Arquiteto Demetre Anastassakis

O projeto do condomínio Moradas da Saúde é de autoria do arquiteto e urbanista Demetre Basile Anastassakis.

 

Nascido em Atenas, em 1946, Demetre faleceu no Rio de Janeiro em 2019. Projetou e dirigiu cerca de 15.000 unidades habitacionais construídas, entre eles:

– Novos Alagados (Salvador);
– Centro Histórico de Salvador (PAR-BID Monumenta);
– Cidade de Deus (Rio de Janeiro);
– Bento Ribeiro Dantas (Rio de Janeiro);
– Barro Vermelho (Rio de Janeiro);
– Complexo da Maré (Rio de Janeiro);
– Retrofit Asdrúbal do Nascimento (SP);
– Moradas da Saúde no Porto do Rio de Janeiro;
– PAR Jacutinga (Mesquita-RJ);

O arquiteto executou vários projetos de urbanização de favelas em São Paulo e no Rio, dentre eles, Favela-Bairro, na capital fluminense. Participou da formulação de projeto para o centro histórico de Salvador, na Bahia; executou vários Planos Diretores na região metropolitana do Rio e deu assessoria técnica para movimentos organizados de luta pela moradia

Demetre Anastassakis foi presidente do IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil)/RJ e presidente nacional do IAB, além de membro do Conselho Nacional de Cidades. Foi professor universitário no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. Ocupou diversos cargos públicos municipais em São João de Meriti e Nova Iguaçu e estaduais no Rio de Janeiro.

O arquiteto foi premiado diversas vezes pelo IAB, vencedor de vários concursos, entre eles o Concurso de Projetos para o Mutirão Jardim São Francisco (1989), zona leste de São Paulo; indicado para representar o Brasil na Bienal de Veneza com Projeto de Novos Alagado e pelo IAB ao Prêmio do Habitat da Federação Panamericana de Arquitetos em 2009. Foi chefe da representação brasileira na II Habitat, da ONU, realizada em Istambul, Turquia, em 1996.

Veja abaixo, vídeos com trechos de palestras proferidas por Demetre Anastassakis em eventos do CAU/BR.

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Demetre Anastassakis na sacada de seu apartamento no Moradas.

II CONFERÊNCIA NACIONAL DE ARQUITETURA E URBANISMO (Rio de Janeiro, 2017)

Arquitetura como Medicina

“O ato de projetar é do arquiteto e indelegável, como o ato médico. A arquiteta Maria Elisa Baptista disse uma frase que vai ficar na história da arquitetura: “o cimento é remédio tarja preta. Como é que remédio tarja preta é dado sem receita?”.

Arquitetura e empreendedorismo I

“Se você analisar no balanço de qualquer empresa construtora a acumulação não chegou na construção civil brasileira. Ela faz um empreendimento, acaba e pronto. O próximo tem que começar do zero”.

Arquitetura e empreendedorismo II

“Eu fabrico meu escopo de trabalho, a iniciativa é minha. (….) Não fico esperando a construtora me encomendar um projeto. Eu mesmo faço o projeto, incorporo, oriento os clientes como buscar financiamento”.

Como financiar empreendimentos de Habitação Social

“O Estado não vai empreender. O Estado vai criar condições. Quem tem que tomar a iniciativa somos nós. Tem dinheiro, tem bilhões, e a gente não pega. (…) Mas eu só vou poder propor programas se tiver iniciativas exitosas, sim, de forma a comprovar que deu certo”.

SEMINÁRIO NACIONAL DE POLÍTICA URBANA: POR CIDADES HUMANAS, JUSTAS E SUSTENTÁVEIS (São Paulo, 2018)

Habitação Social para recuperar centros antigos

“O que essas áreas centrais têm de comum? Elas valem, em razão da decadência, menos do que um terreno num bairro vistoso. Você compra terrenos baratos (como onde eu moro na Saúde), nesses terrenos você atrai pobres, eles atraem o botequim, a venda de ovo, o cabelereiro, o sapateiro etc. Todo mundo fala que se o arquiteto faz um conjunto bonito (eu fui acusado de fazer conjunto bonito) a classe média vai comprar e vai expulsar seus moradores iniciais. Se você conseguir estudar para atender àquela demanda específica e fizer pra eles, eles querem, a classe média não quer, então não há gentrificação. Onde eu moro, na Saúde, tem 150 apartamentos. Não vendeu nem 10%, por que as pessoas não querem sair. Então, se eu conseguir – e aí sim tem o segredo do arquiteto – fazer com que o valor de uso ganhe do valor de troca, eu tô fazendo um bom negócio”.

O edifício Copan como modelo de habitação I

“Qual é o segundo transporte de massa mais efetivo que temos, se queremos uma cidade mais compacta? O elevador. Vocês querem transporte de massa mais eficiente que os trinta elevadores do COPAN?Então nós temos um modelo de cidade, que “tio Oscar” (Oscar Niemeyer) fez em 1950, onde você chega de metro, você desce, faz suas compras e sobe de elevador nos trinta elevadores dos trinta andares. E quem ajuda a pagar o custeio dos elevadores do COPAN? Os comerciantes que acham bom ter uma loja ali e moram numa quitinete”.

O edifício Copan como modelo de habitação II

“E esse é o melhor projeto de habitação popular que eu conheço. Eu moraria nele em São Paulo se eu tivesse condição de morar em São Paulo. Tem mil e poucas quitinetes.Uma quitinete sem garagem cuja fração ideal de terra é três metros quadrados, porque não têm garagem, tem 30 elevadores , e 30 e poucos andares, dá pra fazer Copan com o dinheiro do Minha Casa Minha Vida, só não faz porque não quer”.

Urbanização de favelas

“Nós somos pioneiros no mundo de fazer uma grande reurbanização de favela. (No Rio) passamos pelo Favela Bairro, tivemos o Morar Carioca, tivemos programas em São Paulo, Belo horizonte, Salvador e tivemos o PAC urbanização de favelas… Parece que esquecemos tudo isso.(…) Isso é de chorar, logo no Brasil. (…) Aquelas pessoas construíram sua casa com seu esforço e suor, mas a cidade, o Estado e a sociedade com um todo lhes devem a cidade. Essa é uma dívida social da cidade, portanto isso é investimento de orçamento público. A melhoria habitacional pode fazer incorporações populares novas dentro da favela para adensar em algum lugar e desadensar em outro, ali na área de risco. As pessoas não pagam aluguel ? Por que não podem pagar uma prestação mais baixa que o aluguel?”.