PATRIMÔNIO CULTURAL

Seminário de Patrimônio: ICOMOS apresenta novos conceitos e tendências da área

 

 

Abrindo a série de palestras do Seminário Nacional de Patrimônio em Ouro Preto (MG), o arquiteto e urbanista Leonardo Castriota, vice-presidente do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS), apresentou suas perspectivas para o patrimônio no século XXI. Para ele, estamos vivendo em um mundo cada vez mais pasteurizado, e isso faz com que o patrimônio e a tradição assumam papeis cada vez maiores na construção da nossa identidade. O Patrimônio mostra quem nós somos, de onde viemos e nos permite pensar para onde iremos. “É um paradoxo interessante a se pensar, como que paralelamente ao avanço da globalização, há também a reafirmação com muita força, de tradições”, afirmou.

 

Para ilustrar a sua tese, Leonardo apresentou o caso da demolição dos Budas de Bamiyan, no Afeganistão, no início dos anos 2000, antes da invasão pelos Estados Unidos. As duas estátuas construídas no século VI e localizadas na rota da seda foram consideradas manifestações sacrílegas pelo governo afegão. O anúncio da demolição da obra causou uma comoção internacional, com grande movimentação por parte do Icomos e um abaixo-assinado que contou com milhares de assinaturas de diversos países. Mesmo assim, as estátuas foram destruídas.

 

Para Leonardo Castriota, esse exemplo mostrou como o patrimônio deixou de ser uma pauta exclusiva dos técnicos da área e se tornou um assunto capaz de promover mobilização pública. “Curioso que nesse cenário de globalização as tradições locais sejam revalorizadas”, disse. O especialista acredita que as discussões atuais sobre Patrimônio Cultural se apoiam em três deslocamentos e cinco ideias chaves.

 

Arquiteto e urbanista Leonardo Castriota é vice-presidente do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos)

 

O primeiro deslocamento é o deslocamento no próprio conceito de Patrimônio. Por muito tempo ele foi sinônimo de arquitetura erudita, monumental, mas não devemos nos manter presos a essa esfera. Citando o arquiteto e urbanista Lúcio Costa, Castriota afirma que não é sobre copiar o passado, mas sim aprender com as lições dele.

 

O segundo deslocamento trata-se do patrimônio imaterial: a preservação não das obras por si mesmas, mas sim dos valores nelas contidos. “O arquiteto que não perceber a dimensão imaterial do patrimônio material, ele não vai saber fazer uma boa proposta de conservação”, afirma.

 

O terceiro e último deslocamento é acerca da introdução de novos atores. É preciso entender que o Patrimônio é um campo político, até mais do que técnico. A multiplicação dos conselhos de patrimônio, sua valorização e o estímulo dos encontros desses agentes podem trazer uma ampliação dos conceitos, visões e opiniões.

 

ACESSE A APRESENTAÇÃO DE LEONARDO CASTRIOTA

 

Por fim, o arquiteto e urbanista apresenta cinco ideias para provocar o debate:

 

  • Amplitude: temos que perceber as outras dimensões do patrimônio e trabalhar em escala. A luta pela preservação da Serra do Curral (MG), por exemplo, é um item que se encaixa nessa ideia;
  • Dinâmica: não pensar no patrimônio como algo estático, que congela. Como o registro do queijo de minas, que provocou mudanças no intercâmbio desse patrimônio imaterial, outrora proibido em restaurantes do Brasil;
  • Capilaridade: é essencial a manutenção das políticas de patrimônio, de programas realizados por órgãos técnicos;
  • Critérios e diretrizes: patrimônio, na medida em se expande, passa a ter uma ingerência em outras áreas da vida, como o planejamento urbano. Então é importante que tenha suas definições bem claras;
  • Intersetorialidade: Quem trabalha com patrimônio tem que ter atitude de guerrilha, se infiltrar em outras áreas da política. O patrimônio por si só não é suficiente para se manter, é preciso trazer parcerias estratégicas.

 

Veja cobertura completa do 1º Seminário Nacional de Patrimônio

 

 

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