar acreditando em nossas propostas até o último momento”. Raissa e Thais também já receberam menção honrosa com o “Smart Hostel” na edição anterior do Archicontest.

 

 

Prancha do projeto vencedor da “Escola Flutuante de Artesãos” de Veneza (Foto: Arquivo Pessoal)

 

Raissa  e Djuly se formaram no fim de 2017. Letícia, Marina e Thais de Freitas formam-se no final de 2018. A pedido do CAU/BR, as cinco escreveram um texto sobre como enxergam, com seus olhos de garotas, o papel da mulher na Arquitetura e no Urbanismo. Confira:

 

“Quantos arquitetos ou urbanistas você consegue nomear em um minuto? Le Corbusier, Mies Van der Rohe, Frank Lloyd Wright, Álvaro Siza, Lúcio Costa, Oscar Niemeyer, etc. Agora, quantas arquitetas ou urbanistas, mulheres, você é capaz de nomear no mesmo um minuto? Lina Bo Bardi, Zaha Haddid, Jane Jacobs.” Essa foi uma das dinâmicas trazidas à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Campinas durante a Semana Integrada do CEATEC no final de 2016 pelo coletivo de mulheres “Arquitetas Invisíveis”. Engraçado ver como os mesmos 60 segundos tem uma relação muito diferente entre as duas perguntas.

 

Na primeira, os 60 segundos podem parecer 10. Na segunda, os mesmos segundos se tornam uma eternidade. Eternidade, pois após o terceiro nome você dificilmente lembrará de mais alguém. Se isso não reflete o papel da mulher no país e no mundo, o que explicaria melhor? Em uma classe, onde a maioria dos estudantes são mulheres, por quê só ouvimos falar de grandes arquitetos homens? Onde estão as mulheres? Seria a falta de representatividade ou a falta de reconhecimento? Ou ambos?

 

É evidente que este seja um assunto do qual temos muito mais perguntas do que respostas ou soluções. Porém fazermos essas perguntas é essencial, pois elas nos abrem um leque de problemas que muitas vezes são ocultados ou que passam despercebidos. Nos dão a possibilidade de discutir assuntos tratados dentro da sala de aula, dos nossos ambientes de trabalho ou até mesmo dentro de casa, onde questões de discriminação de gênero passam muitas vezes despercebidas. Questionarmos esses tipos de assuntos que à primeira vista são taxados como “normais”, com os quais aprendemos a conviver, nos faz abrir os olhos para reconhecermos ações cotidianas de discriminação e opressão mascaradas de “boas intenções” pela sociedade.

 

Fazer questionamentos traz visibilidade, que por sua vez traz conscientização e ação. A realidade pode desencorajar as mulheres a encararem o mercado de trabalho ou até mesmo a sua própria capacidade. Não podemos deixar que essa falta de exemplos, nos incapacite de irmos em busca dessas mulheres, de tirá-las das sombras e torná-las visíveis. Figuras que não são apenas de arquitetas incríveis, mas também de mulheres que convivem com nós diariamente: de professoras e colegas de sala igualmente encorajadoras. Tirar inspiração de quem está perto da gente é um grande privilégio.

 

Assim, como mulheres, estudantes, futuras arquitetas e profissionais, assumimos um importante papel de enfrentar diariamente esse cenário. Através do lápis e do papel, temos o poder de criar relações, pois cidades são sobre pessoas. Temos que tirar proveito dessa nossa capacidade enquanto arquitetos/as de não apenas construir edifícios, mas também de tornar mais justo o planeta que todos nós dividimos. Seja como for, é necessário procurarmos entender e localizar a origem do problema, para que então lutemos não só por reconhecimento, mas também por uma sociedade mais igualitária”.

 

Clique aqui para saber mais sobre o Archicontest.

Clique aqui para saber mais sobre o Human Trafficking – Tenancingo Square Mediascape

 

Por Júlio Moreno, Assessor Chefe da Assessoria de Comunicação Integrada do CAU/BR e Anthony Machado, estagiário do CAU/BR

 

Veja mais histórias de arquitetas e urbanistas brasileiras

3 respostas

  1. Parabéns por sucesso de seus trabalhos e que esse sucesso se repita em todas as etapas de suas vidas!

    Mulheres maravilhosas!!

  2. Parabéns a estas mulheres meninas que vi crescer! Um olhar de se orgulhar! Sucesso para todas vcs; em especial para vcs: Djuly e Raíssa! ?

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