CIDADES

VI Diálogos Franco-Lusófonos debate relação dos movimentos sociais com espaço público

A última mesa redonda da programação do VI Diálogos Franco-Lusófonos, realizada dia 10 de novembro, teve como foco a relação dos Movimentos Sociais com o Espaço Público. Para debater o assunto, a professora do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (IAU/USP), Cibele Rizek, recebeu a historiadora Stella Bresciani (Unicamp) e as sociólogas Marcia Leite (UERJ) e Isabel Georges (Universidade Federal de São Carlos).

 

 

A historiadora Stella Bresciani propôs um debate sobre o habitar nas cidades e o desequilíbrio no direito à voz entre as populações que ocupam o espaço. A partir de favelas de São Paulo, como Paraisópolis, a professora apontou os seus contrastes com a cidade formal, problematizando a sua relação com a geografia e o processo de “guetização” que confina comunidades, limitando o acesso à cidade. Usando mapas visuais, Stella Bresciani cruzou informações que mostram a coincidência entre a concentração das populações nas favelas e os territórios mais expostos ao risco de contaminação pela COVID-19. “Temos uma cidade esgarçada e uma paisagem fragmentada que se evidenciou na pandemia”, afirmou.

 

 

 

Nos últimos vinte anos, o Brasil e a América Latina foram considerados laboratórios e terrenos de experimentação para a implantação de políticas de proteção social e redução da pobreza. Diante deste contexto, a professora Isabel Georges estudou as políticas sociais brasileiras produzidas entre 2003 e 2016, durante o período de governo do Partido dos Trabalhadores, tema que trouxe para o VI Diálogos Franco-Lusófonos. Isabel Georges falou sobre a aplicação das políticas formuladas em nível federal nos territórios, trazendo em destaque a perspectiva de gênero.  De acordo com a professora, a execução das políticas e programas sociais ocorreu de maneira heterogênea a depender, entre outros fatores, do nível de mobilização local. A professora também observou os diferentes formatos de oferta dos serviços sociais, frequentemente operacionalizados por organizações intermediárias.

 

 

A última apresentação ficou a cargo da socióloga Marcia Leite. A professora fez um resgate das mudanças nas formas de participação democrática desde o fim da ditadura militar, ampliadas a partir da mobilização popular e da Constituição Brasileira. Ao mesmo tempo, afirmou Marcia Leite, os direitos garantidos pelos dispositivos constitucionais vem sofrendo desconstrução, ao mesmo tempo em que também ocorre perda de força dos movimentos sociais de forma geral. Na segunda parte da apresentação, a professora analisou como o fortalecimento de um discurso baseado na violência vem fortalecendo políticas de exclusão nas últimas décadas, especialmente no Rio de Janeiro. “Houve a construção de uma imagem de guerra para alimentar a ideia de que a favela deveria ser contida para controlar a violência, legitimando uma política de morte”, analisou a professora. Márcia Leite observou que esta cultura reforça o tráfico de drogas, que funciona em articulação com o mercado legal.

 

 

Ao final das exposições, a professora Cibele Rizek fez comentários sobre cada uma das apresentações, destacando o entrelaçamento dos temas que emergiram a partir dos debates. A arquiteta destacou a cidade como espaço de encontro, função que se coloca em risco a partir das segmentações. “Temos esta dimensão em que o social está impregnado tanto de estado quanto de mercado. Tudo isso se espacializa nas várias formas de ver e compreender o espaço urbano”, finalizou a professora.

 

 

 

Assista à mesa na íntegra:

 

Assista também às mesas anteriores:

 

Mesa “Espaço Público, Espaço Comum: Reexistências”

 

Mesa “Espaço Público: Costumes, Desvirtuamento e Reivindicação”

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