
Durante uma entrevista ao telejornal NSC Notícias, o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Santa Catarina (CAU/SC), Carlos Alberto Barbosa de Souza, chamou atenção para o agravamento das “ilhas de calor”. Esse fenômeno climático tem se intensificado substancialmente em regiões com déficit de áreas verdes e excesso de superfícies concretadas.
A expansão descontrolada da pavimentação sobre espaços naturais está alterando de forma severa o microclima dos municípios catarinenses. Na capital, Florianópolis, e em outras grandes cidades do estado, o crescimento vertical e o adensamento populacional desprovidos de um planejamento paisagístico eficiente provocam o superaquecimento urbano. Esse cenário eleva o risco de eventos climáticos extremos, como tempestades severas, inundações, deslizamentos e ciclones, que afetam de maneira mais cruel as comunidades em situação de vulnerabilidade.
Ações na COP30 e Defesa do Meio Ambiente
O CAU/SC tem se debruçado sobre essa pauta por meio da sua Câmara Temática de Habitação e Estudos da Dimensão Ecológica da Arquitetura e do Urbanismo. Como fruto desse trabalho, um compilado de artigos desenvolvidos pelos especialistas do conselho foi apresentado durante a COP30, integrando a agenda oficial do CAU/BR na conferência internacional.
Os especialistas destacam que a cobertura vegetal urbana ultrapassa a função meramente estética, configurando-se como uma infraestrutura vital para a segurança climática e a saúde pública. As árvores desempenham um papel direto na mitigação das altas temperaturas, neutralizando o calor excessivo retido por materiais como cimento e asfalto.
Municípios com boa densidade arbórea são menos suscetíveis a alagamentos. O solo com vegetação atua como uma superfície permeável, absorvendo as águas pluviais e aliviando a sobrecarga nas redes de drenagem.
Contudo, os dados revelam um cenário de desigualdade. Informações do Censo 2022, repercutidas pelo portal G1, apontam que 33,7% das vias de Santa Catarina não possuem árvores. A situação é ainda mais alarmante nas áreas periféricas: apenas 22,9% dos lares em favelas catarinenses estão localizados em ruas arborizadas, o índice mais baixo de todo o país.
Essa disparidade aprofunda a exclusão socioespacial, uma vez que as periferias já lidam com déficits de saneamento, infraestrutura e políticas ambientais efetivas. Enquanto bairros nobres e planejados desfrutam de áreas verdes e conforto, as populações marginalizadas enfrentam estresse térmico severo, aumento nas contas de luz e maiores ameaças a problemas respiratórios e de saúde mental.
Diante desse desafio, o CAU/SC reitera a importância estratégica do arquiteto e urbanista na transformação dessa realidade. A atuação da categoria é indispensável para a concepção e execução de projetos alicerçados em políticas públicas sustentáveis, garantindo o cuidado e a resiliência tanto nos grandes centros comerciais quanto nas periferias.
Assista à reportagem na íntegra acessando o canal oficial do CAU/SC no YouTube.
(Com informações do CAU/SC)